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    Quando o longo prazo atravessa gerações

    Quando o longo prazo atravessa gerações

    Certa vez perguntaram para o megainvestidor Luiz Barsi Filho quais eram os seus arrependimentos relacionados com a bolsa de valores. Ele respondeu que o principal deles era não ter começado a investir mais cedo, desde a tenra idade.

    Neste aspecto podemos dar um grande desconto para ele. Em seu tempo de juventude, Barsi não dispunha da quantidade de informações sobre educação financeira que circula pela internet atualmente. A própria internet não existia e, para quem nasceu a partir de meados dos anos de 1990, é difícil compreender como as pessoas viviam sem conectividade.

    O fato é que temos uma nova geração de investidores de variadas idades. Gente que recentemente ingressou no mercado de trabalho começando a aportar na bolsa de valores, se igualando com profissionais de meia idade que só agora descobriram as vantagens da renda variável.

    Não há uma pesquisa científica a respeito, mas podemos afirmar que há um sentimento em comum entre aqueles que começam a investir pensando no longo prazo, que podemos resumir na seguinte frase:

    – QUERIA SABER DISSO ANTES!

    Quem já pensou sobre isso não tem a quem culpar, mas deve nutrir gratidão por quem lhe abriu os olhos. É o caso de Willian Wohlers, que vendia ovos numa feira de Mairiporã, município vizinho de São Paulo. Um de seus clientes era o próprio Barsi, que certa vez lhe insinuou sobre a possibilidade de investir através da Bolsa de São Paulo.

    Como nada foi impositivo, Wohlers ainda levou alguns anos para se convencer que aportar recursos em ações de empresas pagadoras de dividendos era um caminho seguro para obter a independência financeira.

    Seus pais, infelizmente, não tinham como lhe falar sobre isso. Eles eram de outra geração, na qual a inflação galopante forçava as pessoas a correr até o supermercado para fazer compras e estocar mantimentos, para que a renda obtida com o trabalho não derretesse na carteira ou na conta corrente. A cultura da poupança, no Brasil, era muito limitada em função disso.

    SEM INTERNET – COM INFLAÇÃO

    Inflação? Outro conceito difícil de explicar para aqueles que já nasceram com um perfil nas redes sociais. Afinal de contas, aqueles 1% ou mesmo 2% de inflação ao mês que nos assustaram recentemente em nada se comparam com a remarcação de preços diária que ocorria na década de 1980, quando a inflação mensal atingia picos de 70%.

    Mesmo naquele cenário desolador da década perdida, a melhor solução para proteger o dinheiro era o investimento em ações. Naquela época, as empresas faziam correções anuais da posição acionária de seus investidores, lhe bonificando com novas ações conforme o montante de cada um. Isso gerava lotes fracionados que eram vendidos abaixo da cotação usual. Criou-se até uma estratégia neste sentido: havia quem comprava lotes fracionados com descontos para agrupá-los em lotes redondos, revendendo os mesmos com lucros.

    O monstro da inflação finalmente começou a ser domado com a implantação do Plano Real em 1994, equiparando a nova moeda brasileira ao dólar, através de uma transição denominada URV – Unidade Real de Valor – que acostumou a população a relativizar o preço das mercadorias.

    JUROS ALTOS E EMPREENDIMENTOS EM BAIXA

    A estabilidade econômica propiciou o fortalecimento de dois tipos de investidores: os mais conservadores apostavam em aluguéis de imóveis residenciais e comerciais, enquanto os mais “antenados” migraram para a renda fixa, em função das elevadas taxas de juros praticadas pelo Banco Central para ajudar no controle da inflação.

    Em outubro de 1997 a Taxa Selic chegou a estratosféricos 45,67% ao ano, fazendo a festa daqueles que investiam em títulos da dívida pública. O problema das altas taxas de juros é que elas tiram dinheiro do mercado, reduzindo o consumo e deixando o financiamento de bens móveis e imóveis mais caro.

    Com a Selic alta, muitos empresários deixaram de investir no próprio negócio para viver de renda. Os “rentistas” não tinham qualquer incentivo para empreender, pois a lucratividade dos negócios raramente ultrapassava o retorno das aplicações de renda fixa.

    Nestes anos, porém, quem investiu em renda variável com foco no longo prazo se deu melhor. Enquanto a manada corria para a renda fixa, investidores de visão – como Barsi – compravam ações de grandes empresas com Klabin e Santander na casa dos centavos. Estas ações, desde então, se valorizaram muito acima do que qualquer título do Tesouro Direto.

    ENFRENTANDO A RECESSÃO

    Longos períodos de juros altos levam o país à recessão. A mais recente – e também a mais duradoura – foi combatida justamente com a diminuição da Taxa Selic. De 14,15% em julho de 2015, a Selic caiu para apenas 7% em dezembro de 2017 – um valor baixo para o histórico brasileiro, mas ainda alto em comparação com os países mais desenvolvidos. Nos Estados Unidos a taxa básica de juros é pouco superior a 1%.

    Com a diminuição da Selic, o consumo volta a ser incentivado e as aplicações em renda fixa perdem a atratividade. Este movimento leva muitos investidores de perfil conservador a estudar a renda variável, não por opção, mas por necessidade. E aqui chegamos ao ponto inicial da conversa.

    O investimento em renda variável, através das bolsas de valores, sempre foi uma opção inteligente que, independentemente das gerações e contextos econômicos, oferece a autêntica proteção para o investidor consciente.

    Com o amadurecimento da economia brasileira, estamos caminhando para o controle da inflação combinado com a taxa de juros comedida. Neste cenário, a renda variável tende a ser procurada por cada vez mais investidores, oferecendo bons retornos a quem já está neste ambiente sofisticado.

    Os mais jovens, que conseguem salvar parte da renda mensal para investir em ações de empresas e cotas de fundos imobiliários, serão os mais beneficiados com poder dos juros compostos. Já aqueles com mais idade voltarão a remoer aquela frase:

    – QUERIA SABER DISSO ANTES!

    Estes certamente questionam se vale realmente a pena investir em dividendos, uma vez que eles podem não colher plenamente os frutos no longo prazo.

    Ocorre que investir em renda variável não é uma tarefa trivial. Quem já experimentou um Home Broker sabe a ansiedade que isso causa nas primeiras operações. Qual ação escolher? Em que fundo aportar? São muitas dúvidas alimentadas por um turbilhão de informações que são derramadas sobre nossas cabeças.

    Neste ponto, pensar no longo prazo significa se importar com a próxima geração da família. Quando aprendemos a nos disciplinar para investir em renda variável, damos exemplo para os nossos herdeiros que serão os grandes bonificados neste processo.

    Não vivemos – e não investimos – para nós mesmos. Quem é pai ou mãe sabe do que esta afirmação se trata. Os avós sabem disso ao quadrado. Se você acha que é velho demais para investir na bolsa, lembre-se do provérbio árabe:

    “QUEM PLANTA TÂMARAS, NÃO COLHE TÂMARAS!”

    Ocorre que, se ninguém plantar uma tamareira, ninguém vai se refrescar na sua sombra um dia. Felizmente, em renda variável, as árvores crescem bem mais rapidamente.

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    Jean Tosetto
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