poupança é um bom investimento

Nos últimos tempos, em um momento de crise, vários boatos de que a poupança é um bom investimento voltaram a aparecer.

Talvez por isso, ainda há quem ache que poupança é um bom investimento, o que não é verdade, ainda que para aqueles que possuem um perfil mais conservador.

Mas afinal, a poupança é um bom investimento? A resposta é não. O rendimento da conta poupança funciona da seguinte forma: se a taxa de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento de 0,5% ao mês sobre o valor depositado mais a taxa referencial (TR). Entretanto, se a taxa de juros for de 8,5% ao ano ou menos, este rendimento cai para apenas 70% da Selic mais a TR.

Mas, em 2018, a TR rendeu 0%. Isso mesmo, nada.

Para que não haja dúvidas, a Selic – sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia – é a taxa básica de juros do Brasil.

Na prática, ela pode ser usada pelo governo para aumentar o valor do Real, bem como os juros cobrados nos cartões de crédito e empréstimos bancários, por exemplo.

Isso quer dizer que ela é usada para controlar a inflação do país. Dessa forma, o rendimento da poupança sempre será corroído pela inflação, podendo até mesmo ser menor do que ela.

Logo, a poupança perde, em rentabilidade, até mesmo para o Tesouro Selic.

Desmistificando a poupança como um bom investimento

poupança é um bom investimento

Para aqueles que ainda duvidam, eis três motivos pelos quais a poupança não é um bom investimento:

  1. Rende menos do que as demais aplicações oferecidas pelo mercado;
  2. Pode render menos que a inflação;
  3. Perde-se dinheiro ao resgatar seu saldo fora do aniversário da conta.

Um dos motivos que levam as pessoas a crerem que a poupança seja um bom investimento é a “segurança” que esta conta oferece.

Segurança essa igual à oferecida pelo Tesouro Direto, por exemplo.

Isso sem falar nas demais aplicações que, assim como a poupança, são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Lembrando que o FGC cobre prejuízos de até R$ 250 mil por instituição bancária e R$ 1 milhão por CPF.

Outro ponto levantado é a possibilidade de sacar o dinheiro sem prejuízos, o que já vimos que não é exatamente uma verdade.

É um fato que você pode dispor do dinheiro aplicado na poupança a qualquer momento.

No entanto, se você o fizer fora da data do aniversário do depósito (que não é anual, mas mensal), perderá o que ele renderia naquele mês.

Considere também que no Tesouro Selic apesar de o título ter vencimento, é possível tirar o dinheiro investido antes do prazo, sem perder o que ele já rendeu.

Para isso, basta respeitar o prazo de um mês após o investimento, para não pagar IOF.

Poupança é um bom investimento se perde para a renda fixa?

poupança é um bom investimento

Para ajudar, vamos listar uma série de investimentos, tidos como seguros, que rendem mais do que a poupança: Letra de Crédito Imobiliário (LCI); Letra de Crédito do Agronegócio (LCA); e Certificados de Depósitos Bancário (CDBs).

Todos também garantidos pelo FGC.

Além deles há o já citado Tesouro Direto e ações com risco controlado, que proporcionam um rendimento ainda maior.

É preciso apenas ficar atento às taxas de corretagem praticadas pelos bancos e corretoras.

Esses valores variam de acordo com a empresa e tender a ser mais altos nos maiores bancos.

No entanto, pesquisando, é possível encontrar investimentos isentos desta cobrança em algumas instituições ou ainda com uma taxa mais baixa que a média.

Vale lembrar que os dividendos de quem investe em ações ou fundos imobiliários também são isentos. Além disso, os ativos normalmente tem seu valor corrigido e podem apresentar crescimento.

Não esquecemos a questão do “imposto”.

É sim verdade que a poupança é livre do Imposto de Renda.

Mas, o seu rendimento é tão baixo que, mesmo descontando o valor que será abocanhado pelo leão, ainda vale mais à pena pagar tributos do que investir na poupança.

Ou seja, a poupança é um bom investimento apenas para quem não valoriza o seu dinheiro ou está mal informado.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.