A Eternit informou ao mercado ontem (05), em função da publicação da decisão do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do último dia 29 de novembro, de declarar inconstitucional o artigo 2º da Lei Federal 9.055, de 1995, a qual permite a extração, industrialização, comercialização e distribuição do amianto crisotila (asbesto branco) no país, que paralisou as atividades das suas controladas SAMA (mineradora) e Precon Goiás (fabricante de telhas de fibrocimento) até decisão definitiva da ação.

Segundo a Eternit, as demais unidades de produção de telhas de fibrocimento seguem operando normalmente apenas com a fibra sintética de polipropileno produzida na unidade de Manaus, conforme informado anteriormente pela companhia.

“A Eternit acompanhará eventuais embargos de declaração que poderão ser opostos pela entidade representativa do setor para, posteriormente, se posicionar de forma definitiva sobre a consequência de tal decisão nas atividades da companhia”, ressaltou em trecho do comunicado.

A empresa finalizou o informe explicitando que reforça o seu compromisso de trabalhar dentro das melhores práticas de segurança, cuidado com o meio ambiente, sempre comprometida com a comunidade e seus colaboradores, de acordo com as normas e leis que regem o setor.

 

A situação da Eternit, ao que tudo indica, vai gradativamente apresentando um cenário mais desafiador a medida que novos desencadeamentos a respeito de seus processos na Justiça vão sendo divulgados.

A companhia, diga-se de passagem, já se encontra em uma situação bastante desconfortável, e os seus resultados referentes ao último trimestre deste ano demonstram bem essa situação.

Por consequência de quedas recorrentes de receita líquida, a Eternit registrou prejuízo recorrente de R$ 8,2 milhões no período, um aumento no prejuízo de 181,3% frente ao mesmo período do ano passado. Nos nove meses do ano, o prejuízo recorrente foi R$ 20,4 milhões, uma diferença negativa de 674,2% em relação aos três primeiros trimestres do ano passado.

É plausível entender, nessa conjuntura, que com a paralisação das atividades das suas controladas SAMA e Precon Goiás, a tendência é que seus resultados do Grupo Eternit se deteriorem ainda mais no decorrer do tempo.

É, no mínimo, lamentável observar a deterioração dos resultados de uma companhia que, num passado não muito distante, era reconhecida pelos seus representativos resultados e uma consequente distribuição generosa de dividendos.

Entretanto, essa é a magia do mercado de capitais.

Os resultados de uma empresa hoje, em nada garantem a sua perenidade no futuro.

Por isso cabe ao investidor estar sempre atento à principais nuances que envolvem toda a conjuntura por trás de cada empreendimento em que se associa, afinal de contas, por trás de cada ação negociada na bolsa, existe ali uma companhia com dinâmicas operacionais bastante peculiares e individuais.

Nessa dinâmica, entendemos que a Eternit já teve os seus dias de glória, e hoje precisa lutar com bastante afinco a fim de se manter atuante no mercado.

Esse não é cenário empresarial que julgamos ser o ideal para indicarmos a associação e, por conta disso, preferimos seguir de fora de Eternit, ao passo que sugerimos o mesmo a nossos assinantes.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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