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Quando estudar é um investimento com retorno real e justo

By 27 de outubro de 2017 No Comments
Quando estudar é um investimento com retorno real e justo

Uma das maiores preocupações que as famílias brasileiras possuem gira em torno dos vestibulares que os filhos precisam prestar para ingressar numa boa faculdade, que de preferência seja pública. Antigamente cada instituição de ensino tinha os próprios métodos para avaliar candidatos, mas de alguns anos para cá o Governo Federal criou o Sisu – Sistema de Seleção Unificada – com adesão crescente das universidades.

De acordo com reportagem do portal G1, o curso de Medicina da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – foi o que teve a maior nota de corte do Sisu 2016, com 824,74 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio – Enem. Isto significa que o aluno que obteve 824,73 pontos foi reprovado integralmente, não importando a sua proximidade limítrofe com o êxito.

Restaria ao hipotético estudante reprovado voltar até a estaca zero e estudar mais um ano, para fazer uma nova tentativa de ingressar num dos cursos mais concorridos do Brasil. Isto só não teria acontecido se o mesmo fosse beneficiado por algum programa de cotas: neste caso a nota de corte teria sido menor, de apenas 801,19 pontos.

Acumulando pontos

Se, em termos comparativos, o critério de pontuação do Enem pudesse ser transportado para o mercado de capitais, para avaliar a capacidade de análise de valores mobiliários do investidor, então teríamos duas notícias para o estudante que – sob o estigma do “politicamente correto” – seria uma boa notícia e uma má notícia.

A boa notícia é que o estudante investidor não seria reprovado. Ao contrário: conseguindo 824,73 pontos de 1.000 pontos possíveis, ao longo do tempo o sujeito seria um dos personagens mais bem-sucedidos da Bolsa de Valores de São Paulo. Mesmo se conseguisse apenas 700 pontos, ainda assim, teria motivos para sorrir.

A má notícia é que na B3 – antiga Bovespa – não existe sistema de cotas. Ou esta seria também uma boa notícia? Quem se importa com a cor da pele ou dos olhos, ou ainda com a classe social de origem de um investidor que esteja com a documentação em dia e apto para operar o “Home Broker” de uma corretora de valores?

Você pode considerar a impessoalidade do ambiente eletrônico da B3 algo frio e perverso, ou encantadoramente libertador de rótulos, pois do outro lado da linha ninguém tem sequer condições de saber se o investidor faz juras de amor para Marcello Mastroianni ou para Lady Godiva. Pouco importa, também, se ele usa uma kipá sobre o cocuruto ou se tem um crucifixo pendurado no peito.

Honra ao mérito

No mercado de capitais, o que conta é a capacidade do investidor de fazer as escolhas certas. Não existe decoreba para comprar ações e tão pouco há espaço para gente que vive blefando. Os blefadores tem vida curta na Bolsa, dado que atiram no escuro e, ao contrário do que ocorre em outros ambientes sociais, não estão protegidos por padrinhos ou chefes que adoram subalternos bajuladores.

Investir em Bolsa de Valores não é fácil. É preciso estudar para não depender de dicas de terceiros, uma vez que o sucesso ou o fracasso nos retornos será culpa exclusiva do investidor, que em última instância tem a decisão sobre o destino de seu dinheiro.

Se o estudante do Enem precisa estudar História, Geografia, Biologia, Química e Matemática, entre outras disciplinas; o investidor da Bolsa deve estar bem preparado para interpretar Balanços Financeiros, Demonstrativos de Resultados e de Fluxo de Caixa. É preciso saber a diferença entre ROE e ROIC e compreender o conceito de EBITDA de uma empresa, entre diversos fatores.

Quem se familiariza com os indicadores que compõe a análise fundamentalista das ações pode até considerar que não existe segredo nesta atividade, mas isto não significa que o investidor deixará de estudar, buscando aprimoramentos. A diferença básica com aqueles que estudam para passar num vestibular, é que não existe um “Dia D” para avaliar e premiar conhecimentos apreendidos.

Concurso e sem curso

Há quem prefira dedicar recursos financeiros e anos de empenho nos estudos para passar num concurso, para assumir algum cargo como funcionário público, que lhe traga uma boa renda mensal, com possibilidades de melhor aposentadoria e mais subsídios para alimentação, transporte e saúde. Neste caso, algumas notas de corte são ainda mais altas que nos cursos mais concorridos do vestibular.

Novamente estamos numa situação sem garantias de retorno para todo o empenho que alguém possa colocar neste objetivo. Basta um atraso de cinco minutos no dia da prova, ou quem sabe um desequilíbrio emocional causado pela pressão autoimposta, e a tentativa de aprovação será malograda.

Mesmo assim, os abnegados que passam nos concursos ainda podem esperar meses ou anos até serem chamados para assumir suas funções. Aqueles que ingressam em algum ofício estatal não raramente se deparam com a troca de chefes nas repartições, sempre que há mudança de partido no comando, após alguma eleição.

