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    Quem compra renda passiva recebe o patrimônio de bônus

    Quem compra renda passiva recebe o patrimônio de bônus

    O Brasil caminha para um novo momento econômico, com a redução estrutural de sua taxa básica de juros. Uma nova mentalidade precisa prevalecer entre aqueles que ingressam na renda variável para preservar os retornos colhidos com a antiga renda fixa.

    Por Jean Tosetto

    Por muitos anos o Brasil foi o paraíso dos rentistas: gente que vivia dos juros da renda fixa lastreada pelos CDBs de bancos intermediários e pelos títulos do Tesouro Nacional. O capital não produtivo era amealhado por aqueles que emprestavam dinheiro para estes bancos ou para o governo. A Selic – taxa básica de juros – na casa dos dois dígitos, ditava o ritmo do baile.

    O Banco Central do Brasil mantinha a Selic acima dos 10% para conter o avanço da inflação, reduzindo a capacidade de consumo da classe média, uma vez que o alto custo embutido no parcelamento das compras inviabilizava a aquisição de bens duráveis, principalmente. Tudo ia bem enquanto a taxa de desemprego era baixa e o governo se alavancava cada vez mais para sustentar os crescentes gastos da sua máquina.

    O problema apareceu quando uma recessão histórica se instalou em terras brasileiras, no primeiro semestre de 2014. A conta estava chegando e o modelo estabelecido no Plano Real em 1994, para o controle da estabilidade da Economia, se mostrou desgastado. O nível de desemprego aumentou junto com o risco de estagnação do mercado imobiliário, que em outros tempos absorvia a mão de obra oriunda de outros setores em decadência, por causa da desindustrialização de um país que beneficiava os rentistas ao invés do capital produtivo.

    Sucessivas crises políticas provocaram mudanças nos Poderes Executivo e Legislativo, que paulatinamente adotaram uma nova postura econômica, induzindo à redução da taxa básica de juros para incentivar o consumo e reativar o mercado como um todo.

    Depois de uma década perdida, os anos de 2020 começam com a Taxa Selic abaixo dos 5%, num movimento consistente que tende a se preservar enquanto a inflação estiver contida, mediante a lenta recuperação dos níveis de emprego e da confiabilidade do país.

    O resultado desta guinada na Economia é que a renda fixa deixou de ser atrativa como investimento. Se ela permanece como instrumento de conservação do capital, as soluções para quem deseja enriquecer por meio de investimentos é recorrer à renda variável ou ao empreendedorismo.

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    Novos tempos pedem novos paradigmas

    Tudo indica que o paraíso dos rentistas fechou as portas. Tomando por princípio que muitos rentistas não estão preparados para empreender na Economia real, resta a este contingente migrar para a Bolsa de Valores – o que de qualquer modo é benéfico ao país.

    Nesta transição, é preciso ter ciência de que a mentalidade de aplicar dinheiro em renda fixa é muito distinta da mentalidade de investir em renda variável.

    O primeiro ponto é referente à tomada de riscos: o governo brasileiro conserva a tradição de ser um bom pagador, então emprestar dinheiro via Tesouro Direto é uma atividade de risco muito baixo. O FGC – Fundo Garantidor de Crédito – também protege quem empresta dinheiro para bancos em diversas modalidades, até o limite de 250 mil reais por CPF ou CNPJ em cada instituição, e um milhão de reais no total.

    Já na renda variável, os riscos também são variáveis e inerentes ao tipo de atividade que a empresa de capital aberto ou o fundo imobiliário adota. Empresas podem quebrar e fundos imobiliários podem ficar insolventes, embora existam ótimos ativos na prateleira da Bolsa de Valores, com potencial de incrementar as receitas ano após ano.

    O segundo ponto incide sobre a necessidade de estudar os ativos antes de alocar o capital. Na renda fixa as decisões são menos complexas: basicamente estuda-se o prazo da aplicação e a taxa de juros prometida. Na renda variável existe uma plêiade de fatores para considerar: a rentabilidade sobre o patrimônio líquido, as margens de lucro, a liquidez corrente, a relação entre preço e lucro da ação, o endividamento e o histórico de pagamento de dividendos – fora a capacidade dos gestores e muitos outros aspectos como Valuation, governança corporativa e conjuntura econômica.

    Para os novatos em Bolsa, é altamente recomendável obter auxílio profissional para a composição das carteiras de investimentos. Uma forma muito acessível para contar com o apoio de especialistas são as casas de research, como a Suno.

