Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Cielo (CIEL3) – Resultado positivo é sustentável?

A Cielo anunciou ontem (01) os seus resultados do quarto trimestre e do ano de 2017 e, de acordo com seus números, o volume financeiro de transações da Cielo Brasil – sem considerar o produto Agro – totalizou R$169,2 bilhões, o que representa um aumento de 8,7% em relação ao 4T16 e de 9,2% em relação ao 3T17.

Por consequência, a receita operacional líquida totalizou R$ 3.037,2 bilhões (queda de 2,7% em relação ao 4T16 e aumento de 3,6% em relação ao 3T17); um Ebitda de R$1,37 bilhão, 1,3% inferior ao 4T16 e aumento de 6,2% em relação ao 3T17, com margem Ebitda de 45,4%, representando um crescimento de 0,6 ponto percentual em comparação com o 4T16 e de 1,1 ponto percentual em comparação ao 3T17; e um lucro líquido ajustado que totalizou R$1.110,4 milhões no trimestre, superior em 2,9% quando comparado ao mesmo período de 2016 e 2,4% em relação ao 3T17.

É possível perceber que o quarto trimestre de 2017 não apresentou alteração no comportamento padrão do negócio, que ainda seguem pressionados por um cenário econômico desafiador – mas que demonstrou uma representativa melhora nos últimos meses do ano passado – e competitivo, exigindo da Cielo foco constante na disciplina de suas operações.

Em relação ao endividamento da companhia, pode-se facilmente perceber que existe uma redução gradual e contínua em seu patamar de compromissos desde 2015, quando a sua dívida líquida atingia o montante de pouco mais de R$ 12 bilhões.

O final de 2017, conforme acima, a relação dívida líquida/Ebitda ajustado foi de 0,7x, patamar este que consideramos bastante saudável e controlado para empresas de qualquer segmento.

Adicionalmente, a companhia informou que o seu conselho de administração aprovou a distribuição do saldo dos lucros remanescentes do exercício social do quarto trimestre de 2017, perfazendo a distribuição total de 73,8% do resultado auferido no exercício, após a constituição da reserva legal, em montante equivalente a 5% do lucro líquido da companhia, limitado a 20% do seu capital social.

Tais dividendos serão distribuídos no montante total de R$1.058.784.633,29, sendo que não farão jus aos dividendos as ações mantidas em tesouraria.

O valor por ação será de R$ 0,39 e serão pagos aos acionistas no próximo dia 29 de março com base na posição acionária do dia 14 do mesmo mês, sendo as ações da companhia negociadas “ex direitos” a partir de 15 de março.

“O referido valor a ser pago por ação é estimado e poderá sofrer alterações em razão de negociações com ações em tesouraria pela companhia, incluindo alienações para o cumprimento do programa de opções e ações restritas da companhia”, ressaltou a Cielo.

A Cielo é, sem dúvidas, uma empresa que já apresentou e segue mantendo sólidos resultados ao longo de sua história.

O que nos preocupa, contudo, é a dúvida em relação ao futuro, não da companhia em si, mas do seu mercado de atuação.

Por ser uma empresa prestadora de serviços de adquirência e meios de pagamento via cartões, a mesma está submetido à um mercado que se encontra em constante crescimento, o que acarreta uma competição acirrada entre as empresas atuantes no segmento.

Relatos de comerciantes que são abordados por concorrentes que oferecem os mesmos serviços que a Cielo, porém pela metade do preço, são frequentes.

Muitas vezes a Cielo acaba por ter que diminuir o seu preço para poder realizar uma venda, o que acarreta em reduções consideráveis de suas margens.

Por isso, entendemos ser bastante difícil se obter sucesso investindo-se em um setor que apresenta uma competição de preço bastante acirrada, como podemos ver neste mercado.

Ao se observar a “fotografia” da empresa, pode-se perceber que ela é, sem dúvidas, uma das campeãs no Brasil, quando o assunto é margem líquida e rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Porém, ao se observar o “filme” da Cielo, observa-se uma deterioração que ainda não foi cessada, muito por conta da grande concorrência que chega de maneira bastante agressiva a este segmento.

Acima podemos ver uma queda bastante acentuada no nível de rentabilidade (ROE) que a companhia vem apresentando nos últimos anos.

Por conta disso, temos pouca visibilidade sobre a rentabilidade futura do negócio da Cielo e, por isso, preferimos ficar de fora da empresa nesse momento.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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