patrimônio líquido

Você sabe o que é o patrimônio líquido de uma empresa? Esta é uma importante informação presente no balanço patrimonial.

Apesar de possuir limitações, olhar o patrimônio líquido pode ser útil na análise de algumas empresas.

O patrimônio líquido de uma companhia é um dos componentes de maior importância dentro de um balanço patrimonial. Na prática, ele representa a diferença entre o ativo e o passivo da organização, ou seja, a subtração entre os bens e direitos que uma empresa possui em relação às suas obrigações.

De modo geral, o significado desse termo corresponde à riqueza de uma organização, aquilo que pertence realmente aos seus acionistas.

Saber ler e interpretar o balanço de uma empresa, de início, não é uma tarefa muito simples.

Sobretudo para aqueles que estão iniciando seus estudos sobre demonstrações financeiras.

Porém, a necessidade de entender o que os números estão nos mostrando, bem como identificar as mutações no patrimônio de uma empresa é de suma importância para entender o desempenho da mesma ao longo do tempo.

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O que é o patrimônio líquidoo que é patrimônio líquido

Para calcular o patrimônio de uma companhia é necessário compreender o que significam os termos ativos e passivos, afinal, eles são os dois componentes formadores dessa métrica.

Ativos são bens e direitos pertencentes à organização em um determinado momento. Em outras palavras, é tudo que pode ser convertido em valores monetários em maior ou menor tempo.

Alguns exemplos de ativos são dinheiro em caixa, estoques de produtos, equipamentos industriais, imóveis, etc.

Já os passivos são conhecidos como obrigações que a empresa possui perante terceiros. Esses passivos podem ser dívidas, salários e contas em geral a pagar.

Sabendo disso, para calcularmos essa métrica basta realizar a seguinte diferença:

Patrimônio = Ativos – Passivos

Para encontrarmos esses componentes nos demonstrativos de uma empresa devemos procurar no balanço patrimonial de uma companhia. Esse relatório é formado por duas colunas.

De um lado, fica a descrição dos ativos da empresa. Já no outro acharemos os passivos, sendo que logo abaixo dele encontraremos o valor do patrimônio.

Contas do patrimônio

Matematicamente, o patrimônio é igual aos ativos menos os passivos, conforme foi visto.

Entretanto, este é o valor total do patrimônio, sem contar suas subdivisões.

Existem diversas contas que compõem o patrimônio da companhia.

Capital Social

O capital social representa todos os recursos que foram injetados pelos sócios na fundação da sociedade.

Além disso, todos aqueles recursos levantados pela empresa em ofertas de ações também são contabilizados nesta subconta.

O exemplo clássico é o IPO, que ocorre quando a empresa lança ações ao mercado pela primeira vez.

Quando o IPO for composto de emissão primária, então novas ações são emitidas ao público investidor.

Desta forma, o capital social da empresa, e consequentemente o seu patrimônio, aumentam pelo montante levantado junto ao mercado de capitais.

Além do IPO, a empresa também pode emitir ações em outras circunstâncias.

Por exemplo, através de ofertas secundárias de ações ou aumentos de capital decorrentes do exercício de opções.

Reservas de Lucros e de capital

Outra subconta do patrimônio são as chamadas reservas de lucros.

Como o próprio nome indica, uma parte dos lucros gerados na operação são destinados a formar reservas com algum propósito específico.

Por exemplo:

  • Reserva Legal
  • Reserva para Contingências
  • Reserva Estatutária
  • Reserva de Lucros a Realizar
  • Reserva de Incentivos Fiscais

A reserva legal, por exemplo, deve ser composta obrigatoriamente por 5% do lucro líquido, tendo prioridade sobre qualquer outra destinação dos lucros.

Além disto, o valor máximo desta reserva é de 20% do capital social da companhia.

Outros tipos de reservas são as reservas de capital, que decorrem de algumas transações contábeis específicas.

Quando não existe finalidade para destinação alguma parcela dos lucros ou para compensação de prejuízos, então estes montantes são reunidos nas contas de lucros ou prejuízos acumulados.

Ações em tesouraria

Outro componente do patrimônio são as ações em tesouraria.

Sempre que uma companhia recompra suas ações, o montante recomprado reduz o patrimônio através de uma conta redutora específica.

Estas ações que são mantidas em tesouraria podem ser reemitidas futuramente ou então canceladas.

Ajuste de avaliação patrimonial

Esta é uma outra subconta do patrimônio de menor importância.

Esse resultado demonstra os ajustes necessários para avaliar os bens de uma empresa de acordo com os seus valores justos.

O objetivo do ajuste de avaliação patrimonial consiste em assegurar a estipulação do valor justo num momento em que elementos que forçam a liquidação da companhia não atrapalhem o cálculo final desse valor.

