Por: Tiago Reis

O que torna uma empresa excelente?

A grande questão do investimento em valor é encontrar excelentes negócios. Porém, melhor ainda do que encontrar estes excelentes negócios é encontrá-los a um excelente preço. Trata-se do cerne desta filosofia de investimentos.

De fato, é muito difícil encontrar empresas com grande potencial de compor valor ao longo do tempo. Descobrir uma nova Apple, Johnson & Johnson ou Berkshire Hathaway é muito difícil. Estas empresas que apresentam bons resultados são muito mais facilmente identificadas após mostrarem retornos extraordinários ao longo do tempo.

Numa análise visando um investimento de longo prazo, deve-se buscar boas empresas, que apresentem um desconto em relação ao seu valor intrínseco e, sobretudo, que o investidor esteja disposto a segurar por longos períodos.

Neste ponto, pode surgir a seguinte indagação: o que seria uma boa empresa?

Uma boa empresa é aquela capaz de se sair bem diante de competidores (por vezes afastando-os), ao mesmo tempo que será capaz de gerar retornos generosos por muito tempo.

Valuation e precificação de ativos

Claramente, qualquer indivíduo pode olhar para o histórico de retornos de uma companhia para checar se ela se beneficiou de alguma vantagem competitiva no passado. No entanto, a meta deve ser encontrar uma empresa com potencial de manter a geração de retornos em excesso no futuro, auxiliada por uma vantagem competitiva duradoura.

Para isso, é preciso entender a geração de caixa do negócio. Deve-se examinar o cenário competitivo da indústria, focando em descobrir como uma dada companhia compete dentro do setor e segmento de atuação.

Neste processo, estamos buscando por vantagens competitivas estruturais, que protegem a empresa dos competidores. Este tipo de vantagem é chamado de “economic moat”, ou apenas “moat”, nas literaturas em inglês.

Num castelo medieval, o fosso cheio de água que o circunda para proteger da entrada de inimigos é chamado de moat. O termo foi transportado para o mundo dos investimentos por Warren Buffett, de modo que, neste âmbito, a expressão se refere à capacidade do negócio em manter vantagens competitivas capazes de protegê-lo de seus competidores, realizando função análoga à dos moats de castelos.

Geralmente, os moats são originados de pelo menos uma das cinco fontes de vantagens competitivas, analisadas de maneira qualitativa:

  • Vantagens de Custo: permite que a companhia venda seus produtos ou serviços por um valor menor ou igual ao de seus concorrentes, mas com margens muito melhores;
  • Ativos Intangíveis: marcas, patentes e benefícios regulatórios;
  • Custos de Troca: clientes não conseguem trocar seu produto pelo concorrente sem inconvenientes ou custos elevados;
  • Vantagem de Escala: ocorre quando o tamanho da operação de uma empresa traz vantagens que os concorrentes não possuem;
  • Efeito de Rede: o valor do produto ou serviço cresce à medida que mais pessoas o utilizam.
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Olhando do ponto de vista das vantagens competitivas, podemos analisar as empresas além dos ruídos e oscilações do mercado, deixando de lado os movimentos diários de cotação das ações, enquanto se busca entender o valor dos fluxos de caixa de uma empresa. Esta é a base do sucesso para o investimento no longo prazo.

Quando são empregados esforços para analisar o valor intrínseco de um papel, e, apenas posteriormente comparar com a sua cotação atual, o investidor passa a pensar como dono do negócio, potencializando as chances de sucesso em seus investimentos.

Muitas pessoas consideram apenas alguns pontos na hora de analisar empresas, como o valuation e margem de segurança. De fato, estes são pontos de suma importância. No entanto, analisar a sustentabilidade das vantagens competitivas também é um ponto essencial do estudo que não deve ser negligenciado.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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