A B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – divulgou ontem (16) os seus números referentes ao último mês de outubro.

Os destaques ficaram para o volume financeiro médio diário total do segmento Bovespa, que atingiu R$ 10,2 bilhões (aumento de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado), e o número de investidores ativos, que aumentou 9,4% em relação a outubro de 2016, passando de 577 para 631 mil.

 

Entendemos que a B3 é uma empresa que pode ser muito beneficiada com a atual queda da taxa de juros no Brasil, visto que essa queda induz muitos investidores a migrarem da renda fixa para a variável, o que pode ocasionar uma dinâmica positiva de oferta e demanda nas transações operacionais da companhia.

O aumento do número de investidores ativos, noticiado acima pela própria B3, além dos aumentos graduais e históricos do índice Ibovespa nas últimas semanas, reforçam ainda mais essa tese que o mercado de renda variável irá continuar seguindo uma sequência de alta em suas negociações no médio prazo.

Como sendo simpatizantes do Value Investing, tendemos a julgar toda essa tendência de alta no mercado de ações, por mais contraditório que possa parecer, um tanto quanto “insatisfatória”, isto por que, como consequência de toda essa euforia, é muito provável que as oportunidades de investimentos com boas margens de segurança se tornem cada vez mais escassas.

Entretanto, vale lembrar que o Brasil é um país de alta volatilidade no mercado, e basta que uma notícia bombástica em Brasília surja (o que sabemos que pode acontecer a qualquer momento com a Operação Lava-Jato nas ruas) para que os preços desabem e os investidores de valor saiam as compras.

Voltando aos números divulgados pela companhia, vale ressaltar que a empresa adquiriu uma dívida natural para a aquisição dos ativos da Cetip, mas que, conforme a mesma for sendo “digerida”, a B3 – que tem potencial para ser uma excelente empresa em termos de geração de caixa – possa em algum momento vir a converter essa geração de caixa em dividendos para seus acionistas.

Enxergamos ainda que a companhia atua praticamente como um “monopólio” no mercado de capitais no Brasil, cobrando taxas de corretagens e demais ônus as quais consideramos não serem baratas quando comparadas com a média mundial.

Por conta disso tudo, gostamos muito do ativo, porém preferimos aguardar uma queda nos seus preços para poder indicá-la num valuation mais confortável a nossos assinantes.

Para uma compreensão mais aprofundada da companhia, sugerimos a leitura do relatório que fizemos da empresa e disponibilizamos de maneira gratuita a nossos seguidores.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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