A B3 – Brasil, Bolsa, Balcão – comunicou ontem (07) que concluiu a aquisição da participação de 75% na BLK Sistemas Financeiros Ltda., após o atendimento de todas as condições precedentes.

“Essa aquisição reforça a estratégia da B3 de expandir seu portfólio de produtos e assim estreitar o relacionamento e oferecer soluções mais completas para seus clientes”, salientou a B3 em seu comunicado.

 

No que tange o comunicado acima, é cabível acrescentar que, ainda segundo o informado pela companhia, a transação também inclui opções de compra (pela B3) e venda (pelo sócio fundador da BLK, que permanecerá como executivo responsável pela operação) dos demais 25% do capital, a serem exercidas a partir de dezembro de 2023.

Adicionalmente, vale adicionar que, fundada em 2008, a BLK é uma empresa de tecnologia especializada no desenvolvimento de telas e algoritmos de negociação para corretoras e investidores institucionais, sendo uma das líderes entre empresas especializadas em electronic & algorithmic trading no Brasil, criando e desenvolvendo softwares e algoritmos de execução de ordens para os mercados de capitais e de derivativos financeiros, entre eles o RoboTrader, sua principal plataforma.

Cabe acrescentar, também, que a empresa possui sede própria, localizada no Centro de São Paulo, a poucos metros da Bolsa de Valores.

A companhia dispõe, também de gerador de energia e acesso liberado 24 horas por dia, sete dias por semana, o que a garante total segurança na manutenção e funcionalidade de seus sistemas e serviços oferecidos.

Dentre seu portfólio de clientes, encontram-se a Socopa – Corretora Paulista, a XP Investimentos, Geração Futuro, Talarico, Renascença, Novinvest, dentre outros players relevantes do mercado financeiro.

Já em relação a B3, essa é uma companhia a qual gostamos bastante e que acreditamos possuir um potencial de geração de valor bastante interessante para seus acionistas no longo prazo.

Em relação ao seu operacional, a companhia informou recentemente ao mercado que tem como alvo para 2019 distribuir de 120% a 150% (anteriormente, entre 70% e 80%) do seu lucro líquido societário aos seus acionistas, na forma de juros sobre capital próprio, dividendo e/ou recompra de ações.

“Essa projeção está sujeita ao desempenho dos negócios, atingimento dos objetivos de alavancagem financeira, e deliberação do Conselho de Administração”, salientou a empresa no que tange tal comunicado.

Ainda segundo o informado, a B3 espera, a partir do ano 2021, capturar R$110 milhões por ano em sinergias de despesas resultantes diretamente da combinação de negócios entre BM&FBOVESPA e CETIP.

“Nos anos de 2018 a 2020, espera-se capturar R$100 milhões por ano em sinergias. A B3 espera repassar parte das sinergias capturadas aos clientes”, complementou a companhia em seu comunicado.

Isto posto, visualizamos que a B3 é uma empresa que pode ser muito beneficiada com a atual queda da taxa de juros no Brasil, visto que essa queda induz muitos investidores a migrarem da renda fixa para a variável, o que pode ocasionar uma dinâmica positiva de oferta e demanda nas transações operacionais da companhia.

Não bastasse, os aumentos do número de investidores ativos, além dos aumentos graduais e históricos do índice Ibovespa nos últimos meses, reforçam ainda mais essa tese que o mercado de renda variável irá continuar seguindo uma sequência de alta em suas negociações no médio prazo.

Seguimos otimistas para com os resultados da B3 nos próximos anos, embora o seu atual preço de cotação não proporcione, em nossa visão, uma margem de segurança satisfatória no âmbito de um investimento de valor.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.