    Por fim, a quase linearidade existente no crescimento do patrimônio líquido, para quem aplica com regularidade acumulativa na renda fixa, não existe na renda variável, por causa do caráter especulativo em torno dos ativos negociados em Bolsa. Deste modo, ótimas empresas podem sofrer quedas repentinas em suas cotações, ao passo que empresas em dificuldades podem oferecer ganhos repentinos para quem compra ações com a mentalidade de revender com lucros imediatistas.

    Este fator deixa muitas pessoas desconfortáveis, especialmente aquelas que não analisam os fundamentos das empresas e fundos antes de empregar suas economias. Mesmo comprando mais ações de empresas e cotas de fundos imobiliários, por vezes o patrimônio consultado na conta da corretora está menor do que antes. Isso é possível?

    Sim, mas não é o fator essencial para o sucesso de um investidor que adota a mentalidade de longo prazo.

    Dicotomia ultrapassada

    A dialética entre renda fixa e renda variável esconde o que realmente importa para quem deseja alcançar a independência financeira: a renda passiva – ou seja, a renda obtida por alguém sem a necessidade de exercer um ofício. Ninguém vive de patrimônio, pois é a renda passiva que paga as contas do investidor, quando este decide se aposentar das atividades que lhe garantem a renda trabalhada.

    Focar na obtenção de renda passiva é a chave para um aplicador de renda fixa assimilar a mentalidade de um investidor em renda variável. Por mais contraditório que possa parecer, o resultado de seu patrimônio em curto prazo não é essencial, mas circunstancial.

    Em termos lógicos, podemos apresentar a questão da seguinte maneira: se a renda fixa é a tese presente na cabeça de quem foi educado ao longo dos anos para viver de juros;  então, a renda variável é a antítese alimentada pelo medo irracional dos riscos explorados pela mídia generalista e pelos agentes bancários convencionais. No entanto, a renda passiva é a síntese dessa discussão: longe de ser uma remuneração baseada em ágio, ela é resultado de investimentos em capital produtivo.

    Porém, somente o investimento em renda variável é capaz de ofertar a renda passiva para o investidor. Mesmo que certos produtos de renda fixa paguem juros regulares sobre o dinheiro emprestado, isto não se configura como renda passiva, pois esta só é gerada por empresas e fundos imobiliários que atuam na Economia real.

    Logo, o comprador de renda passiva não empresta dinheiro: ele torna-se sócio dos empreendimentos. A postura de um sócio é diametralmente oposta da postura de um agiota. O sócio é um pretenso parceiro de longo prazo, ao passo que o agiota só tem compromisso com ele mesmo, aqui e agora.

    A origem de todas as rendas

    Como é gerada a renda passiva? Através da distribuição dos lucros – dividendos – de uma atividade produtiva. Uma empresa presta serviços, fabrica ou vende algo, para obter de forma justa a sua receita. Então ela paga os impostos, usa parte do lucro líquido para reinvestir no próprio negócio e o restante é dividido entre os acionistas.

    Já um fundo imobiliário cobra aluguel dos imóveis locados para diversas empresas. Logo, os imóveis são produtivos também. Por vezes, o fundo imobiliário empresta dinheiro para empreendedores do mercado imobiliário. Portanto, é um capital igualmente produtivo.

    Na renda variável ganham as empresas, os fundos imobiliários, o governo (via impostos) e o investidor. Por isso, quanto mais investidores na Bolsa de Valores, melhor para a Economia de um país.

    O que dá direito a um investidor de receber renda passiva, na forma de dividendos das empresas ou rendimentos dos fundos imobiliários, é o seu número de ações e cotas nos respectivos ativos financeiros.

    Especuladores criam oportunidades para investidores

    Sabemos que a força da especulação provoca a volatilidade nos preços das ações (as cotas dos fundos imobiliários também são consideradas como ações). No curto prazo estas variações são refletidas no patrimônio dos investidores. Porém, se seus investimentos são fundamentados, isso pouco importa.

    O que importa para um investidor de valor, com foco no longo prazo, é o aumento de suas participações em bons negócios e o incremento de sua renda passiva. Sua evolução é verificada justamente pelo aumento gradual da renda passiva, que durante anos deve ser reinvestida na aquisição de bons ativos geradores de mais renda passiva.

    De onde se conclui que interessa ao investidor que os preços das boas ações permaneçam baixos, para que ele possa acelerar a geração da renda passiva, não o contrário. E não por acaso esta estratégia tem nome: Value Investing.

    Por outro lado, quando os preços das boas ações sobem, isso agrada a quem mira no aumento de patrimônio a curto prazo, pensando na revenda dos ativos: esta, porém, é uma postura meramente especulativa.

