A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig – comunicou ontem (25) que se conselho de administração aprovou, na mesma data, encaminhar à Assembleia Geral Extraordinária (AGE) proposta referente à autorização para aumento de capital no valor de até um bilhão mediante a emissão de até 66.849.505 novas ações ordinárias e de até 133.150.495 novas ações preferencias, ao preço de R$5,00 e R$6,57, respectivamente.

Segundo destacou a Cemig no comunicado, “o aumento de capital servirá para robustecer a estrutura de capital e o caixa da companhia, de modo a contribuir para a redução da sua alavancagem financeira. ”

 

Em relação ao referenciado comunicado da estatal mineira, é importante destacar que ainda ontem, um pouco mais cedo, o vice-presidente da Câmara, deputado Fabio Ramalho (PMDB-MG), afirmou que a companhia faria aumento de capital, aliado a uma venda de ativos, para tentar ficar com as usinas de Jaguara e Miranda. Segundo ele, a empresa também aguarda receber uma carta-fiança do Citibank para poder fechar uma proposta financeira pelas hidrelétricas.

Todavia, em esclarecimento feito à Comissão de Valores Imobiliários (CVM) feito também ontem, a Cemig fez questão de não confirmar acordo com o Governo Federal em relação as Usinas de Miranda e Jaguara, destacando que “uma vez não concretizado o acordo, é mera conjectura, pelo que não exigiria divulgação ao mercado”.

Contudo, ainda segundo o deputado, a empresa pediu uma audiência com o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal (STF) hoje (26) para apresentar a proposta. A Advocacia-Geral da União (AGU) também deve participar da reunião, de acordo com ele.

Se conseguir homologar um acordo por uma das duas usinas, a Cemig vai tentar disputar a outra no leilão, marcado para quarta-feira (27). A ideia é tentar arrematar ao menos uma delas por meio da Aliança Energia, empresa que pertence à Vale (55%) e à Cemig (45%).

Entretanto, no mesmo documento que presta esclarecimentos à CVM, a Cemig destacou também que o fato de existir a notícia de que a Vale e a CEMIG estudam participar do leilão das Usinas de São Simão e Volta Grande, por meio da Aliança, “demonstra apenas que as partes avaliam o seu interesse em aderir aos termos do certame e nada mais”.

O acordo proposto pela Cemig prevê ainda que a empresa desista da disputa judicial pelas hidrelétricas, desde que o governo faça o mesmo. O leilão das usinas de Jaguara, Miranda, Volta Grande e São Simão será realizado nesta semana. O governo teria interesse em arrecadar R$ 11 bilhões com a licitação.

Ao que tudo indica, quanto mais se aproxima o dia do leilão que vai vender quatro usinas que lhe pertenciam, a Cemig está tentando de tudo para reaver parte dos ativos, e esse “pedido formal” de mais capital a seus acionistas demonstra bem esse interesse por parte da companhia.

Cabe destacar que a chamada de capital de R$ 1 bilhão da Cemig se fará por meio de emissão de novas ações a R$ 6,57, ou seja, com um desconto de 20% em relação ao fechamento de do pregão de ontem, no qual o papel CMIG4 da estatal fechou o dia cotado a R$ 8,24.

Já o desconto em relação às ordinárias – CMIG3 – será de aproximadamente 40%, isto por que a companhia ofereceu R$ 5,00 por cada papel dessa natureza, e o mesmo fechou o pregão de ontem a R$ 8,29, depois de cair 2% durante o dia.

Entendemos que tais fatos reforçam muito bem nossa opinião por companhias que são controladas pelo governo – a Cemig é controlada majoritariamente pelo Estado de Minas Gerais – isto por que, na grande maioria dos casos, em empresas com essa característica as decisões políticas se sobrepõem em muito em relação à lógica econômica, e quem sai prejudicado perante a toda essa situação é sempre o acionista minoritário, que tem seus interesses deixados sempre em último plano.

Por ser estatal e também por apresentar uma situação de dívida bastante desconfortável nesse momento, preferimos seguir de fora do negócio por tempo indeterminado.

Para um melhor entendimento dos fundamentos da companhia, recomendamos a leitura de nosso relatório de análise gratuito da companhia.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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