Patrimônio líquido negativo

Existe uma situação bastante grave em um negócio que ocorre quando o patrimônio se torna negativo.

Sim, isto pode ocorrer.

E acontece quando os valores das obrigações superam a soma de todos os ativos de uma empresa.

Dito em outras palavras, a empresa possui um passivo maior do que o ativo.

Portanto, a parcela deste passivo excedente aos ativos caracteriza uma situação chamada de passivo a descoberto.

Obviamente, esse fato põe uma empresa numa situação de extrema vulnerabilidade, podendo a mesma necessitar entrar, a qualquer momento, com um pedido de recuperação judicial.

De acordo com o Conselho Federal de Contabilidade, situações como essa deverão ser denominadas no balanço patrimonial como “passivo a descoberto”, no lugar da expressão “patrimônio negativo”.

Para um negócio chegar a este extremo, geralmente são necessárias péssimas decisões de negócio em sequência.

Na maioria dos casos as empresas se endividam de maneira excessiva e realizam uma alocação de capital inadequada.

Já em outros casos, o risco advém de um fator desconhecido.

No atentado de 11 de Setembro, por exemplo, várias seguradoras quebraram pois não tinham reservas suficientes.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido

Logicamente, existem transações que reduzem o valor do patrimônio.

Por exemplo, sempre que determinada empresa paga dividendos ou Juros Sobre Capital Próprio, ocorre um desembolso de caixa que reduz o patrimônio.

E para divulgar ao mercado todas estas transações que afetam o patrimônio, as empresas listadas na bolsa de valores divulgam a demonstração das mutações do patrimônio líquido.

Entretanto, em termos práticos esta demonstração não é tão importante assim para o investidor.

Afinal, existem outras demonstrações financeiras mais relevantes para quem deseja estudar uma empresa para potencial investimento.

Porque analisar o patrimônio líquido utilidade do pl

Avaliar o patrimônio de uma empresa de maneira isolada não transmite muitas informações diretamente.

Mesmo assim, pode-se encontrar utilidade ao analisar a evolução do patrimônio por ação.

Isto é, a medida que a empresa cresce, o patrimônio por ação deve ir aumentando também.

Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, costuma apresentar a evolução deste indicador aos seus acionistas.

Afinal, o patrimônio mede a riqueza dos acionistas que está na empresa.

Portanto, é de se esperar que a medida que as empresas lucrem e cresçam, o patrimônio também aumenta.

De fato, pode-se compreender este processo através do seguinte modelo simplificado:

Patrimônio final = Patrimônio inicial + Lucro – Dividendos

Como empresas saudáveis costumam ter um payout abaixo de 100%, então o patrimônio tende a crescer ao longo do tempo.

E desta forma, a ação também tende a valorizar.

Além disso, a porcentagem dos rendimentos distribuída aos acionistas através dos dividendos também beneficia quem decide reinvesti-los para comprar mais ações.

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Indicadores relativos

A outra forma de analisar o patrimônio é através da construção de índices relativos.

Isto é, comparando o valor do patrimônio, retirado do balanço patrimonial, com outro indicador.

A seguir estão apresentados dois indicadores relativos.

ROE

Uma das métricas mais utilizadas para medir o grau de efetividade de uma empresa na geração de lucro.

Esse é um indicador – que em inglês é chamado de Return On Equity (ROE) – que relaciona o lucro líquido com o patrimônio líquido.

Ele mostra a rentabilidade de uma companhia em relação ao investimento feito pelos acionistas.

Geralmente se utiliza o lucro de 12 meses no numerador, enquanto no denominador existe mais flexibilidade.

Alguns investidores gostam de utilizar o último balanço divulgado, outros o balanço do início do período, e em outros casos, o patrimônio médio nos últimos 12 meses.

Por exemplo, imagine que determinada empresa lucrou R$ 600 milhões em 2017.

O patrimônio médio da empresa durante este ano foi de R$ 3 bilhões.

Assim, o ROE é de 20% (600/3000).

Definitivamente essa é uma ótima forma de verificar a qualidade da alocação de capital que uma empresa fez em tempos passados.

Geralmente as empresas com ótimas vantagens competitivas possuem um ROE elevado.

O que é um ROE elevado? De preferência acima da taxa básica de Juros, a taxa Selic.

E logicamente, quanto maior melhor.

Empresas que possuem baixa necessidade de capital, marcas muito fortes, ou outra vantagem competitiva importante, conseguem ter esta métrica bastante elevada.

É o caso da Apple, por exemplo, que possui uma marca reconhecida mundialmente.

Aqui no Brasil, empresas como a Multiplus e Wiz, por exemplo, gozam de contratos exclusivos.

Além do modelo de fidelização e de corretagem de seguros, respectivamente, exigirem baixa necessidade de investimentos.

