A Camil Alimentos comunicou ontem (03) aos seus acionistas e ao mercado em geral que concluiu, na mesma data, a aquisição da totalidade do capital social da SLC Alimentos Ltda.

Segundo o informado, a parcela do preço de aquisição equivalente a R$140.000.000,00 devida nesta data pela totalidade do capital social da SLC Alimentos foi paga pela Camil, conforme termos e condições constantes do contrato de compra e venda da operação.

 

No que tange o informativo acima, vale adicionar que a SLC Alimentos atua em âmbito nacional na industrialização e comercialização de arroz, feijão e lentilha, além de exportar para mais de 20 países, com destaque para a marca “Namorado” no mercado de arroz e feijão no país.

O faturamento líquido da SLC Alimentos atingiu R$512 milhões e EBITDA de R$32 milhões em 31 de dezembro de 2017.

Adicionalmente, o preço de aquisição da totalidade do capital social da SLC Alimentos a ser pago pela Camil é de R$180 milhões, e a Camil assumirá o endividamento da SLC Alimentos da ordem de R$128 milhões em 31 de dezembro de 2017.

“A operação não atende aos requisitos do artigo 256 da Lei das Sociedades por Ações e, portanto, não se sujeita à aprovação dos acionistas em assembleia geral da Camil”, destacou a companhia em ocasiões anteriores.

Ainda, a aquisição vem ao encontro dos objetivos estratégicos da companhia de aquisições de marcas e ativos no setor de alimentos na América do Sul.

A Camil possui um histórico consistente de crescimento e ampliação de participação de mercado por meio de aquisições.

“Essa mais recente aquisição consiste em um passo importante para a consolidação do mercado brasileiro de grãos, representando uma oportunidade de crescimento nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, bem como adiciona ao portfólio da companhia marcas com relevância de mercado aumentando a competitividade no segmento ocupação”, complementou.

Geraldo Samor, do Brazil Journal, escreveu uma matéria bastante esclarecedora sobre a operação em meados de outubro, quando a aquisição havia sido divulgada de maneira inicial, e sugerimos a leitura da mesma para aqueles que desejarem entender melhor a transação. Para acessá-la, basta clicar aqui.

No mais, vale ressaltar que, além do fato de ser muito nova no mercado como uma companhia aberta, a Camil recebeu, no início do mês de outubro do ano passado, um auto de infração da Receita Federal, no valor de R$ 270,12 milhões, por suposta redução na base de cálculo de impostos gerado na incorporação de quatro empresas.

Na ocasião, a Receita Federal questionou a amortização nos exercícios 2011 a 2015 do ágio gerado pelas incorporações das empresas Femepe, Canadá, GIF Codajas e Docelar, entre 2011 e 2012.

Seguindo um dos critérios de Décio Bazin em sua obra Faça Fortuna com Ações, preferimos, com isso, seguir acompanhando de fora o desenrolar desse fato, o qual julgamos ser bastante incomum para uma companhia aberta a pouquíssimo tempo no mercado.

Compartilhe a sua opinião
Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.