    Quando especuladores vendem em massa as ações de bons ativos, os preços deles caem, criando oportunidades de aportes mais robustos por parte dos verdadeiros investidores. No fim das contas, o mercado precisa de ambos. Se especuladores garantem a liquidez dos ativos, os investidores de longo prazo trazem estabilidade para o sistema.

    A sobremesa é doce

    No longo o prazo o mercado corrige os movimentos especulatórios e premia as empresas e fundos imobiliários mais sólidos, de modo que o comprador contumaz de renda passiva acaba sendo agraciado, também, com substancial aumento de seu patrimônio, pois o preço de suas ações tende a subir conforme o conjunto de agentes do sistema percebe o real valor dos ativos.

    Obviamente, este não é um processo curto, mas faz parte de uma jornada. Todo investidor de longo prazo – com a mentalidade de parceria com bons empreendimentos – é um peregrino num extenso percurso rumo à independência financeira.

    Se você se enquadra nesta mentalidade, não precisa mais caminhar sozinho. Você pode contar com a companhia da Suno Research, para lhe auxiliar nas escolhas dos melhores ativos geradores de renda passiva que ofertam, de bônus, o crescimento patrimonial no longo prazo. Já fez sua assinatura?

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    [Crédito da imagem: “Dia de Dividendo no Banco da Inglaterra” (1859), pintura de George Elgar Hicks (1824–1914) pertencente ao acervo do Museu de Wimpole, Inglaterra]

    Jean Tosetto
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    6 comentários

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    • paulo sergbio vieira campos 2 de fevereiro de 2020

      Boa noite caro Jean,

      mais um excelente artigo, … gosto muito das analogias que utiliza para facilitar o entendimento … e o importante é isso mesmo: o investidor como acionista(criador de riquezas) e não simplesmente credor da firma(financiador de riqueza).

      Muito obrigado e muitas felicidades.

      Responder
      • Jean Tosetto 3 de fevereiro de 2020

        Caro Paulo Sergio,

        Agradeço suas palavras, que interpreto como um incentivo para continuar.

        Nós precisamos, sempre que possível, apresentar a Bolsa de Valores como um lugar onde investidores encontram empresas e fundos imobiliários com um objetivo em comum: o fortalecimento de todas as partes. O capitalismo permite o jogo do ganha-ganha, mesmo com todas as suas contradições.

        Responder
    • raimundo Jorge Gomes 3 de fevereiro de 2020

      JEAN TOSETTO: Você já escreveu criticando a tributação de dividendos…sem mais delongas…o que você acha da reforma tributária do Guedes que inclui a tributação de dividendos…e não alegue que o mesmo e sua equipe não estão trabalhando nisso…

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      • Jean Tosetto 3 de fevereiro de 2020

        Caro Raimundo ,

        Mais importante do que concordar, ou não, com a tributação de dividendos, é estar preparado para sua efetivação após as reformas propostas pelo governo. Não estou dizendo que isso vai acontecer, mas se acontecer, precisamos considerar dois aspectos:

        1) A estratégia de investir com foco em dividendos continuará válida. Os dividendos já foram tributados no passado e, mesmo assim, investidores como Décio Bazin tiveram sucesso com esta estratégia.

        2) A iminência da aprovação da tributação dos dividendos provocará volatilidade no mercado. Portanto, quem tiver reservas de capital em renda fixa fará ótimas compras, mantendo o Dividend Yield atrativo, que compensará a queda parcial dos proventos em função do pagamento dos impostos. Logo, alocar parte do capital em renda fixa é uma atitude inteligente. Não existe essa dicotomia com a renda variável, quando o foco é obter renda passiva.

        Por fim, a Suno continuará pregando a estratégia dos dividendos e o investimento em longo prazo, por uma razão simples: ela quer acompanhar o investidor ao longo de sua jornada. A Suno deseja uma parceria de longo prazo com investidores de longo prazo, por entender que esta parceria beneficia todo mundo.

        Responder
    • Alexandra 10 de março de 2020

      Boa noite Jean !
      Muito bom e esclarecedor este artigo, parabéns pelas colocações que faz iniciantes entender se motivar e perseverar em investir e continuar buscando informações confiáveis ! Muito obrigada Jean e Suno !

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      • Jean Tosetto 24 de março de 2020

        Prezada Alexandra, ao invés de trazer a complexidade do mercado financeiro até o leigo, eu procuro conduzir o leigo até o mercado financeiro através de referenciais que ele já domina. Agradeço ao time da Suno por me dar a liberdade de escrever com este princípío. Obrigado!

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