Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Cielo (CIEL3) – Resultados menos expressivos que no passado

A Cielo anunciou ontem (02) os seus resultados do primeiro trimestre do ano de 2018 e, de acordo com seus números, o volume financeiro ex-Agro capturado pela Cielo Brasil apresentou alta de 6,3%, sendo: 10,1% nas transações de crédito e 1,5% nas de débito quando comparados ao 1T17, resultado esse, segundo a companhia, reflexo do melhor desempenho no segmento de Grandes Contas e recuperação, ainda que modesta, da atividade econômica no país.

Por consequência, a sua receita operacional líquida totalizou R$2.784,7 milhões, recuando 0,6% frente ao 1T17.

Segundo o relatado pela empresa, essa queda é, basicamente, explicada pelo aumento dos impostos sobre a receita decorrente da mudança do ISS e da contração registrada em sua receita de aluguel, reflexo da queda vista em seu parque de terminais, bem como pelo efeito de mix de clientes e fraca recuperação do mix de produtos.

Ainda, os gastos totais consolidados foram de R$1.781,8 milhões no trimestre (+3,3% a.a.), reforçando, de fato, o compromisso da Cielo com a sua melhoria de eficiência.

Por consequência, o seu resultado operacional (EBITDA) no período foi de R$1.242,7 milhões com margem de 44,6%, representando, respectivamente, uma redução de 6,0% e 2,6 pp frente ao mesmo período de 2017, ao passo que o seu lucro líquido, pelo critério IFRS, atingiu R$1.007,1 milhões.

No trimestre, porém, a companhia registrou efeitos extraordinários no valor de R$75,1 milhões. Dessa forma, o lucro líquido recorrente totalizou R$932,0 milhões, com margem de 33,5%, representando queda de 7,0% e 2,3pp frente ao 1T17.

É possível perceber que o primeiro trimestre de 2018 não apresentou alteração no comportamento padrão do negócio, que ainda seguem pressionados por um cenário econômico desafiador – mas que demonstrou uma representativa melhora nos últimos meses do ano passado – e competitivo, exigindo da Cielo foco constante na disciplina de suas operações.

Em relação ao endividamento da companhia, pode-se facilmente perceber que, até o final de 2017, houve uma redução gradual e contínua em seu patamar de compromissos desde 2015, quando a sua dívida líquida atingia o montante de pouco mais de R$ 12 bilhões.

No final de 2017, conforme destacado acima, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado foi de 0,7x, patamar este que consideramos bastante saudável e controlado para empresas de qualquer segmento.

Contudo, ao término do 1T18, foi possível perceber que a companhia registrava uma parcela considerável desse montante com vencimento previsto para o curto prazo.

Adicionalmente, a companhia informou que o seu resultado financeiro atingiu R$374,1 milhões no 1T18, registrando queda de 1,2% em comparação ao 1T17. A queda de R$4,3 milhões deve-se, basicamente, aos seguintes fatores:

– Receitas e despesas financeiras: As receitas financeiras somaram R$59,0 milhões, uma queda de 19,3% frente aos números do 1T17, principalmente em face dos menores retornos obtidos no mercado (menor taxa DI). As despesas financeiras, por sua vez, atingiram R$128,3 milhões, recuando 59,0% em comparação ao 1T17 por conta da menor taxa média DI, bem como pela redução do endividamento da companhia;

– Aquisição de recebíveis líquido (ARV): A aquisição de recebíveis, antes do custo de capital próprio e de terceiros, líquida dos tributos, realizada pelos FIDCs, reduziu R$156,9 milhões ou 25,3% em relação ao 1T17. A redução deveu-se, basicamente, a queda da taxa média DI, aumento da concentração no segmento Grandes Contas, redução das taxas cobradas e migração para o produto Receba Rápido.

No mais, a Cielo é, sem dúvidas, uma empresa que já apresentou e segue mantendo sólidos resultados ao longo de sua história.

O que nos preocupa, contudo, é a dúvida em relação ao futuro, não da companhia em si, mas do seu mercado de atuação.

Por ser uma empresa prestadora de serviços de adquirência e meios de pagamento via cartões, a mesma está submetido à um mercado que se encontra em constante crescimento, o que acarreta uma competição acirrada entre as empresas atuantes no segmento.

Relatos de comerciantes que são abordados por concorrentes que oferecem os mesmos serviços que a Cielo, porém pela metade do preço, são frequentes.

Muitas vezes a Cielo acaba por ter que diminuir o seu preço para poder realizar uma venda, o que acarreta em reduções consideráveis de suas margens.

Por isso, entendemos ser bastante difícil se obter sucesso investindo-se em um setor que apresenta uma competição de preço bastante acirrada, como podemos ver neste mercado.

Ao se observar a “fotografia” da empresa, pode-se perceber que ela é, sem dúvidas, uma das campeãs no Brasil, quando o assunto é margem líquida e rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Porém, ao se observar o “filme” da Cielo, observa-se uma deterioração que ainda não foi cessada, muito por conta da grande concorrência que chega de maneira bastante agressiva a este segmento.

Fonte: Economatica – Suno Research

Acima podemos ver uma queda bastante acentuada no nível de rentabilidade (ROE) que a companhia vem apresentando nos últimos anos.

Por conta disso, temos pouca visibilidade sobre a rentabilidade futura do negócio da Cielo e, por isso, preferimos ficar de fora da empresa nesse momento.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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