Por: Tiago Reis

Quando pretendo vender ações?

Eu não pretendo vender minhas ações. Eu invisto para, de preferência, carregar as ações para o resto da minha vida e usufruir apenas de seus dividendos.

Essa ideia de que em algum momento da vida, especialmente com uma idade mais avançada, o investidor deve vender suas ações, para além de adequar o perfil de risco da sua carteira à sua idade, também embolsar os lucros e passar a usufruir, é algo que nós da Suno discordamos plenamente.

Afinal de contas, o investidor que possui ações e fundos imobiliários, dentro de uma carteira previdenciária diversificada, em algum momento terá um fluxo basicamente interminável de dividendos, que o proporcionarão o custeio de suas despesas e de suas necessidades, sem nenhuma necessidade de vender seus papéis para isso.

Dessa forma, para que vender as ações e embolsar os lucros, se são os dividendos que o investidor deve utilizar para complementar sua aposentadoria?

É claro que se as empresas que eu carrego na carteira venham a se deteriorar, e passem por dificuldades severas, em uma situação que eu considere de fato perigosa, eu poderei sim vender as ações, mas não em outros casos.

Além disso, se o investidor vender suas ações e direcionar seu patrimônio acumulado para a renda fixa, e assim passar a viver dos juros dessa aplicação, a inflação passará a corroer de forma constante tanto o seu patrimônio acumulado, quanto a própria renda, que inclusive, pode também ser reduzida com cortes nos juros.

Ao contrário dos juros proporcionados pela renda fixa, que não crescem, não são protegidos e dependem diretamente das taxas básicas de juros, as empresas e os imóveis (ações e fiis) tendem a apresentar dividendos crescentes, corrigindo o poder de compra dos dividendos do investidor, à medida que as empresas crescem, e reajustam os preços de seus produtos e serviços, ou no caso dos imóveis, à medida que os preços dos aluguéis se tornam mais elevados e também são reajustados pela inflação.

Por fim, vale destacar que a isenção para venda de ações é de até R$ 20 mil, e caso o investidor decida vender valores maiores que estes em ações, muito provavelmente terá de desembolsar valores bastante elevados em impostos.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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