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    Radar do Mercado: Eternit (ETER3) – substituição de matéria prima deve reduzir rentabilidade

    Radar do Mercado: Eternit (ETER3) – substituição de matéria prima deve reduzir rentabilidade

    A Eternit anunciou, por meio de nota, que decidiu substituir a utilização do amianto crisotila por fibras sintéticas, na produção de telhas de fibrocimento, e a mudança será concluída até o mês de dezembro de 2018.

    De acordo com a companhia, há uma tendência no mercado, percebida nos últimos anos, de os consumidores deixarem de adquirir produtos que contenham amianto, especialmente na construção civil.

    “A mudança na demanda tem levado a Eternit a substituir, progressivamente, o amianto crisotila por matérias-primas alternativas, como a fibra sintética”, destacou a companhia em seu comunicado.

    A produção de fibras de amianto crisotila pela SAMA (mineradora controlada pela Eternit), entretanto, continuará normalmente e vem sendo gradualmente direcionada para o mercado externo, atendendo clientes em outros países aonde o produto é permitido, tais como Alemanha, Estados Unidos, Índia e etc.

    “A Eternit reforça o seu compromisso de trabalhar dentro das melhores práticas de segurança, cuidado com o meio ambiente, sempre comprometida com a comunidade e seus colaboradores, de acordo com as normas e leis que regem o setor”, finalizou a companhia.

     

    Pode-se concluir, de acordo com o comunicado feito pela Eternit, que a empresa passará a se adequar às normas exigidas pela Justiça e órgãos reguladores, que sucumbiram, inclusive, na condenação de indenização por dano moral coletivo de R$ 50 milhões para trabalhadores que teriam sido expostos ao contato direto com a matéria-prima amianto crisotila no âmbito de seus exercícios profissionais.

    Há de se destacar, neste sentido, que a Eternit investiu, nos últimos anos, cerca de R$ 25 milhões na adaptação dos equipamentos e do processo de produção de suas unidades industriais, para que pudesse substituir progressivamente a fibra mineral em questão pela fibra sintética de polipropileno.

    Ainda, no final de 2015, concluiu o investimento de aproximadamente R$ 95 milhões na implantação de uma nova fábrica em Manaus (AM) para a produção da fibra de polipropileno, suficiente para abastecer todas as unidades fabris da companhia e ainda a demanda de terceiros.

    Atualmente, as fábricas localizadas nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Colombo (PR), Simões Filho (BA), Goiânia e Anápolis (GO), utilizam em média 60% de fibra sintética de polipropileno e 40% de fibra mineral de amianto crisotila na fabricação de telhas, e a companhia pretende, até o final de 2018, utilizar 100% fibra sintética de polipropileno no processo produtivo desses produtos.

    Cabe ressaltar que a Eternit vem passando por uma situação bastante desafiadora, apresentando prejuízos recorrentes e crescentes, e com clara dificuldade de recuperação operacional.

    No último trimestre, por exemplo, a empresa registrou um prejuízo recorrente de R$ 8,2 milhões no período, um aumento no prejuízo de 181,3% frente ao mesmo período do ano passado. Nos nove meses do ano, o prejuízo recorrente foi R$ 20,4 milhões, uma diferença negativa de 674,2% em relação aos três primeiros trimestres do ano passado.

    O case da Eternit é uma situação que nos leva a uma reflexão bastante intuitiva no que diz respeito ao mercado de capitais.

    Basta alguns poucos anos para que uma companhia com um histórico bastante saudável e promissor venha a passar por uma forte turbulência e apresentar um cenário de total nebulosidade e imprevisão de seu futuro.

    Essa é a mágica que torna esse ambiente bastante fascinante.

    É uma pena que a Eternit esteja passando por essa grave situação nesse momento, mas é importante que todos os investidores percebam que essa é uma característica bastante comum no mercado.

    Uma companhia que hoje apresenta sólidos resultados pode vir a se deteriorar profundamente amanhã.

    Isso sempre aconteceu e sempre vai acontecer.

    O importante é conseguirmos identificar esses casos de insucessos e tentar evita-los ao máximo.

    Como esse é o caso da Eternit, nesse momento, preferimos seguir de fora por tempo indeterminado.

    Entretanto, entendemos ainda que a Eternit é uma empresa que possui grande parte do seu capital pulverizado, não tendo, dessa forma, um controlador definido, em nossa visão.

    Isso faz com que cada voto do acionista minoritário tenha força nas decisões da companhia, por isso, sugerimos àqueles que ainda possuem participação no empreendimento, que compareçam às assembleias e busquem se organizar com outros acionistas na tentativa de mudar os rumos da empresa, que nesse momento se encontra em uma situação bastante debilitada, como mencionado anteriormente.

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    Tiago Reis
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