A Duratex informou ontem (22) aos seus acionistas e ao mercado em geral que, na mesma data, paralisou temporariamente a linha de painéis MDF que possui na unidade de Botucatu/SP, com capacidade produtiva de 400 mil m³ anuais.

Segundo informou a companhia, para esta linha, está sendo iniciado um projeto detalhado de atualização tecnológica, visando ampliar sua produtividade e reduzir custos operacionais.

“A companhia reforça a sua estratégia de maximização de valor, geração de caixa e melhor rentabilização de seus ativos”, salientou a Duratex em seu comunicado.

 

Cabe aqui acrescentar, em relação ao comunicado acima feito pela Duratex, que a duração deste projeto é de no mínimo um ano. Ao término deste trabalho, a Duratex irá analisar a demanda de mercado e as condições logísticas para definir o melhor momento de retomada da produção desta linha.

No entanto, ainda de acordo com o que informou a empresa, não é esperado impacto na oferta de painéis MDF da Duratex para o mercado, uma vez que a partir deste mês a unidade de Itapetininga/SP teve sua produção retomada em plena capacidade.

Também não são relevantes os custos envolvidos no fechamento transitório desta unidade, que serão plenamente compensados com redução de custos fixos.

“Com essa iniciativa, a Duratex dá mais um passo na otimização e eficiência de seu parque fabril, explorando a vocação de produção de cada uma de suas linhas operacionais”, destacou.

Diante disso, avaliamos que o racional por detrás da Duratex segue inalterado com essa decisão estratégica.

No mais, vale mencionar, aqui, que a Duratex é uma companhia que atua na produção de painéis de madeira industrializada, louças, metais sanitários e pisos laminados, além de diversos outros produtos utilizados amplamente no setor de construção civil.

Entretanto, por conta disso, entendemos que a companhia depende muito da performance do setor de construção civil que, como se sabe, vem apresentando certa dificuldade com o cenário político e econômico brasileiro dos últimos anos, apesar de um gradual princípio de recuperação ter sido observado ao final do ano de 2017.

É claro que, com a melhoria da conjuntura como um todo, que segue num caminho de retomada, esse setor de atuação tende, também, a acompanhar o otimismo do mercado.

Porém, como os produtos da Duratex são geralmente utilizados na fase final de acabamento das obras, entendemos que deva demorar um certo tempo a mais para que esse segmento, de fato, volte a se consolidar na economia.

É interessante lembrar, ainda, que a Itaúsa detém participação relevante na composição acionária da companhia, possuindo 40% de participação no negócio.

Dessa forma, nossos assinantes que seguem nossas recomendações, indiretamente também possuem uma fatia da Duratex no seu portfólio através dessa holding que, diga-se de passagem, possui uma equipe de gestão muito competente e que entendemos que possa vir a fazer um trabalho a médio-longo prazo interessante na Duratex, no que diz respeito à sua performance e geração de valor para seus acionistas.

Assim sendo, entendemos que se associar diretamente no empreendimento nesse momento através da compra de seu papel DTEX3 não seria uma decisão segura e sólida a se tomar nesse momento e preferimos, por conta disso, seguir de fora da Duratex.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.