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Radar do Mercado: Engie (EGIE3) pequeno movimento na direção da expansão

By 27 de novembro de 2017 No Comments

A Engie Brasil Energia comunicou ao mercado, no último dia 24 (sexta-feira) que, após o atingimento das condições precedentes acordadas com a Renova Energia e o ajuste de preço conforme acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi concluída a operação de aquisição, por sua controlada Engie Brasil Energias Complementares Participações, da totalidade do capital social das empresas que compõem o Complexo Eólico Umburanas, localizado no Estado da Bahia, pelo preço de R$ 16.937.854,20.

Segundo reportou a companhia, a liquidação financeira referente à operação ocorreu em 24 de novembro de 2017, mediante pagamento da primeira parcela do preço de aquisição no valor de R$ 7,5 milhões.

Em relação ao ativo negociado, o Projeto Umburanas terá capacidade instalada total de 605 MW, dos quais 257,5 MW serão destinados ao mercado livre e 102,5 MW foram comercializados no Leilão A-5/2014, ao preço Médio de R$ 139,60/MWh, base 30/11/2014, sujeito a ajuste pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), totalizando 360 MW, com previsão de início de operação comercial para 2019. A Engie destinará, ainda, investimentos de cerca de R$ 1,8 bilhão nesta primeira fase do Complexo, e os 245 MW remanescentes serão por ela futuramente desenvolvidos.

“Essa operação está em consonância com a estratégia do Grupo Engie de expandir seu parque gerador por meio de fontes complementares, alavancando o crescimento sustentável no Brasil por meio de projetos de energia renovável”, destacou a companhia em trecho do comunicado.

 

A Engie é uma das maiores geradoras privada de energia elétrica do país, operando uma capacidade instalada de 10.290 MW em 32 usinas em todo o Brasil, o que representa cerca de 6% da capacidade do país.

A companhia se destaca também por investir em processos de energias alternativas, isto por que o grupo possui 90% de sua capacidade instalada no país proveniente de fontes limpas, renováveis e com baixas emissões de gases de efeito estufa, posição que tem sido reforçada pela construção de novas eólicas no nordeste do país.

Além disso, o grupo também oferece serviços relacionados à energia, engenharia e integração de sistemas, atuando no desenvolvimento de soluções de telecomunicações segurança e sistemas de gerenciamento de risco, mobilidade urbana, iluminação pública, aeroportos, soluções digitais (plataforma customizada de software), segurança pública e infraestruturas críticas.

Contando atualmente com 3.000 colaboradores, a Engie vem apresentando resultados consistentes e crescentes ao longo do tempo, tendo apresentado, no terceiro trimestre deste ano, um crescimento de 3,2% na sua receita líquida, em comparação ao montante apurado no 3T16, totalizando R$ 1.654,7 milhões no 3T17.

Já o lucro líquido foi de R$ 358,0 milhões no 3T17 (R$ 0,5485/ação), valor 9,8% (R$ 38,9 milhões) abaixo do alcançado no terceiro trimestre de 2016 (3T16).

Consequentemente, o Ebitda apurado no período foi de R$ 710,8 milhões, queda de 11,9% (R$ 96,3 milhões) em comparação ao 3T16. A margem Ebitda foi de 43,0% no 3T17, redução de 7,4 p.p. em relação ao 3T16.

Em relação ao endividamento da companhia, ao fim do terceiro trimestre a dívida líquida (dívida total menos depósitos vinculados à garantia do pagamento dos serviços da dívida e caixa e equivalentes de caixa) era de R$ 1.464,0 milhões, aumento de 91,4% em relação ao registrado ao fim do 3T16.

Entretanto, um ponto positivo a respeito destes compromissos é o fato de a maior parte dele ter o seu vencimento no longo prazo, o que transmite certa serenidade no que diz respeito ao seu manuseio.

É importante destacar, também, que a empresa apresenta um histórico interessante em distribuição de dividendos, apresentando com frequência, inclusive, o pagamento da totalidade de seus resultados para os acionistas.

Obviamente que, dependendo das condições do provável compromisso financeiro que a companhia virá a assumir com a aquisição destacada, esses dividendos podem sofrer alterações no seu padrão de bonificação no curto prazo.

Em relação ao ativo adquirido, o Complexo Eólico Umburanas fazia, até então, parte dos mais de 1,8 GW de capacidade instalada contratada em parques eólicos por parte da Renova e, certamente poderá agregar bastante valor à Engie no que diz respeito a seus avanços no mercado de energias sustentáveis que tende a crescer bastante nos próximos anos.

Gostamos muito da empresa e também do setor, e entendemos que, a princípio, a aquisição do Complexo Eólico Umburanas se diz coerente com os planos da companhia, isto por que a Engie já havia anunciado anteriormente o seu interesse em investir em novos ativos geradores.

Ao mesmo tempo, lembramos que já apresentamos em nossas carteiras, tanto na Suno Dividendos e na Suno Valor, empresas atuantes do mesmo setor.

Por conta disso, e também por preferirmos, nesse momento, procurar entender melhor como serão os próximos passos da empresa na aquisição deste novo ativo, e por isso achamos melhor seguirmos de fora e reforçar nossas recomendações nas ações indicadas nas carteiras, lembrando sempre aos investidores que procurem respeitar seus respectivos preços tetos.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.