Por: Tiago Reis

Quando devo me desfazer de um investimento?

Idealmente, em nossa estratégia de investimentos, a intenção é de segurar as ações durante um horizonte de tempo “infinito”. No entanto, a realidade é que poucos investimentos se mantêm interessantes a este ponto durante décadas.

Assim, saber quando é o momento para sair de um investimento é tão importante quanto saber o momento de entrar em um. Ainda assim, em algumas ocasiões durante a vida de investidores, venderemos nossas ações vencedoras muito cedo, enquanto manteremos as perdedoras por mais tempo do que o adequado. Faz parte do jogo.

É preciso, portanto, monitorar constantemente os negócios nos quais se investe. Repare que existe uma sutileza neste ponto. Quando eu digo monitorar os negócios, não significa monitorar as ações. Ou seja, o investidor deve estar atento aos fundamentos da companhia e ao seu setor, ao invés de monitorar o preço de suas ações.

Antes de discutir quando vender uma ação, quero pontuar um caso importante no qual o investidor não deve vendê-las:

A cotação caiu? Não significa que é hora de vender

Por si só, os movimentos de preço das ações não representam nenhuma informação útil. Especialmente porque os preços podem se mover em todas as direções no curto prazo, por razões completamente insondáveis. A volatilidade é algo comum.

A performance de longo prazo de uma ação é amplamente baseada nos fluxos de dinheiro que se espera que a companhia gere no futuro. Então, quando vender?

1 – Você cometeu algum erro?

Você deixou algum erro passar despercebido quando estava avaliando a companhia pela primeira vez?

Talvez você tenha acreditado que a gestão da empresa seria capaz de realizar um turnaround, mas a tarefa na verdade foi mais difícil do que se esperava.

Ou, talvez, você tenha subestimado a força dos concorrentes da companhia, ou superestimou a capacidade da empresa em encontrar novas oportunidades de crescimento.

Raramente vale a pena segurar um investimento feito por uma razão que não é mais válida. Se sua análise inicial estava errada, lide com as perdas e siga em frente. Isso faz parte do jogo.

2 – Os fundamentos se deterioraram?

Depois de vários anos de sucesso, o crescimento da companhia começou a desacelerar. O dinheiro está se acumulando à medida que a empresa enfrenta dificuldades para encontrar novas oportunidades de investimentos lucrativos, ao mesmo tempo em que a concorrência aperta suas margens.

Neste cenário, é interessante reavaliar as perspectivas futuras para a companhia. Se as expectativas estão substancialmente piores do que costumavam ser, é hora de vender.

3 – A cotação subiu muito além do valor intrínseco?

Às vezes o humor do mercado leva o preço de uma ação às alturas, oferecendo um prêmio excessivo em relação ao que o investimento realmente vale.

Nestes momentos, o investidor deve avaliar quão generoso é o prêmio que o mercado está oferecendo e quão provável é que a sua estimativa do valor intrínseco possa subir ao longo do tempo.

Não queremos vender companhias excelentes porque ficaram um pouco caras. Mas, mesmo as companhias excelentes devem ser vendidas se os preços forem estratosféricos.

4 – Existe algo melhor que você possa fazer com o dinheiro?

Como um investidor, você sempre deve querer alocar seu dinheiro em ativos que são mais prováveis de gerar os maiores retornos.

Deste modo, em alguns momentos, o investidor provavelmente venderá ações cuja expectativa de retorno é modesta para liberar capital para melhores investimentos. Trata-se de uma avaliação que envolve o custo de oportunidade.

5 – Você tem muito dinheiro em uma ação?

Neste caso, provavelmente você está com uma ação vencedora, que acabou se tornando um percentual elevado do seu portfólio.

Numa situação como essa, por mais que as expectativas sejam boas para a empresa em questão, não faz sentido deixar todos os ovos na mesma cesta. Uma realocação de capital para seus outros investimentos possivelmente será mais interessante.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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