Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o varejo brasileiro apresentou alta de 0,5% em julho na comparação com o mesmo período de 2017, descontando a inflação que incide sobre a cesta de setores do varejo ampliado. Em termos nominais, número que reflete o que o varejista de fato observa na receita das suas vendas, o indicador avançou 4,4% na comparação com o ano anterior.

De acordo com o informado, o resultado do mês foi prejudicado pelo calendário. Em relação ao mesmo período do ano passado, julho teve uma terça-feira a mais e um sábado a menos, dia da semana geralmente mais forte para o varejo.

Ajustados a esses impactos, o índice deflacionado apontaria alta de 1,4%, o que representa uma leve aceleração em relação ao observado no mês de junho (1,1%). Já pelo ICVA nominal, no mesmo conceito, o indicador apresentaria alta de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2017, apresentando uma aceleração em relação a junho (4,4%).

Os dois jogos da seleção brasileira ocorridos em julho também tiveram efeito negativo de 1 ponto percentual nas vendas do varejo.

“O ICVA nominal ajustado aos efeitos de calendário manteve a trajetória de retomada que vinha sendo apresentada nos últimos meses. Vale ressaltar que esse resultado foi impulsionado por uma aceleração da inflação, especialmente em alimentos, combustíveis e viagens, o que pode ser observado no ICVA deflacionado”, aponta Gabriel Mariotto, diretor de Inteligência da Cielo.

 

Observando-se o gráfico disponibilizado pela Cielo, é possível concluir que, de fato, o varejo parece apresenta uma conjuntura de alta no último ano.

Contudo, percebe-se que, juntamente com esse reaquecimento varejista, segue acontecendo, também, uma ampliação bastante intensa do nível de concorrência no segmento de atuação da Cielo nos últimos anos.

Essa é uma questão que a Suno Research defende a bastante tempo, e que começou a se mostrar mais perceptível nos últimos trimestres.

Sem dúvidas, a Cielo uma empresa que já apresentou sólidos resultados ao longo de sua história. O que nos preocupa, contudo, é a dúvida em relação ao futuro, não da companhia em si, mas do seu mercado de atuação.

Ao se observar a “fotografia” da empresa, pode-se perceber que ela é, sem dúvidas, uma das campeãs no Brasil, quando o assunto é margem líquida e rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Porém, ao se observar o “filme” da Cielo, observa-se uma deterioração que ainda não foi cessada, muito por conta da grande concorrência que chega de maneira bastante agressiva a este segmento.

Acima podemos ver uma queda bastante acentuada no nível de rentabilidade (ROE) que a companhia vem apresentando nos últimos anos.

Por conta disso, temos pouca visibilidade sobre a rentabilidade futura do negócio da Cielo e, por isso, preferimos ficar de fora da empresa nesse momento.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.