O que fazer

O que fazer: 3 mitos sobre investimentos de longo prazo

By 23 de outubro de 2017 No Comments
O que fazer Mitos do investimento de longo prazo

Nessa semana eu vou falar sobre alguns mitos sobre o investimento de longo prazo que não são verdadeiros.

Mitos como os que dizem que a bolsa de valores é só para ricos, ou que só quem tem muito conhecimento sobre finanças é capaz de ganhar dinheiro, são amplamente difundidos e propagados.

Outros mitos que são frequentemente propagados e difundidos no mercado são alguns sobre o Value Investing.

Muitos me perguntam o que é ser um value investor, e como se tornar um, e muitos que iniciam nessa estratégia, acabam indo por um caminho que considero errado.

Vejo muitos mitos em torno do value investing, que acabam por prejudicar e inclusive, dar a impressão que essa estratégia é pouco eficiente e deve ser evitada, o que me deixa triste.

Se os investidores entendessem o que esta por trás desses mitos, conseguiriam investir com essa filosofia de forma muito mais inteligente.

Para auxiliar os investidores que querem seguir o value investing e esclarecer alguns mitos que rondam essa estratégia, enumerei abaixo 3 dos principais mitos, que devem ser compreendidos e evitados.

A) Value Investing é Buy and Hold

Value Investing não é Buy and Hold, no sentido de comprar e segurar para sempre as ações em qualquer situação, ou esquecê-las na carteira.

Value Investing é “Buy and Homework”. Ou seja, “comprar e fazer a lição de casa”.

Na maior parte das vezes, os fundamentos das empresas não se modificam, e sendo assim, mantê-las em carteira é recomendável.

Por outro lado, caso uma empresa que esteja na sua carteira passe a se deteriorar expressivamente, perdendo seus fundamentos de maneira permanente, a melhor coisa que se pode fazer é vender enquanto há tempo.

Um exemplo dessa situação é a Eternit.

A Eternit foi uma empresa que, durante muitos anos, foi um ótimo ativo, rendia bons dividendos e era lucrativa, mas há alguns anos a empresa passou a se deteriorar de uma maneira que era definitiva (e está se mostrando) e nessa condição, o melhor que o investidor poderia fazer era vender suas ações.

Quem vendeu Eternit a tempo se deu bem melhor do que quem ficou no barco afundando.

Acompanhar as empresas é sempre fundamental e deve ser uma prioridade do investidor.

Por isso, compre boas empresas e mantenha-as em carteira.

Mas sempre faça a sua lição de casa, acompanhando seus números, seu endividamento, seu desempenho operacional, para sempre estar por dentro de uma possível forte deterioração dos seus fundamentos.

B) Value Investing é ser Contrarian

Value investing também não é ser apenas puramente contrarian. “Contrarian” no sentido de ser sempre do contra.

Você não irá fazer o contrário, apenas por estar seguindo o caminho contrário da manada.

Isso não é o suficiente e nem o certo.

Você tem que fazer o contrário e além de seguir o caminho oposto, também tem de estar certo.

Um bom exemplo dessa situação nós tivemos esse ano, em maio, na delação da JBS, onde o investidor inteligente estava comprando, fazendo o contrário da massa (que estava vendendo), mas não somente por estar seguindo o caminho oposto dos investidores amedrontados que estavam vendendo, mas sim porque ele via que aquela situação era apenas um pânico pontual, e pouco impactaria as operações e o dia a dia das empresas.

O investidor inteligente nessas situações deve sempre se manter racional e averiguar se o pânico tem realmente fundamento, quais os impactos que as notícias ou o medo desenfreado podem trazer ao dia a dia das empresas, e estar focado em uma visão de longo prazo.

C) O investidor de valor gosta de risco

O investidor de valor na verdade não gosta de risco, bem pelo contrário, é um investidor que tenta minimizar ao máximo os riscos.

E alguma das formas do investidor de valor minimizar os riscos é escolhendo empresas sólidas, com bons números operacionais e que estejam saudáveis, e a outra é comprando muito na “bacia das almas”, ou seja, quando as empresas estão muito descontadas e o pior cenário já está precificado.

Comprando empresas sólidas, fortes geradores de caixa, lucrativas e que pagam dividendos, e além disso, comprando-as por preços atrativos, é uma das formas mais eficientes e inteligentes de se minimizar o risco no investimento em ações.

Se você se interessa por Value Investing e deseja conhecer de perto os principais investidores que seguem essa filosofia de investimentos, eu gostaria de fazer um convite para participar de nossos Congresso de Value Investing que ocorrerá nesta sexta-feira em São Paulo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.