Por: Tiago Reis

Radar do Mercado: Alpargatas (ALPA4) – Resultado operacional apresenta margem para crescimento futuro

A Alpargatas enviou ao mercado na última sexta-feira (15) os seus números relacionados ao 4T18 e, neste sentido, os destaques se fizeram através uma receita líquida que apresentou uma evolução no 4T18 de 8,7% em relação ao 4T17, principalmente pela performance e melhoria operacional de Havaianas Brasil e pelo crescimento de 29,3% nas operações internacionais de Havaianas, mesmo com o impacto negativo de variação cambial/correção monetária na Argentina.

Já a receita líquida da companhia em 2018 foi de R$ 3,9 bilhões, crescimento de 4,9% em comparação com 2017, em decorrência da expansão na receita das operações no Brasil e em Sandálias Internacional. No Brasil, a elevação de 10,4% deveu-se, principalmente, ao crescimento do negócio Sandálias.

Nas operações internacionais de sandálias, houve crescimento de 11,3% na receita líquida (alavancada pela apreciação do dólar e euro frente ao real) apesar do recuo de 9,8% no volume de vendas em 2018. Na Argentina, em reais, a receita líquida caiu 21,1% em 2018, resultado de um mercado comprimido e desvalorização do peso argentino no período.

Ainda no 4T18, o EBITDA recorrente da companhia cresceu 12,6% e a margem expandiu 0,7 p.p. quando comparados com o mesmo período de 2017.

Os principais itens não recorrentes do quarto trimestre foram:

  • No Brasil, impacto de R$ 41,2 milhões com efeitos negativos advindos do resultado de venda da participação ASAIC, provisão para perdas de estoque e rescisões trabalhistas, apesar dos efeitos positivos advindos de créditos tributários e write-off de ativos;
  • Na Argentina impacto de R$ 40,3 milhões, sendo R$ 27,8 milhões de ajuste de inflação e R$ 12,5 milhões relativos à reestruturação das operações; e
  • Nos EUA impacto de R$ 15,2 milhões devido à provisão de contingência cível na Alpa USA.

Já o EBITDA da companhia no acumulado de 2018 somou R$ 564,7 milhões, valor 16,1% superior ao de 2017, e a margem de 14,5% foi 1,4 ponto percentual maior que a do ano anterior.

No Brasil, o EBITDA de R$ 561,2 milhões subiu 50,5% e a margem, de 21%, foi 5,6 pontos percentuais mais alta.

Neste quesito, destaca-se R$ 181 milhões de êxito em ação judicial de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS no Brasil ocorrida em setembro de 2018.

Em Sandálias Internacional, o EBITDA de 2018 foi de R$ 77,6 milhões, queda de 22,1% em relação à 2017 visto que foram realizados investimentos no crescimento internacional ao longo de 2018 que deverão trazer retornos no futuro.

Com isso, o lucro líquido do 4° trimestre totalizou R$ 92,4 milhões, com margem líquida de 7,7%. As variações mais significativas do lucro líquido consolidado do 4T18 foram:

  • + R$ 94,6 milhões no EBITDA, cuja variação foi explicada anteriormente no texto;
  • – R$ 27,8 milhões de ajuste de inflação na Argentina;
  • + R$ 25,9 milhões de resultado financeiro/variação cambial;
  • – R$ 52,3 milhões de IRCS, devido principalmente a constituição de provisão de imposto de renda diferido em 2017 por baixa parcial de ativos;

Já o lucro líquido da companhia de 2018 foi de R$ 324,0 milhões, valor 7,6% inferior ao de 2017, e a margem líquida de 8,3% foi 1,1 ponto percentual menor.

As variações mais significativas do lucro líquido consolidado do ano foram:

  • +129,5 milhões no EBITDA, cuja variação foi explicada anteriormente no texto;
  • -R$ 51,1 milhões de ajuste de inflação advindos das operações da Argentina;
  • +R$ 65,4 milhões no resultado financeiro devido, principalmente, ao ganho de ajuste de inflação na posição monetária líquida na Argentina;
  • -R$ 48,2 milhões com variação cambial primordialmente na Argentina advindo de dívidas em moeda estrangeira;
  • -R$ 124,0 milhões no IRCS, devido principalmente em função da não constituição de crédito de imposto diferido sobre prejuízo fiscal, ajuste de hiperinflação, constituição de provisão de imposto de renda diferido em 2017 por baixa parcial de ativos, dentre outros;

Adicionalmente, há de se destacar que, em 31 de dezembro de 2018, a Alpargatas apresentava posição financeira líquida negativa em R$ 72,0 milhões, resultante de saldo de caixa de R$ 540,9 milhões (a geração operacional somou R$ 287,8 milhões em 12 meses findos em dezembro de 2018) e endividamento de R$ 612,9 milhões, com o seguinte perfil:

  • R$ 382,3 milhões (62% do total) com vencimento no curto prazo, sendo R$ 160,2 milhões em moeda nacional. A dívida de curto prazo em moeda estrangeira somava R$ 222,1 milhões, dos quais R$ 33,8 milhões possuem swap para reais, e financiava, principalmente, o capital de giro das subsidiárias no exterior. Importante verificar que do saldo de caixa da companhia, R$ 147,2 milhões são em moeda estrangeira;
  • R$ 230,6 milhões (38% do total) com vencimento no longo prazo, sendo a totalidade em moeda nacional;

No mais, em relação aos resultados da Alpargatas, entendemos que a companhia ainda pode apresentar uma melhora em seus números no médio prazo, muito por conta da normalização da sua operação e também pela alteração no controle acionário da empresa realizada em meados de setembro de 2017, que passou a ter a Itaúsa – Investimentos Itaú S.A., Cambuhy I Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e Cambuhy Alpa Holding S.A. como participantes.

Dessa forma, com a conclusão da transação de venda do controle acionário da Alpargatas para um controlador com bastante know-how, concluímos que a companhia poderá obter ainda mais sucesso na geração de valor para seus acionistas num futuro próximo.

Ademais, para os investidores que tenham interesse em se associar a esta companhia dona de marcas bastante conceituadas no mercado nacional e internacional, como Havaianas, Osklen, Topper e Mizuno, por exemplo, recomendamos que o façam através da holding Itaúsa, lembrando sempre de levar em consideração o preço de cotação do ativo, de modo que uma margem de segurança satisfatória possa ser estabelecida no investimento.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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