Unipar UNIP6

A Unipar Carbocloro comunicou ao mercado que, conforme informações recebidas da Estáter Assessoria Financeira e da Vila Velha – Administração e Participações, as referidas partes resolveram antecipar o término do Acordo de Gestão, por meio do qual a Estáter assumiu temporariamente a gestão da Unipar, para 01 de novembro de 2017, e que até a data em questão seguirão normalmente o processo de transição de gestão já iniciado.

Adicionalmente, a Unipar informou também que concluiu o último desembolso devido por ela no âmbito da operação de desinvestimento da totalidade da sua participação detida no capital social da Tecsis Tecnologia e Sistema Avançados, conforme os termos e condições do instrumento particular de compra e venda de ações e debêntures e outras avenças, celebrado em 28 de agosto de 2017.

Neste sentido, a Unipar integralizou títulos representativos de dívida conversíveis em ações emitidos pela Tecsis, no valor total de R$55 milhões.

Com a conclusão desta etapa da transação, os Títulos de Dívida serão alienados, pelo valor de R$1,00 (um real), à GI Eólica Participações, controlada da Estáter Gestão de Investimentos, de acordo com os termos do contrato.

 

E chega mesmo ao fim a novela envolvendo a Unipar e a suas controladoras no que diz respeito ao recente caso de fechamento de capital da companhia.

Obviamente, não existe nada que impeça o controlador (Vila Velha) de tentar novamente outro pedido de OPA no futuro, porém acreditamos que muito dificilmente os acionistas da companhia – principalmente os dois que detém maiores participações na empresa, Luiz Barsi e o Fundo Verde – aceitem a proposta.

Vale lembrar que a última proposta de OPA da Unipar teve seus preços propostos pela Vila Velha de R$ 2,92 por papel ON, R$ 2,40 por PNA e R$ 2,46 por PNB. É interessante destacar que no fechamento do pregão de ontem, o papel ordinário da companhia – UNIP3 – estava cotado a R$ 12,30.

Com o insucesso da proposta de OPA, é compreensível que a Estáter não tenha mais interesse de participação no negócio, e isso explica o seu anúncio da antecipação de seu desligamento da companhia, a ser realizado no dia 1º do próximo mês (até então estava previsto para acontecer no final do ano).

A Estáter Assessoria Financeira faz parte da gestão da empresa desde agosto de 2016, quando a Unipar recebeu correspondência da sua acionista controladora Vila Velha, informando sobre a decisão de transferir temporariamente para a Estáter a gestão da companhia, com o objetivo de implementar uma reestruturação administrativa e financeira.

Na ocasião, a correspondência informava também que a Estáter permaneceria na gestão por um prazo inicial até 31.12.2017, prorrogável para 30.06.2022, caso fosse concluída, com sucesso, a oferta pública de aquisição das ações de emissão da companhia em circulação no mercado em curso, com o objetivo de cancelar o seu registro de companhia aberta.

Como objetivo de realização da OPA não se concretizou, e tampouco a possibilidade de conclusão se faz remota, o afastamento da Estáter explica-se como um processo natural administrativo.

Já em relação a conclusão do último desembolso devido pela Unipar no âmbito da operação de desinvestimento da totalidade da sua participação detida no capital social da Tecsis, entendemos essa negociação, mesmo considerando esse aporte de capital, não trará efeitos relevantes nos resultados da companhia, visto que a Unipar já havia provisionado eventuais perdas decorrentes de participação acionária nos últimos anos.

A Tecsis e uma empresa que atua na fabricação de pás para os principais fabricantes de turbinas eólicas em todo o mundo, e que atua neste mercado há mais de vinte anos, possuindo em sua carteira de clientes, inclusive, grandes empresas da Europa, Estados Unidos, assim como demandas do mercado Asiático.

Como a Tecsis não vem apresentando resultados satisfatórios, pelo contrário, atravessa no momento uma grave crise financeira, entendemos ser uma decisão acertada a venda da participação da Unipar – que possui 17,79% de participação na empresa – pelo valor, mesmo que simbólico, de um real.

Avaliamos essa notícia como positiva, afinal de contas, os resultados da Companhia vinham sendo inevitavelmente impactados negativamente pela equivalência patrimonial negativa da Tecsis.

Sendo assim, após o efetivo desinvestimento, os resultados da Companhia devem ser impactados positivamente no médio e longo prazo em termos de margem líquida e deverá ser observado algum incremento no ROE.

Ainda, apesar de ter de realizar um aporte para aumento do capital da Tecsis antes de sua alienação, o que de fato impactará sua posição de caixa no curto prazo, a empresa, em contrapartida, deixará de ter de aportar capital no negócio, visto que a frágil situação da Tecsis poderia exigir que a Unipar participasse de chamadas de capital, justamente para cobrir problemas com liquidez, etc.

Na última chamada de capital da Tecsis, os sócios concordaram que a Unipar não necessitaria participar da subscrição, e assim, ser diluída, o que acabou por não impactar o caixa da Unipar na época.

Como a situação ainda é muito adversa para a Tecsis, é possível que no futuro a empresa necessite de um novo aporte e os sócios poderiam não concordar em deixar a Unipar de fora de possíveis emissões futuras, o que exigiria que a Unipar possivelmente aportasse novos recursos na empresa, o que seria uma péssima alocação de capital, visto que a Tecsis não traz retornos positivos.

Com o desinvestimento, esse risco deixa de existir, e a Unipar não tem mais responsabilidade sobre a Tecsis, o que é bastante positivo erepresenta um novo ciclo para a empresa.

Seguimos acompanhando de perto a empresa, que vem apresentando excelentes resultados após o seu turn around, com boa geração de caixa e excelentes pagamentos de dividendos, e acreditamos que sua performance seguirá em alto nível nos próximos anos.

Salientamos nosso compromisso de manter nossos clientes sempre atualizados sobre os principais desdobramentos da companhia e das demais que fazem parte de nossas carteiras recomendadas.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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