Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: B3 (B3SA3) – Número de investidores ativos segue crescendo no Brasil

A B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – divulgou ontem (11) os seus números e destaques operacionais referentes ao último mês de maio.

De acordo com o informado, os destaques ficaram para o volume financeiro médio diário total do segmento Bovespa, que atingiu R$ 14,1 bilhões (aumento de 48,3% em relação ao mesmo período do ano passado), e o número de investidores ativos, que aumentou 14,9% em relação a abril de 2017, passando de 610 mil para 701,8 mil.

Além disso, o volume médio diário de operações também cresceu em expressivos 52,6% frente a maio de 2017, passando de R$ 3,3 milhões para R$ 5 milhões.

 

Entendemos que a B3 é uma empresa que pode ser muito beneficiada com o atual patamar da taxa de juros no Brasil, visto que esse nível induz muitos investidores a migrarem da renda fixa para a variável, o que pode ocasionar uma dinâmica positiva de oferta e demanda nas transações operacionais da companhia.

O aumento do número de investidores ativos, noticiado acima pela própria B3, reforça ainda mais essa tese que o mercado de renda variável irá continuar seguindo uma sequência de alta em suas negociações no médio prazo.

Como sendo simpatizantes do Value Investing, somos tentados a julgar toda essa movimentação de baixa no mercado de ações percebida nas últimas semanas, por mais contraditório que possa parecer, um tanto quanto “positiva”, isto por que, como consequência de todo esse pessimismo, é muito provável que as oportunidades de investimentos com boas margens de segurança se tornem cada vez mais visíveis.

Isso reforça nosso entendimento de que o Brasil é um país de alta volatilidade no mercado, e basta que uma notícia bombástica em Brasília surja (o que sabemos que pode acontecer a qualquer momento com a Operação Lava-Jato nas ruas) para que os preços desabem e os investidores de valor saiam as compras.

Voltando aos números divulgados pela companhia, vale ressaltar que a empresa adquiriu uma dívida natural para a aquisição dos ativos da Cetip, mas que, conforme a mesma for sendo “digerida”, a B3 – que tem potencial para ser uma excelente empresa em termos de geração de caixa – possa em algum momento vir a converter essa geração de caixa em dividendos para seus acionistas.

Nessa conjuntura, no final do 1T18, a dívida bruta da empresa era de R$5.667,9 milhões (71,6% de longo prazo e 28,4% de curto prazo), o que corresponde a 2,0x o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses.

É importante lembrar que a posição de dívida bruta inclui o principal da dívida mais juros acumulados, assim como o valor líquido da posição em instrumentos financeiros derivativos.

Os principais vencimentos são: R$1,5 bilhões em dez/18, R$1,5 bilhões em dez/19 e R$2,0 bilhões (USD612 milhões) em jul/20.

Desde mar/18, os bonds que vencem em 2020 no valor de USD612 milhões estão totalmente protegidos por hedge para o principal da dívida mais juros.

Ainda, o resultado financeiro da B3 ficou negativo em R$22,5 milhões no 1T18. A comparação anual foi impactada principalmente pelo fato de que no 1T17 a companhia mantinha posição de caixa maior e a taxa de juro era significativamente maior.

Neste parâmetro, as suas receitas financeiras somaram R$119,2 milhões, queda de 75,0% sobre o 1T17, explicada, principalmente, pela redução do caixa médio (em abr/17, foram pagos R$8,4 bilhões aos ex-acionistas da Cetip) e queda da taxa de juro.

Já as despesas financeiras somaram R$141,7 milhões, queda de 49,0% em relação ao 1T17, explicada, sobretudo, pelo efeito positivo da: redução do endividamento (principalmente, vencimento de debênture de R$500 milhões em set/17); e pela queda na taxa de juros que incide sobre a dívida da companhia.

Diante disso, o lucro líquido da B3, no primeiro trimestre do ano atingiu R$314,7 milhões, alta de 50,6% frente ao 1T17, refletindo o aumento das receitas, redução de despesas não recorrentes e impacto das sinergias de despesas já capturadas.

Excluindo-se os itens não recorrentes, o lucro líquido teria atingido R$448,2 milhões no 1T18, queda de 15,0% sobre o 1T17, impactada, principalmente, pela redução do resultado financeiro da companhia.

Adicionalmente, se ajustado pelo benefício fiscal resultante da amortização do ágio relativo à incorporação da Cetip, o lucro líquido teria totalizado R$567,8 milhões.

Ainda em relação a seus números, é possível observar, também, uma quantidade crescente – mês a mês – do número de investidores ativos, que fechou o mês de março no patamar dos 701.855.

Sonhamos com que esse número ultrapasse a barreira do primeiro milhão em breve, e essa é uma das missões da Suno Research, a promoção do mercado de capitais como uma fascinante ferramenta que impulsiona o desenvolvimento da humanidade.

Ademais, em nossa avaliação, as recentes quedas que as ações da companhia vêm apresentando podem vir a oferecer uma oportunidade interessante para o investidor se associar a uma ótima empresa como a B3, que é uma companhia monopolista, gera muito caixa e cresce pagando bons dividendos.

A estimativa é que, para os próximos anos, conforme a empresa se desalavanque, a sua geração de caixa livre seja fortemente beneficiada, o que deverá possibilitar à B3 pagar ótimos dividendos para seus acionistas.

Além do mais, vemos um grande potencial de crescimento para a empresa no longo prazo, que deverá se beneficiar do mercado ainda subpenetrado que atua e da crescente educação financeira e interesse por investimentos por parte dos investidores.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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