Apesar de eu ser um entusiasta da renda variável, eu não sou radical. Eu acredito que existe espaço para a renda fixa em um portfólio.

Quem acompanha nosso trabalho sabe da minha preferência por ativos de renda variável, como ações, fundos imobiliários e ações estrangeiras.

Um portfólio construído com ativos geradores de caixa nessas classes de investimento deve produzir a melhor combinação para uma carteira previdenciária.

Mas existem momentos que não existem oportunidades tão claras no mercado. Nestes momentos, a renda fixa representa um porto seguro enquanto as oportunidades não aparecem.

Pensando nisso, eu e o professor Baroni criamos um minicurso gratuito de Tesouro Direto. Através dele você vai aprender sobre essa categoria de investimento que possui cerca de um milhão de investidores.

Não espere milagres do tesouro direto: ele é renda fixa. O que ele tem de interessante são os baixos custos de transação que levam a uma rentabilidade superior as demais alternativas de baixo risco e alta liquidez.

Alguns investidores defendem com unhas e dentes a renda fixa: afinal durante muito tempo ela permitiu uma combinação interessante de alto retorno, baixo risco e liquidez praticamente imediata.

É bem verdade que nos últimos 20 anos a renda fixa superou o IBOVESPA.

Mas é importante levantar alguns detalhes nesta comparação.

Primeiramente, o IBOVESPA não reflete a realidade do mercado de capitais brasileiro. O investidor que tivesse distribuído seu capital igualmente entre todas as empresas listadas teria superado a renda fixa.

O problema é a construção do IBOVESPA. No começo dos anos 2000 ele tinha uma concentração enorme de empresas de telefonia e “tecnologia”, entre elas a finada Globo Cabo (código em bolsa PLIM4) e a semi-morta Telemar (atual Oi). Estas empresas tinham modelos de negócios complicados ou produziam prejuízos homéricos.

E as empresas de telecomunicações que davam lucros, eram negociadas na casa de 50x lucro. A bolha da internet veio para o Brasil através da valorização excessiva das empresas de telecom, o setor mais próximo das empresas .com que tínhamos no Brasil.

Já na metade dos anos 2000 o índice se concentrou em empresas de commodities. Vale, Petrobras e as siderúrgicas chegaram a representar mais de 40% do índice. Justamente no auge do ciclo das commodities.

Então, o Ibovespa tem este problema: ele tem uma tendência cíclica. Compra no auge do ciclo, vende no fundo.

O investidor não é obrigado a seguir este movimento.

Outro fator importante a levar em consideração na competição entre renda fixa e IBOVESPA: os últimos 20 anos foram atípicos no que se refere às contas públicas. Nos últimos 20 anos, o governo brasileiro não fez nenhuma renegociação da dívida pública. Mas nos últimos 100 anos, o Brasil se reuniu com credores para negociar durante 8 ocasiões. Como as contas públicas estão em situação crítica atualmente, uma nova rodada de renegociações não pode ser descartada no futuro.

Os últimos 20 anos foram uma exceção. Fato é que desde sua criação, em 1968, o IBOVESPA valorizou-se mais que o índice americano Dow Jones,  em dólares. Por incrível que pareça, o Brasil foi um dos melhores mercados acionários do mundo, mesmo quando medimos em dólares.

Tudo isso ocorreu com muita volatilidade, é verdade.

Dito isso, eu não descarto a renda fixa. Existe espaço para ela.

Nosso amigo e mentor Luiz Barsi, o maior “advogado” do mercado acionário que eu conheço, aplica na renda fixa quando não existem oportunidades. Ele explica sua estratégia e o uso da renda fixa neste vídeo.

E é exatamente assim que vejo a renda fixa: um porto seguro para manter os seus recursos enquanto não surgem oportunidades claras no mercado de renda variável.

Além disso, a renda fixa é a melhor alternativa de investimento para aplicar os recursos que você pode precisar no curto prazo ou em uma emergência.

Pensando nisso te convido novamente a se inscrever no nosso minicurso de Tesouro Direto, que é a maneira mais democrática e acessível para destinar os recursos que você pretende aplicar na renda fixa.

P.S.: o professor Baroni durante anos dedicou-se a investir somente em tesouro direto. Até conhecer os fundos imobiliários. Desde então, ele focou neste segmento do mercado, que é ideal para investidores de longo prazo que não querem se expor a muita volatilidade.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.