A Eternit S.A., uma das maiores fabricantes de telhas do país, passa por um momento delicado de sua história e está em recuperação judicial. A companhia informou ao mercado que já estão disponíveis, em seu site de relacionamento com investidores, os resultados do 4T18.

 

A empresa, que historicamente produzia suas telhas utilizando amianto como sua principal matéria prima, passa por grandes dificuldades desde que a OMS declarou que tal substância é cancerígena. Diversos países proibiram a substância desde então.

A empresa não investiu em fontes alternativas para a produção de telhas e hoje paga o preço. A Eternit está em recuperação judicial e não apresenta bons resultados. Apesar de não utilizar mais amianto como matéria prima, o atraso na mudança comprometeu a operação da empresa e a levou para recuperação judicial.

Hoje, as telhas de fibrocimento são produzidas exclusivamente com adição de fibra sintética, o que não foi suficiente para melhorar o cenário para a companhia.

A empresa segue operando com prejuízo e vivenciou uma retração na receita operacional líquida na ordem de 10,2% no 4T18, quando comparado ao 4T17, reflexo da queda do volume de vendas no mercado interno.

O resultado também foi impactado pela interrupção da comercialização de fibras de amianto no mercado nacional a partir de 10 de janeiro de 2019.

Na tabela a seguir, encontramos os principais indicadores de resultados da companhia.

Observe que a queda na receita operacional líquida em 2018 foi bastante expressiva (19.4%). A companhia segue operando com prejuízo e busca reestruturar suas operações numa tentativa de reverter a situação.

Hoje o cenário não é nada animador. As receitas caem, os prejuízos persistem e não há garantias de que a empresa será bem sucedida na transição da utilização do amianto para a fibra sintética.

Caso a gestão consiga operar a transição com maestria, a Eternit verá tempos melhores, caso contrário, a companhia dificilmente conseguirá retomar a posição de mercado que um dia ocupou.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.