A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig – informa ao mercado ontem (28) que abriu, na mesma data, a Sala de Informações – Data Room – com informações e dados sobre o Grupo Light, visando, dessa forma, subsidiar os potenciais investidores na preparação de propostas não-vinculantes.

Entendemos que a Cemig é uma empresa que apresenta muitos desafios, principalmente na sua parte financeira, com consideráveis dívidas de curto prazo, que totalizam pouco mais de R$ 8 bilhões até o final de 2018.

Comparando-se com a atual posição de caixa da companhia, percebe-se que a situação é realmente bastante desafiadora, isso porque o saldo total disponível no final do segundo trimestre deste ano era de pouco mais de R$ 2 bilhões de reais, valor este que corresponde a pouco menos de 4 vezes o montante da dívida que deve ser honrada até o final de 2018.

Não bastasse, mesmo com um aumento de 9,4% na sua receita líquida, e 8,7% no Ebitda no trimestre, ambos em relação ao mesmo período do ano passado, o lucro líquido apresentado no 2T17 registrou uma queda bastante considerável de 31,7%, quando comparada ao 2T16.

Com isso, entendemos que o anúncio do Data Room referente à Light elucidado no fato relevante citado acima demonstra uma estratégia compreensível da companhia em vender ativos para gerar caixa e assim tentar reverter o quadro atual preocupante no qual a mesma se encontra, resultado este que a nosso entender deriva de más estratégias de gestão tomadas no passado.

Por ser uma estatal, com 63% de suas ações ordinárias pertencentes ao setor público –  mais precisamente ao estado Minas Gerais – preferimos ficar de fora e manter nosso posicionamento de não participar de negócios administrados pelo governo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.