Por: Tiago Reis

Os 5 estágios do desenvolvimento – Parte II

Ao avaliar uma empresa, é fundamental compreender em que estágio de desenvolvimento ela se situa para que possamos adotar as métricas e perspectivas corretas de modo a trazer verossimilhança para nossa análise.

Segundo Aswath Damodaran, professor de valuation e finanças corporativas, as companhias se desenvolvem em cinco estágios. Na Parte I deste texto apresentei os dois primeiros estágios do desenvolvimento de uma empresa. No presente texto, apresentarei os três estágios restantes.

 

Crescimento elevado

Após o segundo estágio, a empresa entra em uma fase de crescimento acelerado, em que é de extrema importância a mensuração do engajamento dos usuários, pois este definirá a capacidade de monetização da companhia. Obviamente, para modelos de negócio distintos, deverão ser utilizadas métricas diferentes.

De um modo geral, podemos considerar que as questões-chave para as quais os gestores devem se atentar são a utilização e a satisfação dos clientes em relação aos produtos e serviços oferecidos pela empresa.

Neste ponto, com o número de usuários em amplo crescimento, a métrica mais importante na avaliação do valor justo da empresa é o engajamento dos usuários. Quanto mais engajados os usuários forem, maior o potencial de retenção de clientes da companhia.

Como, neste estágio, o número de usuários tende a crescer em ritmo acelerado, é importante compreender a capacidade de reter os clientes, pois não adianta adquirir muitos clientes mas perdê-los com o tempo.

Como a empresa já possui um histórico de resultados neste estágio, a avaliação da companhia passa a ponderar os resultados passados com as perspectivas futuras. Assim, os maiores direcionadores do valor da empresa serão o crescimento das receitas e a capacidade de reinvestimento.

Neste estágio, a empresa enfrenta algumas ameaças. Um dos principais pontos a ser considerado é o elevado custo do crescimento, que pode impossibilitar que a empresa ganhe eficiência e, por consequência, melhore a rentabilidade.

Valuation e precificação de ativos

Maturidade

No estágio de maturidade, o crescimento da companhia desacelera e a empresa precisa ganhar eficiência. Aqui, a concorrência ganha força e a empresa precisa sustentar vantagens competitivas para manter a rentabilidade, mesmo em um estágio de desaceleração do crescimento.

É necessário que a empresa sustente margens de lucro satisfatórias e crescimento acima da inflação para que se mantenha como um investimento interessante. Neste estágio, a avaliação da empresa considera o histórico de resultados e a capacidade de manutenção das margens e rentabilidade. Neste ponto, as expectativas futuras perdem relevância e os resultados se tornam fundamentais.

Os principais direcionadores de valor da empresa se tornam a margem operacional e a margem líquida, como indicadores da capacidade da empresa em transformar as receitas em lucros. Além disso, nessa etapa , é importante analisar o retorno sobre o capital investido, pois este indicador apresentará a capacidade de reinvestimento da empresa.

A principal ameaça, neste estágio, é a negação às dinâmicas do mundo, uma vez que muitos gestores acreditam que os resultados passados são indicadores de resultados futuros. Entretanto, a dinâmica da economia pode trazer disrupções tecnológicas que ameaçam os lucros da empresa. Cabe à gestão estar atenta para antecipar as mudanças e proteger seus lucros.

 

Declínio

O estágio final de um empreendimento é bastante desafiador. Com queda nas receitas, a empresa deve analisar possibilidades de retornar ao estágio de crescimento. Caso este cenário não se mostre viável, a gestão deve estudar as alternativas possíveis, que geralmente envolvem retornar os fluxos de caixa aos acionistas ou liquidar parte de sua operação.

Neste estágio, uma análise detalhada dos fluxos de caixa é fundamental. Assim, o investidor é capaz de compreender os investimentos necessários para a manutenção da operação, bem como o potencial da empresa em retornar recursos aos acionistas.

Aqui as expectativas futuras se tornam praticamente irrelevantes e os números apresentados pela empresa são fundamentais na avaliação do seu valor justo. Os direcionadores do valor são os dividendos e o custo da dívida da empresa. Quanto maiores os dividendos e menores os custos da dívida, mais valiosa será a empresa.

 

O tempo que as empresas passam em cada estágio é variável e uma empresa pode recomeçar o ciclo através de inovações e renovação. É muito importante que a gestão esteja atenta ao ambiente competitivo de modo a se manter à frente da concorrência, sustentando um crescimento longo e elevado pelo tempo que for possível. A companhia deve estar atenta para o momento do ciclo em que se encontra de modo a aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças inerentes ao estágio de desenvolvimento.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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