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Paciência: o atributo mais importante de um investidor

By 22 de maio de 2017 No Comments

Recentemente escrevemos um artigo no qual questionávamos quando seriam os momentos para vender uma posição acionária.

Em contrapartida, existe a pergunta oposta, que indaga para quando seria o momento ideal para a compra de ativos.

A resposta para essa pergunta pode ser bem complexa, sobretudo porque muitos investidores têm diferentes pontos de vista sobre estratégias de investir o seu capital.

Uns preferem correr riscos elevados na tentativa de ganhos rápidos no curto prazo.

Outros são mais pacientes e investem visando a associação em bons negócios com dividendos generosos e que sejam lucrativos.

É claro que respeitamos todos os pontos de vistas e opiniões.

Porém, quem nos segue a mais tempo e conhece a abordagem que utilizamos e sugerimos nos investimentos, sabe que na nossa visão, a melhor alternativa para o investidor é ser paciente e esperar o melhor momento para comprar quando os preços dos ativos estão em “promoção”, e isso está diretamente relacionado à disciplina de saber esperar.

Como o mercado é cíclico, alternando entre momentos de altas e baixas, o ideal é o investidor se portar sempre de maneira serena e calma, aguardando o momento ideal para agir.

Nessas épocas de liquidação dos ativos e quedas mais acentuadas, popularmente conhecidas como crises, enquanto a maioria se retrai, se escondendo da tempestade a fim de perder menos ou se proteger, vendendo seus ativos e fugindo para a tranquilidade da renda fixa, os investidores de valor, aqueles que visam o longo prazo, saem às compras e aproveitam para se associarem a boas empresas que há muito tempo já tinham interesse, porém, seus preços se encontravam altos, tornando inviável a aquisição em momentos anteriores.

Quando uma pessoa procura um automóvel para comprar à vista, por exemplo, o indicado é que se procure o veículo de interesse a um preço mais baixo que o do mercado, e isso requer paciência e calma para encontrar uma oportunidade que valha a pena, já que nem sempre consegue-se comprar o automóvel com um bom desconto rapidamente.

Se formos ansiosos na hora da compra de um automóvel, por exemplo, podemos acabar pagando caro, comprando “a qualquer preço”.

Sobre os investimentos, deve-se fazer análise e agir da mesma forma.

É claro que para as corretoras e bancos isso não é interessante, visto que esse comportamento significa um giro menor na carteira do investidor, o que acarreta menos taxas de corretagem cobrados e por consequência menor faturamento para essas instituições.

Por isso, é comum vermos corretores, gerentes e consultores sugerindo operações de curto prazo que possibilitam ganhos altos (ou perdas altas) em um pequeno espaço de tempo, tudo isso para atrair mais clientes. A intenção é que o investidor pague o máximo de corretagem e taxas extras possíveis, pouco importando, em muitos dos casos, se o cliente atingirá o objetivo ou não, ou se está entrando em operações, de fato, atrativas.

Recomendamos fortemente aos nossos leitores que façam o contrário, ou seja, sejam pacientes e de preferência movimentem suas carteiras a menor quantidade de vezes possível.

Já mencionamos isso muitas vezes anteriormente, porém sempre gostamos de lembrar e reforçar a metáfora do senhor Luiz Barsi, quando o mesmo diz se comportar no mercado com um jacaré de boca aberta esperando pela presa.

Perceba como ele comenta sobre os momentos de oportunidades no mercado e fala a sua opinião a respeito dos preços das ações:

Repare como ele diz enfaticamente que o “o Brasil é um mercado de oportunidades”.

Quem poderia discordar?!

Warren Buffett, o maior de todos, pensa de forma semelhante. Prova disso foram suas compras logo após o “crash” de 1987 e também depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Certamente, aqueles não eram momentos de estabilidade do mercado financeiro americano e Buffett simplesmente ignorou o fato e saiu para comprar a preços baixos, enquanto a grande maioria se desesperava e vendia seus ativos com grandes prejuízos.

