Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Cielo (CIEL3) – Condições para aquisição da Stelo são cumpridas

A Cielo comunicou ontem (10) a seus acionistas e aos demais interessados que no último dia 6 de setembro foram cumpridas todas as condições precedentes às quais a aquisição de participação na Stelo S.A. pela Aliança Pagamentos e Participações Ltda., sociedade controlada da Cielo, estava sujeita.

No mesmo comunicado, a companhia ressaltou que a operação deverá ser concluída dentro de cinco dias úteis a contar do último dia 6, ocasião na qual a Cielo informará aos seus acionistas o valor final da operação – considerando a atualização do preço de aquisição de R$87,5 milhões estabelecidos entre as partes. Com a conclusão da operação, a participação da Cielo no capital social da Stelo passará de 30% para 100%.

A companhia encerrou o seu comunicado afirmando que manterá seus acionistas e o mercado informados sobre os assuntos referentes a tal operação.

 

No que tange o comunicado acima feito pela Cielo, é interessante destacar que a operação foi realizada por meio da Aliança Pagamentos e Participações, controlada da Cielo e, neste sentido, vale destacar que tal participação acionária adquirida pela Aliança era detida pela Companhia Brasileira de Soluções e Serviços (Alelo) que é, por sua vez, controlada por Banco do Brasil e Banco Bradesco.

“Em linha com o nosso objetivo de diversificar a oferta de soluções e serviços, a aquisição da Stelo nos permitirá explorar novas iniciativas comerciais, como a venda de terminais de captura, por meio de uma marca própria e de uma estrutura independente. Com isso, acreditamos que aprimoraremos nossa estratégia comercial a fim de atender as mais variadas demandas de nossos clientes”, ressaltou a companhia na época em que anunciou o início da operação, em meados de janeiro desse ano.

No mais, é interessante observar a movimentação estrutural da Cielo frente a sua atual realidade operacional.

Como destacamos a tempos, a concorrência acirrada do seu segmento de atuação obriga a companhia a reduzir em muito as suas margens e, por consequência, a sua rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE).

Prova disso pode ser vista no gráfico abaixo, que representa a deterioração bastante relevante do seu ROE nos últimos anos.

Em relação a operação, em si, Geraldo Samor, do portal Brazil Journal, escreveu uma matéria bastante relevante acerca do assunto na ocasião do anúncio, em janeiro.

Segundo o relatado, a transação permitirá que a Cielo ataque o mercado de microempreendedores individuais (MEIs), que tem garantido altas taxas de crescimento a outras empresas do segmento.

Atualmente, o Brasil tem cerca de 8,7 milhões de MEIs ativos, mas, de acordo com o Banco Central, apenas 19% possuem conta bancária.

Dito isso, pode-se entender que a referida aquisição faz sentido em termos operacionais, haja vista que, normalmente, um grande adquirente como a Cielo tem dificuldade em atender estes clientes, mas a Stelo teria sistemas e processos para isso.

Ainda, a transação permitirá, em tese, que a Cielo — que tipicamente aluga maquininhas para comerciantes — passe também a vender as maquininhas com outra marca e estrutura independente.

Ainda em relação a compra, a Cielo, que já era dona de 30% da Stelo, está pagando R$ 87,5 milhões pelos 70% restantes, que estavam nas mãos da Alelo. (As empresas fazem parte do Grupo Elopar, que tem como sócios o Banco do Brasil e o Bradesco.)

É interessante mencionar ainda que, com a retomada da economia, que começou a mostrar sinais mais claros de reaquecimento ao final de 2017, o varejo, em si, tende a reagir de maneira satisfatória.

Isso, por consequência, pode contribuir para que o desempenho da Cielo apresente uma recuperação interessante.

Contudo, sabemos que, nesse cenário, a atuação da concorrência tende a também se ampliar quase que na mesma proporção da recuperação econômica.

Como a Cielo lidará com essa realidade?

Não sabemos.

Aquisições – como essa informada no dia de ontem – podem ser uma alternativa.

Mas até que ponto a companhia conseguirá comprar os concorrentes, que a cada dia parecem se tornar representativos?

Realmente o futuro da Cielo, em nossa visão, se apresenta bastante incerto.

Muitas pessoas discordam de nosso posicionamento no case, sabemos disso e respeitamos.

Contudo, numa conjuntura dessa natureza, o que achamos mais prudente é esperar de fora o desencadeamento dos próximos passos da empresa no sentido de seu manuseio concorrencial.

Assim sendo, seguimos de fora da Cielo.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

Nenhum comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia Mais...
Outras Seções

Ações

181 artigos
Ações

FIIs

48 artigos
FIIs
navigation

Conteúdo Gratuito

Radar do
Mercado

Os principais fatos relevantes do mercado, comentados no seu e-mail diariamente