Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Cielo (CIEL3) – o pior momento econômico ficou para trás

Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), a receita de vendas do comércio varejista brasileiro apresentou uma alta de 1,1% em dezembro de 2017 em comparação com o mesmo período do ano passado após descontada a inflação aplicada aos setores do varejo ampliado.

“Importante observar que em novembro aconteceu a Black Friday, que ainda tem um caráter de novidade, ou seja, cresce mais que o ritmo normal do varejo, mesmo comparando com o mesmo período de 2016. Se observarmos os meses anteriores a novembro, o varejo em dezembro apresentou um ritmo mais alto”, comenta Gabriel Mariotto, diretor de Inteligência da Cielo.

Em termos nominais, o indicador mostra resultados na mesma direção: alta de 2,0% em dezembro na comparação com um ano antes, enquanto novembro havia apontado 3,0%. Descontados os efeitos de calendário que impactaram o mês, o índice também mostra desaceleração na passagem de novembro para dezembro.

 

A Cielo é, sem dúvidas, uma empresa que já apresentou e ainda apresenta sólidos resultados ao longo de sua história e esses fatores reforçam a nossa opinião de que a sua gestão é bastante competente e eficiente no que se propõe a fazer, principalmente no que diz respeito à geração de valor para seus acionistas.

Ainda, o fato ICVA levantado pela companhia demonstrar um visível reaquecimento da economia – principalmente no varejo, o ponto chave de atuação da Cielo – demonstra que, possivelmente, um horizonte de melhorias operacionais pode se concretizar para a empresa no médio prazo.

Ainda, o fato da companhia pertencer ao segmento do Novo Mercado – mais elevado padrão de governança corporativa da bolsa de valores – reforça também um compromisso de transparência frente ao acionista minoritário, o que não deixa de ser, em nossa visão, uma questão que contribui para a operação de negócios da companhia, no que diz respeito a seu modelo de governança corporativa.

O que nos preocupa, contudo, é a dúvida em relação ao futuro, não da companhia em si, mas do seu mercado de atuação.

Casos de empresas ainda menores e que oferecem os mesmos serviços prestados pela Cielo, porém a preços muito menores, são cada vez mais frequentes de serem observados.

Isso não significa que, de fato, a Cielo venha a perder os seus clientes, mas, sem dúvida, nesse cenário, forçosamente as suas margens tendem a serem muito reduzidas.

Esse é um tipo de situação que conseguimos visualizar, também, no setor de varejo, porém numa circunstância diferente, isto por que, nesse caso, a maior ameaça não se faz pelas empresas menores, mas sim pela gigante do setor – a Amazon – que quebrou todos os paradigmas e vem revolucionando a maneira de atender e otimizar a experiência de seus clientes onde atua.

São situações diferentes, mas que demonstram uma realidade já bastante consolidada.

Os setores e as empresas estão mudando muito rápido e, nessa conjuntura, se adaptar é uma extrema necessidade.

Esse é um comportamento que a Cielo precisa desenvolver o quanto antes, caso contrário, a tendência é que suas margens se tornem cada vez menores e, com isso, seus resultados operacionais tendam a continuar a seguir com sua trajetória de declínio.

Neste sentido, vale ressaltar que, ao se observar a “fotografia” da empresa, pode-se perceber que ela já foi, sem dúvidas, uma das campeãs no Brasil, quando o assunto é margem líquida e rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Porém, ao se observar o “filme” da Cielo, observa-se uma deterioração que ainda não foi cessada, muito por conta, como já mencionado anteriormente, da grande concorrência que chega de maneira bastante agressiva a este segmento.

No que diz respeito a seus resultados trimestrais do terceiro quarto do ano, a companhia demonstrou um Ebitda 6,1% inferior ao 3T16 e, apesar do aumento de 1,4% em relação ao 2T17, a sua margem Ebitda foi de 44,3%, queda de 0,8 ponto percentual em comparação com o 3T16 e de 0,9 ponto percentual em comparação com o 2T17.

Ainda sobre seus números trimestrais, em relação a seu lucro líquido, houve um aumento de 1,8% em relação ao 3T16 e de 2,8% em relação ao 2T17, porém, tudo indica que esses aumentos tendam a se tornarem cada vez mais apertados no decorrer do tempo, caso a companhia não apresente fortes vantagens competitivas ao mercado no curto prazo.

Obviamente que é preciso se analisar, nesta altura, os resultados do quarto trimestre do ano passado, que devem estar disponibilizados ao mercado nas próximas semanas.

Ademais, diante de toda essa conjuntura, entendemos que a Cielo é uma companhia que acreditamos que possa vir a ser insustentável no médio/longo prazo, por isso, preferimos ficar de fora do case.

Ainda, temos pouca visibilidade sobre a rentabilidade futura do negócio da companhia e, por isso, não indicamos participação no empreendimento neste momento.

Sabemos que existem muitas divergências a respeito dessa companhia, e que muitos investidores analisam a Cielo de maneira incompatível com a nossa.

Porém, é preciso sempre lembrar que carregamos a enorme responsabilidade de carregamos conosco a confiança depositada em nossas indicações por parte de nossos assinantes – o que, sem dúvidas, zelamos com bastante compromisso e respeito – e, por conta disso, não nos sentimos no direito de indicar um ativo sobre o qual não enxergamos com clareza como serão os seus próximos anos no que diz respeito à sua geração de valor operacional.

Entendemos e respeitamos, como sempre, a opinião de investidores que pensam diferente de nós em relação à Cielo ou a qualquer outro ativo, contudo, pelo peso do compromisso que temos perante nossos assinantes, achamos mais prudente seguir de fora da companhia nesse momento.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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