A BB Seguridade Participações comunicou na última sexta-feira (30) ao mercado que, na mesma data, foram concluídos todos os movimentos societários necessários à reestruturação da parceria mantida entre BB Seguros Participações e a MAPFRE Brasil Participações.

Segundo o informado, e conforme previsto no acordo de reestruturação de parceria, do valor total de R$2,4 bilhões que seria pago pela MAPFRE à BB Seguros, foram deduzidos os dividendos e juros sobre o capital próprio distribuídos, bem como as reduções de capital realizadas pelas seguradoras envolvidas na reestruturação.

 

Ainda no que tange o comunicado acima, vale acrescentar que, com base neste ajuste, a BB Seguros recebeu da MAPFRE, na data do fechamento da operação, o montante de R$2,3 bilhões.

Vale acrescentar, também, que como consequência da reestruturação, resultou-se a seguinte configuração:

Adicionalmente, a operação resultará, após a dedução das despesas relacionadas aos assessores financeiros da operação e a incidência de tributos, em uma liberação de capital estimada em R$2,1 bilhões, montante esse que será objeto de deliberação pelo Conselho de Administração da BB Seguridade para distribuição aos acionistas, segundo informou a companhia.

No entanto, o valor pode sofrer alteração com base no montante de tributos efetivamente apurado após o fechamento do balancete de novembro de 2018.

Estima-se que a operação apresente um impacto negativo aproximado de R$79 milhões no lucro líquido do 4T18 da BB Seguridade, decorrente de efeitos fiscais e das despesas com os assessores financeiros da operação.

Contudo, considerando o caráter não recorrente do evento, tal perda deverá ser classificada como item extraordinário para fins de apuração do lucro líquido ajustado do exercício.

Cabe ressaltar que a estimativa foi realizada tendo como base o balancete fechado do mês de outubro de 2018, podendo sofrer alterações até a publicação das demonstrações financeiras auditadas do exercício.

No mais, avaliamos como positiva a notícia em relação a tal operação feita pela BB Seguridade, haja vista que o movimento conclui um esforço da companhia para se desvencilhar de áreas de negócios como seguro automotivo e grandes riscos, que têm tido receitas abaixo do esperado e demandado grandes somas de capital, num momento em que as receitas financeiras cadentes, pressionando ainda mais o lucro do grupo.

Fica a sensação de que a BB Seguridade tenderá a se atentar a uma estratégia de foco maior no canal bancário, e aumentar a sua rentabilidade, dado que a SH2, conforme observado em seus números, é uma operação bem “problemática” para a companhia.

Diante de tal operação, o grupo Mapfre manterá a exclusividade na venda dos seguros de automóvel e de grandes riscos no canal bancário do BB. A Mapfre também leva a Brasilveículos, negócio cujo valor poderá sofrer ajustes até 2031, com base em métricas de desempenho, conforme destacado anteriormente.

Por fim, no contexto de tal operação, tal informação, em nossa visão, pode ser interpretada como uma boa notícia por parte da empresa, isto por que, de maneira direta, demonstra que a companhia está empenhada em agregar e gerar ainda mais valor a seus acionistas por meio dessa operação estratégica operacional.

Isso pode, de certo modo, gerar consequências bastante interessantes para os minoritários, como um aumento, no médio prazo, de dividendos por ação a serem recebidos, por exemplo, que, inclusive, apresentam um aumento histórico de volumes pagos interessantes no caso da BB Seguridade.

Dessa forma, o referido comunicado da companhia reforça nossa convicção de que a empresa continuará apresentando resultados sólidos e consistentes ao longo do tempo, além de firmar o seu compromisso com o respeito e transparência frente aos acionistas minoritários.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.