Isso acontece diariamente: o sujeito que dedicou anos de estudo para passar num concurso, agora deve satisfações para alguém que foi colocado ali por indicação política para exercer um cargo de confiança – nem sempre com a capacidade necessária para tanto. Quem se rebela contra tal injustiça corre o risco de perder o emprego ou ser rebaixado, mesmo com toda a estabilidade prometida pelo sistema.

Algo semelhante pode ocorrer na iniciativa privada, mas em menor escala, pois o mercado de trabalho é tão competitivo que não perdoa empresas que priorizam a politicagem ao invés da meritocracia para promover seus funcionários.

Condições iguais para todos

Tal hierarquia não existe no mercado de capitais entre as pessoas físicas que investem através da Bolsa de Valores. O que diferencia um investidor do outro é a quantidade dos aportes e a sua capacidade de escolher as melhores oportunidades para comprar ou vender ativos, sejam eles ações de empresas ou cotas de fundos imobiliários.

O investidor que se disciplina para estudar as oportunidades nunca terá um chefe para lhe dizer que ação deve comprar ou vender, a não ser que ele eleja tal figura. Ainda assim, a decisão final será sua, mesmo que escolha aplicar recursos através de fundos de investimentos, onde a gestão dos mesmos é terceirizada.

O investidor pessoa física não precisa de diploma para operar em Bolsa de Valores. Sequer provar sua alfabetização é necessário. Mas desde sempre ele estará por sua conta e risco.

Para investir em ações de empresas ou cotas de fundos imobiliários, também não é preciso passar numa prova, como acontece com os estudantes de Direito no caso da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil.

Não existe um CFI – Conselho Federal de Investidores – que promova a reserva de mercado para seus afiliados, cobrando anuidades ou taxas elevadas para cada operação, como acontecem com os arquitetos e engenheiros – embora as corretoras de valores e a B3 recolham emolumentos em cada compra ou venda de ativo, com valores comparativamente menores.

O investidor pessoa física da Bolsa também não está compulsoriamente sujeito a qualquer tipo de sindicato, que venha a lhe impor contribuições e posturas ideológicas.

Contornando o calvário

O investidor munido de CPF e cadastro numa corretora de valores não precisa de inscrição municipal, estadual ou federal. Também não precisa de alvarás de funcionamento e licenças ambientais que podem levar meses para receber um carimbo. Tampouco necessita de autorização da Vigilância Sanitária ou do Corpo de Bombeiros para manusear seu computador ou celular para executar ordens no “Home Broker”.

Um investidor pessoa física não está sujeito a visitas sem hora marcada de fiscais de qualquer natureza. Ele não corre risco de ser achacado por agentes corruptos, e não pagará propinas para transpor dificuldades criadas por alguém que lhe oferece facilidades em troca.

E o melhor vem a seguir: o mesmo investidor ainda pode ter um retorno anual maior do que o pequeno empresário que resolva empreender no Brasil – especialmente se este investidor focar na estratégia de dividendos, para obter renda passiva com carga tributária reduzida.

Quem poderá nos defender? Nós mesmos

Por tudo o que foi apresentado aqui, sabemos que o sistema de ensino na Brasil é injusto, pois não premia o estudante conforme o seu rendimento, onde alguém quase excelente é equiparado com o péssimo entre os péssimos.

As condições do mercado de trabalho, com baixos salários, e a dificuldade de empreender por causa do excesso de burocracia e impostos, empurram muitos jovens talentosos para o funcionalismo público, onde aos poucos perceberão que, por mais que se dediquem ao trabalho, terão remuneração semelhante à daqueles que apenas se encostam sob a sombra da estabilidade garantida por leis e privilégios.

Reside aqui um dos aspectos mais bonitos do mercado de capitais, visto por muitos como um ambiente desumano e selvagem, repleto de raposas e serpentes: na verdade o mercado financeiro oferece para os investidores, mesmo aqueles de pouco recursos monetários, a livre competição baseada na competência de cada um.

Olho por olho. Reais por reais

O investidor que aplica em ações de empresas e cotas de fundos imobiliários poderá ser pago literalmente na mesma moeda, em vários sentidos. Se ele investiu em reais, receberá em reais. Se ele agiu como especulador, terá resultados de especulador. Se ele pensou no longo prazo, será agraciado no longo prazo. As suas horas de estudo para compor análises fundamentadas serão recompensadas.

Sem panelinhas. Sem protecionismos. Sem politicagem.

Se o investidor quebrar na Bolsa, não poderá culpar o ônibus que atrasou a viagem, a dor de barriga no dia do exame, o burocrata que pediu documentos que estavam faltando, ou o chefe que lhe deu uma ordem errada.

Mais do que a independência financeira, o mercado de capitais oferece ao investidor a independência dos sistemas injustos de avaliação e promoção. Ele se liberta das amarras da burocracia e da necessidade de beijar a mão de senhores feudais encastelados em autarquias diversas.

Como efeito colateral, o investidor poderá ser chamado de serpente, raposa ou quem sabe tubarão deste “nefasto” capitalismo que – apesar de todos os pesares – é o único sistema econômico que democraticamente aceita pessoas de todos os credos, identidades de gênero, etnias e classes sociais.

O sol é para todos

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Jean Tosetto

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.