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Radar do Mercado: JBS (JBSS3) – Mudanças no conselho não resolvem os problemas

By 23 de outubro de 2017 No Comments

A JBS comunicou, no último dia 20 (sexta-feira) que, em reunião realizada na mesma data, o seu Conselho de Administração elegeu, por unanimidade, quatro novos membros para compor esse órgão, bem como um novo Presidente do Conselho de Administração.

A companhia salientou que, com essas deliberações, o seu conselho será composto por nove membros, com formação e experiência profissional variadas, contando com quatro conselheiros que preenchem os critérios de independência previstos no regulamento do Novo Mercado.

Indicados pelo BNDESPAR, foram eleitos Cledorvino Belini e Roberto Penteado de Camargo Ticoulat. Também foram eleitos Wesley Batista Filho e Jeremiah O’Callaghan.

Adicionalmente aos eleitos na referida reunião, integram ainda o conselho José Batista Sobrinho, Gilberto Meirelles Xandó Baptista, Aguinaldo Gomes Ramos Filho, José Gerardo Grossi e Sérgio Roberto Waldrich.

Foi destacado pela companhia também que os conselheiros que foram substituídos são Tarek Farahat e Norberto Fatio, que apresentaram suas renúncias na mesma reunião, assim como Mauricio Luis Luchetti e Claudia Silva Araujo de Azeredo Santos, cujas renúncias foram comunicadas em 30/08 e 08/09, respectivamente. Tarek Farahat e Norberto Fatio permanecerão em seus cargos nos comitês da companhia.

Ao assumir a presidência do conselho da JBS, Jeremiah O’Callaghan observou: “estou convicto de que o Conselho de Administração, composto por profissionais de variada e ampla experiência e com quatro membros independentes, é um importante marco no fortalecimento da governança corporativa da JBS. Além disso, tenho confiança de que este conselho continuará dando suporte às iniciativas da diretoria da companhia para a prosperidade dos negócios, bem como na promoção de sua relevante função social”.

 

Enxergamos todas essas mudanças no Conselho de Administração da JBS como uma clara tentativa de reestruturação da companhia no que diz respeito à sua performance e também à sua reputação perante ao mercado, que nesse momento se encontra em uma situação bastante debilitada, graças as graves denúncias de corrupção feitas pelo Ministério Público Federal que envolvem os irmãos Batista e políticos de grande influência em Brasília, como o próprio Presidente da República, Michel Temer.

Apesar da visível tentativa da companhia de se reestruturar após os recentes escândalos envolvendo seus controladores, seguimos desinteressados por tempo indeterminado em nos associar ao negócio.

Cabe aqui ressaltar que recentemente foram presos o então Diretor Presidente da JBS, Wesley Batista, em cumprimento ao mandado expedido pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, e seu irmão e um dos donos da JBS, o empresário Joesley Batista, delator da Lava Jato, que havia se entregado à Justiça sob acusação de omitir informações em acordo de delação premiada.

Os dois são suspeitos de terem se aproveitado das consequências da delação feita em 18 de maio por eles mesmos para obter lucros ilegalmente no mercado financeiro.

Não bastasse a repercussão negativa das prisões de seus controladores, o quadro de alavancagem da JBS em nada nos agrada neste momento, isto porque o montante da dívida líquida da companhia ao final do último trimestre encontrava-se no patamar de R$ 50 bilhões (valor este 5,4% maior que o trimestre anterior).

Devido à atual situação comprometedora que se encontra a fabricante de proteínas, entendemos que ficará cada vez mais difícil para a companhia seguir com o seu compromisso de honrar com estes débitos, o que acarretará em vendas de ativos cada vez mais frequentes – recentemente, a JBS anunciou a venda da Moy Park, seguindo com sua estratégia de desinvestimentos – e por conta disso, seguimos de fora da empresa até que os fatos fiquem bem claros em relação as investigações que envolvem seus controladores e as próximas estratégias da gestão em relação à situação comprometedora que se encontra o negócio.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.