O Banco Bradesco, em resposta a um ofício emitido pela Comissão de Valores Mobiliários que solicitava manifestação da companhia sobre notícia veiculada no último dia 08 de junho no jornal “O Estado de São Paulo”, sob o título “Receita vê ‘omissões’ de bancos na Lava Jato”,  esclareceu ontem (12) ao mercado o que, em 2010, realizou uma operação de câmbio com uma das empresas mencionadas na Notícia, “em valor de baixa expressão econômica e no curso normal de seus negócios, observando a legislação em vigor”.

No mesmo comunicado, o banco salientou que não tem conhecimento de qualquer processo administrativo instaurado pelo Banco Central do Brasil – BACEN – para examinar sua atuação quanto à referida operação de câmbio.

“Diante do acima, e nos termos da legislação aplicável (…) o Bradesco entende que o conteúdo da Notícia não constitui fato relevante para a companhia, pois não tem o condão de influenciar a cotação dos valores mobiliários de sua emissão e tampouco a decisão dos investidores de comprá-los ou vendê-los”, ressaltou a instituição em seu comunicado.

 

No que tange o esclarecimento acima destacado e feito pelo Bradesco, é importante destacar que o mesmo se trata do conteúdo de uma notícia veiculada no último dia 08, no jornal O Estado de São Paulo, sob o título “Receita vê “omissões” de bancos na Lava Jato”, em que constam, dentre outras, as seguintes afirmações:

“A Receita Federal encontrou indícios que apontam para a responsabilidade de instituições financeiras em crimes investigados na Lava Jato. A informação consta em balanço produzido pelo Fisco sobre sua atuação na operação. O documento cita cinco tipos de omissões por parte de bancos e corretoras de valores relacionados a contratos de câmbio utilizados para lavagem e envio de dinheiro desviado da Petrobrás ao exterior”.

Em outro trecho da notícia, é informado o segue: “O Estado teve acesso às planilhas da Lava Jato que mostram os contratos de câmbio fraudulentos das empresas dos doleiros. Elas informam datas, valores e instituição financeira responsável. As principais empresas utilizadas são a Labogen Química Fina e Biotecnologia, Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen, Hmar Consultoria em Informática, Piroquímica Comercial, Bosred Serviços de Informática. Essas empresas movimentaram cerca de US$ 200 milhões em contratos de câmbio fraudulentos por meio de bancos como Sofisa, Bradesco, Citibank e Rendimento e corretoras como a Pionner e TOV.”

“Em relação ao núcleo das operadoras de câmbio fraudulento, há indícios de responsabilidade também por partes das instituições financeiras no envio de recursos para o exterior, por meio da celebração de contratos de câmbio fraudulento”, dizia o balanço da Receita.

Logo em seguida, a reportagem destaca que, “para o Fisco, os bancos não foram “diligentes” na adoção de políticas, procedimentos e controles internos que poderiam evitar a lavagem de dinheiro por parte dessas empresas. No entendimento dos auditores da Receita, se as instituições tivessem atuado de forma ‘compatível com seu porte e volume de operações’, dificilmente ocorreria a remessa ilícita de divisas ao exterior pelo sistema financeiro”.

Para obter o conteúdo da matéria jornalística completa, basta acessar a nota esclarecedora do Bradesco enviada ao mercado ontem.

No mais, mesmo diante de tal conjuntura, seguimos com nosso posicionamento e opinião junto ao Bradesco, e dessa maneira continuamos avaliando essa companhia, e também o segmento bancário no Brasil como um todo, como um empreendimento que apresenta um dos ambientes mais rentáveis do planeta, e muitos fatores indicam que esse cenário extremamente abundante tende a se ampliar nos próximos trimestres.

De fato, tais condições corroboram para uma visão prospectiva benigna do Bradesco em relação aos segmentos que atua.

Dessa maneira, entendemos que tal notícia, aliada ao fato de o país estar atravessando um momento bastante desafiador no contexto político e econômico, possa vir a apresentar uma boa oportunidade de entrada no ativo BBDC4 a preços descontados e que proporcionem uma boa margem de segurança aos investidores no âmbito de um investimento de longo prazo.

Assim sendo, seguiremos observando de perto a movimentação dos preços desse ativo que, historicamente, apresenta uma alta taxa de retorno e geração de valor para seus acionistas ao longo dos anos.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.