A Eternit comunicou aos seus acionistas e ao mercado em geral que adiou, no últmo dia 14 (segunda-feira) a divulgação das Informações Trimestrais relativas ao período findo em 31/03/2018, devido aos reflexos do adiamento das Demonstrações Financeiras Anuais 2017 em função do pedido de recuperação judicial; e a eventuais efeitos da aquisição da totalidade da participação societária da Companhia Sulamericana de Cerâmica.

Isto posto, a companhia informou que a divulgação está prevista para 25/05/2018.

“Tendo em vista a referida prorrogação de prazo do envio das Informações Trimestrais referentes ao 1T18, o “Período de Silêncio” (Quiet Period) se estenderá até a divulgação de resultados”, finalizou a Eternit em seu comunicado.

 

Não é nada fácil a atual situação da Eternit, e a notícia do adiamento de seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2018 sacramenta a situação preocupante na qual se encontra a companhia nesse momento, muito por conta de equívocos cometidos por sua gestão em um passado não muito distante.

Como ao própria Eternit destacou e seu comunicado feito ao mercado no dia de ontem, tal decisão se fez mediante aos reflexos do adiamento das Demonstrações Financeiras Anuais 2017 em função do pedido de recuperação judicial; e a eventuais efeitos da aquisição da totalidade da participação societária da Companhia Sulamericana de Cerâmica S.A.

Vale lembrar que, na ocasião do pedido de recuperação judicial, a companhia destacou que tal processo, que se somou a uma série de medidas administrativas e operacionais que já vinham sendo adotadas pela Eternit, foi aprovado ad referendum pelo Conselho de Administração da companhia em reunião realizada no mesmo dia de tal decisão.

Segundo o relatado, o pedido teria o intuito de atender ao melhor interesse de todas as sociedades que integram o Grupo Eternit, em especial: preservar a continuidade das atividades do Grupo e sua função social, com o cumprimento dos compromissos assumidos com seus clientes; preservar, de forma organizada e responsável, os interesses e direitos de seus fornecedores, credores e acionistas; e proteger o caixa da companhia e das sociedades do seu grupo objetivando mitigar riscos operacionais.

É bastante impactante observar a deterioração dos fundamentos de uma empresa que, durante muito tempo, se caracterizou por ser bastante generosa em questão de pagamento de proventos e por proporcionar relevante geração de valor a seus acionistas.

Nesse sentido, além de estar enfrentando, na Justiça, questões bastante desconfortáveis em relação à muitas de suas matérias primas da sua cadeia de produção, e também de enfrentar processos trabalhistas recorrentes que envolvem cifras milionárias envolvendo ex-colaboradores, o fato da companhia acionar o pedido de recuperação judicial parece pôr fim a uma novela que se iniciou há aproximadamente quatro anos.

Com isso, para aqueles que não são acionistas da Eternit, sugerimos que permaneçam de fora do negócio por tempo indeterminado, visto que, hoje, entendemos ser esse um investimento com um risco bastante elevado e, por conta disso, entendemos não haver motivo algum para indicarmos a participação na companhia, pelos motivos acima destacados.

No mais, continuaremos a esperar de fora o desencadeamento dos fatos que, nesse momento, se mostram completamente fora de viabilidade no que diz respeito à um investimento de longo prazo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.