É importante perceber que é muito comum sermos influenciados pelo meio à nossa volta, principalmente quando sentimento da maioria é o medo e a desconfiança.

No mercado financeiro essa influência também acontece com frequência, porém é importante o investidor trabalhar o exercício do autocontrole.

Buffett em outra ocasião menciona que o que ele avalia primeiramente em uma empresa é o seu “business”, ou seja, o negócio em que a empresa está inserida, a sua gestão, o seu mercado, o seu potencial futuro de geração de lucros. Daí sim, por último, depois de toda essa análise, e somente se ela for satisfatória, ele olha o seu preço:

“Eu olho primeiro para a empresa, e aí eu tento avaliá-la, depois eu olho para o preço (das ações). Se o preço estiver bem abaixo daquilo que eu avaliei, então eu vou comprá-la. ”

É fácil deduzir que, se o preço estiver baixo, ele compra e faz um bom negócio, e se estiver alto, ele espera baixar.

Simples assim!

Outro comparativo pode ser feito com um jogador de Poker esperando pelas boas cartas para começar uma rodada.

Certamente os jogadores mais experientes esperam pacientemente que a combinação de fatores externos (ou seja, aqueles que eles não podem controlar) seja ideal para que possam entrar no jogo e assim usar suas habilidades para tentar tirar vantagem da situação.

Geralmente esses fatores podem ser uma boa combinação de cartas em sua mão, a saída de outro jogador da mesa ou o preço do petróleo no oriente médio. A verdade é o que o motivo em si não importa, pode ser qualquer um, o que importa é que ele aconteceu e gerou uma oportunidade. Cabe ao player perceber o momento favorável e ter a coragem para agir.

A análise da situação no momento e o aproveitamento da oportunidade é o que faz esses investidores terem sucesso, e não a imitação do comportamento da maioria.

Um dos maiores rebatedores do baseball, Ted Williams, usava muito da paciência para ter sucesso em suas rebatidas.

Ele costumava dizer que “para um rebatedor, a coisa mais importante é se ter uma bola boa para rebater. “

A grande questão é que uma bola boa não é arremessada a todo instante, é preciso observar e esperar até que a “bola boa” se apresente, e aí então se aproveita a oportunidade.

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Baseado nisso, ele se valia de muita paciência e bom senso para escolher o momento certo e aí sim dar o golpe certeiro em sua rebatida para ter sucesso na sua missão.

No mercado financeiro as coisas também são assim.

Recentemente muitos casos de escândalos políticos vêm afetando diretamente a economia do país, inclusive afastando investidores estrangeiros.

Muitas pessoas que investem, influenciadas muitas vezes pelos bombardeios de notícias pessimistas dos jornais, se desesperam nesses momentos e procuram vender o quanto antes suas posições a fim de diminuírem os prejuízos.

Os investidores de valor fazem o oposto. Eles agem com calma, paciência e tranquilidade.

Baseado nas comparações feitas acima, o investidor deve se portar da mesma maneira, esperando pacientemente que os fatores que ele não pode controlar – economia, inflação, política, tragédias – forneçam uma combinação ideal que faça com que os preços de seus ativos de interesses caiam, gerando assim boas oportunidades de compra.

Esse sim é o momento ideal de comprar e esse sim é o jeito que os investidores de sucesso atuam.

Se funciona com eles, certamente pode funcionar com qualquer pessoa, basta ter calma e paciência para pôr essas atitudes em prática.

Nessas horas, eles saem para as compras pois sabem que são nesses momentos que a presa cai inocentemente na boca do jacaré, e o mesmo se beneficia e tira o justo proveito da situação.

Não é uma tarefa fácil, realmente, já que por vezes precisamos de um longo período de espera para encontrarmos boas oportunidades, mas uma hora a oportunidade virá, e em se tratando de Brasil, ela costuma vir com maior frequência, e assim os pacientes são recompensados. Dessa forma, temos convicção em afirmar que o exercício da paciência e autocontrole nos investimentos geram resultados grandiosos.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.