Hoje eu irei compartilhar um pensamento feito por um membro de nossa equipe.

É a primeira vez que eu faço isso, mas desta vez vale a pena.

O texto foi produzido por Felipe Tadewald, membro de nossa equipe. Faço deles as minhas palavras.

Confira o texto escrito pelo Felipe Tadewald

Em períodos de queda da bolsa ou de maior volatilidade eu vejo muitas pessoas inquietas, insatisfeitas e ansiosas, pensando se realmente fizeram um bom negócio comprando ações, o que leva muitos a se arrependerem ou desistirem do mercado.

Normalmente eu percebo que a maioria das pessoas entram na bolsa querendo ver o patrimônio crescer, crescer e crescer, e apenas isso.

Eles querem comprar ações, para verem suas ações subirem cada vez mais e um dia ficarem “ricos”, ou seja, com um patrimônio grande, e apenas isso.

Eu acho isso engraçado e sempre me pergunto: Por que os investidores que entram no mercado de ações, entram (a maioria) pensando unicamente na valorização dos ativos?

Ou seja, se um ativo cai, ele é “ruim” e talvez seja a hora de desistir do mercado e se sobe, então é uma empresa boa e está se fazendo o correto.

Será que é tão importante assim que as ações se valorizem? O investidor deve mesmo torcer para que suas ações subam sempre? É um motivo para se comemorar?

O que fazer após o patrimônio valorizar (se ele se valorizar mesmo) um dia? Esse patrimônio pagará suas contas?

Quando comecei a investir em ações, lá por meados de 2009, eu também pensava assim.

Queria sempre que as ações subissem e eu adorava ver o patrimônio crescendo, era algo animador e me alegrava, ao passo que as quedas me deixavam ansioso e triste.

Depois de alguns anos, no entanto, após estabelecer a estratégia de acumulação de ações com foco no longo prazo, comecei a perceber que com os ativos subindo, e ficando mais caros, eu poderia comprar cada vez menos ações, e me sentia inclusive mais “pobre” por isso.

Era até meio paradoxal.

Outro ponto é que, conforme as ações subiam, menores eram os yields dos papéis, e logo, menor seria também a renda gerada por dividendos através do capital aplicado, ou seja, mais tempo levaria para eu me “aposentar”, atingir a independência financeira.

Conforme fui investindo, aportando e estudando sobre o mercado, o meu foco principal foi mudando e passei mesmo a ter o maior interesse no recebimento de dividendos e proventos através da estruturação de uma carteira previdenciária, para gerar uma renda complementar para o presente e para o futuro, o que também já fortalecia meus aportes naquele momento.

Dessa forma, comecei aos poucos a ver a queda com outros olhos.

Peguei todos os anos de 2011 a 2015, onde a bolsa praticamente só andou de lado e caiu, e embora no início eu tenha de fato me frustrado um pouco por ver meus ativos só desvalorizando ou parados (a maioria), o fato de poder comprar ações e fundos imobiliários com dividend yield elevados e preços baixos (alta margem de segurança) me agradava e muito.

Fui percebendo que minha renda passiva estava crescendo de forma atrativa, embora ainda fosse pequena, ela não parava de evoluir e em 2015, o ano que foi um “caos” na bolsa, em especial no final, foi uma época maravilhosa para se comprar ações e fiis com altos dividendos.

A minha renda passiva já representava quase 60% dos meus aportes. Na prática, eu estava ganhando mais que “meio aporte” de “bônus”.

Isso foi me dando a certeza de que eu estava no caminho certo, afinal, com a renda crescente, um pouco mais próximo eu estava da independência e liberdade financeira a cada dia.

Hoje, passado todo o cenário tenebroso da crise (parcialmente), com muitos ativos mais caros novamente, vejo muitos comemorando que a bolsa está subindo e estão “ganhando muito dinheiro”, mas eu volto a me perguntar: Qual o sentido de comemorar tanto a valorização, se você acabará comprando menos por mais, e ganhando menos dividendos?

Ou seja, na verdade a alta pode estar te afastando da independência financeira.

Obviamente que, conforme as empresas lucram mais e crescem, as cotações tendem a evoluir também, e isso é positivo, mas não devemos esperar que as ações subam em linha reta e nem torcer por isso, pois neste cenário eu vejo uma grande dificuldade do investidor atingir a independência financeira um dia, sem falar que esse cenário praticamente inexiste.

Eu percebo muitos comemorando a alta apenas por estarem vendo as ações subirem e o patrimônio crescer, e pouco se importam com os dividendos da empresa ou a saúde financeira do negócio.

Claro que também, para aqueles que pretendem ver o patrimônio crescer para um dia vender tudo, aplicar em renda fixa e viver com os juros da rf (em torno de 3-4% reais) essa estratégia pode fazer sentido, mas para aqueles que têm como foco viver de dividendos e rendimentos pagos pelos ativos, esses deveriam comemorar quando as quedas ocorrem e aproveitarem esses momentos, que são os melhores para irmos às compras.

Vejam um exemplo: Se uma empresa hoje paga R$ 1,00 em dividendos ao ano e custa R$ 20,00, isso significa que ela tem um dividend yield de 5% ao ano.

Caso ocorra uma crise, e a cotação da ação caia profundamente e vá para R$ 8,00, por exemplo, o yield iria para 12,50%. Na prática, R$ 10.000 aplicados numa empresa com yield de 12,50%, geram uma renda 150% maior que R$ 10.000 aplicados num ativo que paga 5% ao ano.

Se a cotação cair para R$ 5,00 então, fica algo absurdo, pois o yield seria de 20% ao ano, um patamar extremamente elevado.

Já liguei algumas vezes para o Barsi em momentos de queda e em momentos de alta, e conforme conversávamos, adivinhem, ele sempre se mostrava muito mais animado e feliz quando as ações estão em queda, ao passo que se mostrava desanimado com as ações em alta, mesmo com o patrimônio se valorizando.

Muitos não entendem isso, né?

Barsi enxerga as coisas dessa forma pois sabe que, quando as ações caem muito, ele pode acumular muitas ações por menos dinheiro e, consequentemente, receber muito mais dividendos.

E como Barsi é o rei dos dividendos e sempre teve o foco na geração de renda passiva, ele sabe que os momentos de quedas são os menores para se comprar ações.

No meu caso, eu só passei a navegar de forma tranquila nesses mares revoltos da bolsa de valores quando passei a me focar nos dividendos e na renda passiva, passando a olhar menos para o patrimônio, afinal de contas, não é o patrimônio que pagará minhas despesas no futuro, e sim meus dividendos.

Acredito que todo mundo que se sente desconfortável com as oscilações do mercado ou mesmo não sabe muito bem o que quer do mercado (afinal, por mais que seu patrimônio acabe crescendo, se ele não gerar bons dividendos que paguem suas contas, de nada adiantará), deveria se focar mais no recebimento dos dividendos e olhar menos para o patrimônio.

O crescimento do patrimônio é uma consequência natural de boas escolhas realizadas, de empresas saudáveis, bons fundos imobiliários e do próprio reinvestimento de dividendos.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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