Por outro lado, toda empresa possui um preço máximo a partir do qual o investimento não faz sentido.

Desta forma, mesmo empresas com excelentes resultados não valem infinitamente.

Uma das formas de ponderar estes dois fatores, qualidade e preço, é através da fórmula mágica de Joel Greenblatt.

Cada investidor tem a sua maneira de realizar o valuation de uma empresa.

No vídeo abaixo, o Luiz Barsi, mentor da Suno e grande investidor brasileiro, comenta a respeito de como avaliar o preço de uma ação.

P/VPA

O P/VPA é um indicador relacionado ao valuation de uma empresa.

Basicamente, este indicador é formado pela divisão da cotação da ação pelo patrimônio líquido por ação.

Por exemplo, suponha que a empresa do exemplo anterior tivesse 60 milhões de ações em circulação.

Assim, o VPA médio no ano é de R$ 10 por ação (R$ 600 milhões / 60 milhões de ações).

A cotação da ação em uma determinada data era de R$ 20.

Logo, o P/VPA foi de 2 vezes (20/10).

Como interpretar o P/VPAcomo interpretar o patrimônio

O indicador P/VPA precisa ser utilizado com muita cautela.

Muitos investidores amadores utilizam o P/VPA como critério definitivo para saber se uma ação está sendo negociada com desconto.

Isto é, uma ação com P/VPA abaixo de 1 seria uma ação barata enquanto uma ação com P/VPA acima de 1 seria uma ação cara.

Mas este raciocínio nem sempre está correto.

VPA e valor intrínseco

O VPA não necessariamente corresponde ao valor intrínseco, ou preço justo de uma companhia.

Primeiro de tudo, muitos ativos registrados no balanço estão com valores históricos, e não atualizados pelo mercado.

Além disso, existem muitos ativos intangíveis cujo valor não se encontra registrado nas demonstrações contábeis.

Ou mesmo que esteja, muitas vezes são amortizados e passam a valer contabilmente cada vez menos.

Entretanto, este cenário pode gerar diversas distorções visto que algumas marcas valem cada vez mais apesar dos ativos relacionados estarem sendo reduzidos.

Warren Buffett fala sobre este assunto no caso de alguns de seus investimentos.

O preço pago por ele em algumas de suas participações ocasionou um ativo chamado “Goodwill”, que foi sendo amortizado ao longo dos anos.

Entretanto, este excesso contábil pago, também chamado “Goodwill”, estava relacionado a marcas que foram valendo cada vez mais.

Desta forma, a realidade econômica apontava numa direção e a contabilidade em outro. Uma aberração.

Todos estes exemplos foram citados para que você não cometa o erro de deixar de comprar uma boa empresa apenas porque o P/VPA está elevado.

Se você espera comprar ações da Apple ou do Google apenas pagando os valores dos servidores, pode esperar sentado.

Este mesmo raciocínio se aplica à Ambev. Você não vai conseguir comprá-la pagando apenas o valor das fábricas de cervejas.

Quando utilizar o P/VPA

Existem algumas situações em que o uso do P/VPA faz mais sentido.

Por exemplo, no caso de instituições financeiras.

Estas empresas costumam registrar os seus ativos e passivos de maneira que refletem, em média, o valor de mercado destes títulos ou compromissos, respectivamente.

Assim, o valor de liquidação da empresa e o patrimônio se aproximam.

Mas é claro que as empresas devem possuir negócios sólidos e lucrativos.

Caso contrário, a ação ficará sempre descontada em relação ao VPA. E o barato vai acabar saindo muito caro.

P/VPA em fundos de CRI

O P/VPA também pode ser utilizado no contexto dos fundos imobiliários (FIIs) de recebíveis (CRI).

Geralmente, o valor do patrimônio destes fundos reflete de maneira mais adequada a realidade econômica.

Este não é o caso de muitos fundos de “tijolo”, que investem em propriedades cuja avaliação é feita de maneira mais irregular.

Se você quiser saber (quase) tudo sobre fundos imobiliários, não perca os relatórios do “Google” dos FIIs, o professor Baroni.

Conclusão sobre o Patrimônio Líquidoconclusão patrimônio

O patrimônio de uma sociedade mede a riqueza da sociedade que pertence aos acionistas, ainda que este valor seja na realidade muito maior do que o registrado.

Todavia, analisar a evolução do patrimônio líquido por ação, além de indicadores de mercado e financeiros, traz mais clareza ao investidor na hora de decidir por um novo investimento.

 

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Rodrigo Wainberg

Rodrigo Wainberg

Profissional aprovado no Level III da certificação CFA, investidor em ações há 6 anos, possui registro de Analista e Consultor de Valores Mobiliários, e é Bacharel em Física pela UFRGS.