pregão viva voz
Por: Tiago Reis

Pregão viva voz: conheça como era o funcionamento da bolsa no passado

Talvez os investidores mais jovens da bolsa não se lembrem de como aconteciam as negociações da bolsa brasileira antes da implementação das plataformas eletrônicas que conhecemos hoje. Nesse sentido, até o final dos anos 2000, tínhamos o chamado “pregão viva voz”.

Aos poucos, a dinâmica do pregão viva voz foi acabando e dando lugar à implementação de sistemas de computadores e circuitos integrados que, com muita tecnologia e eficiência, fazem todo o trabalho dos operadores das mesas de operações.

O que era o pregão viva voz?

A princípio, o pregão viva voz era a forma que as negociações de compra e venda na bolsa aconteciam. De fato, para esse tipo de pregão acontecer, eram necessários diversos operadores reunidos em um grande salão.

Como funcionava o pregão viva voz?

No pregão viva voz, as operações eram feitas pessoalmente, de modo verbal. As negociações ocorriam em um salão cheio de operadores para fechar suas ordens de compra ou venda.

Esses operadores negociavam entre si por meio de gritos e gestos com a mão e o braço. Para se ter uma ideia, na década de 90, cerca de 1.500 operadores trabalhavam nas mesas de operações da Bovespa para conseguir fechar as dezenas de milhares de negociações de ações que aconteciam por dia.

Uma importante característica do antigo pregão viva voz era de ser uma espécie de termômetro da bolsa. Nesse sentido, os ânimos do grande salão de operações eram usados para medir a euforia e o pessimismo dos investidores da época, visto que as notícias corporativas normalmente chegavam por lá primeiro.

Gírias do pregão viva voz

Outra característica singular do pregão viva voz era o intenso uso de gírias e gestos pelos operadores. Por isso, erros de comunicação acabavam acontecendo frequentemente.

A diversidade de gírias utilizadas por esses operadores durante as negociações dos papéis na bolsa era grande, e alguns exemplos delas são:

  • Apregoar: manter uma ordem limitada no book de ofertas;
  • Pagão: melhor preço de compra;
  • Bate: efetuar uma venda;
  • Toma: efetuar uma compra;
  • Galo: 50 unidades;
  • Duque: 200 unidades;
  • Terno: 300 unidades.

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A transição entre do viva voz para o pregão eletrônico

Se engana quem pensa que o pregão viva voz deu lugar às plataformas eletrônicas abruptamente. Na verdade, houve uma mudança gradual das negociações de um sistema para o outro.

Nesse sentido, com o crescente aumento do volume de papéis negociados, a forma com que as ações eram negociadas seria completamente insustentável.

Além disso, o antigo sistema também dificultava a participação dos investidores estrangeiros nas transações de empresas brasileiras, e então as bolsas foram dando lugar, gradualmente, ao sistema de pregão eletrônico.

A princípio, as empresas com maior volume de transação foram as primeiras a migrar para o novo sistema, porque representavam a maior parte dos papéis negociados na época. Algumas dessas empresas eram: Petrobras, Telebras e Vale do Rio Doce.

Então, com o passar do tempo, a gritaria foi diminuindo, até que, em 2005, a antiga BM&F adotou completamente o sistema eletrônico, acabando de vez com o cargo dos operadores responsáveis pelo pregão viva voz.

Por outro lado, a BOVESPA manteve em funcionamento o antigo sistema de pregão. Todavia, com a fusão das duas bolsas em 2008, o pregão viva voz teve data marcada para acabar e, em 1° de Julho de 2009, ele foi definitivamente extinto.

Fim do pregão viva voz

Por fim, com a fusão das bolsas, o antigo pregão foi completamente extinto. No seu lugar, entraram as plataformas de alta tecnologia que temos funcionando atualmente.

Para se ter uma ideia, hoje são milhões de negociações feitas por dia, algo que seria humanamente impossível de acontecer por intermédio dos antigos operadores do pregão viva voz.

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Dessa forma, as negociações dos investidores de hoje acontecem 100% em plataformas eletrônicas. Ou seja, o novo centro de operações da bolsa é, diferente de antigamente, um lugar de calmaria e silêncio.

E para aqueles que têm saudade ou que querem conhecer os tempos de gritaria e tensão da bolsa, o ambiente do antigo pregão viva voz se tornou um excelente centro de visitações. No Espaço Raymundo Magliano Filho, que fica no centro de São Paulo. os visitantes podem conferir simulações das antigas mesas de operações e visitar o museu da bolsa brasileira, que expõe mais sobre a história do mercado de capitais e das bolsas do Brasil.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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