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O que fazer: 2 jeitos de lidar com o atual mercado

By 9 de outubro de 2017 No Comments
O que fazer

A capa da The Economist desta semana traz a figura do touro e as palavras “The Bull Market in Everything”, que em português seria algo como “todos os mercados em alta”.

E a capa da Economista, desta vez, está certa. Não há como negar.

Eu escrevi outro dia no nosso Grupo do Facebook: “Conforme as ações sobem o Everest, o oxigênio das oportunidades se torna mais escasso.”

Outra frase do Warren Buffett vem a memória: “Tenha medo quando os outros estão gananciosos e seja ganancioso quando os outros estão com medo.”

Vivemos em um momento em que quase todos os mercados negociam próximos da máxima: de bitcoins até ações brasileiras, de startups até imóveis em Vancouver no Canadá.

Existem motivos para otimismo?

Sim.

Nenhuma grande economia esta em recessão, e a maioria das economias operam de maneira saudável.

A principal economia mundial, a americana, está mais saudável do que nunca: com o consumidor reduzindo dividas, as empresas com trilhões em disponibilidades e o governo com um déficit em queda.

A Europa esta se recuperando.

A grande preocupação é a China, esta sim um potencial castelo de areia. Como o Estado é o grande alocador de capital, exageros podem ter sido cometidos: sobretudo na construção civil, em que foram construídas verdadeiras cidades fantasmas.

Muitos especialistas, como o famoso investidor Jim Chanos, vêm alertando faz anos a respeito dos potenciais riscos da China. Por enquanto, a China tem se safado. Vamos ver por quanto tempo.

A maioria dos conflitos do mundo são brigas de twitter (como a disputa EUA x Coréia do Norte) ou discussões internas sem grandes potenciais destrutivos (como independência da Catalunha).

Se existe motivo para otimismo, existem oportunidades de investimento? Sim, mas elas são cada vez mais difíceis de se encontrar.

O cenário atual me lembra muito o cenário de 2012: ações próximas da máxima e juros baixos em todo mundo.

O que deu certo naquela vez? Renda fixa (pós fixada) e bons ativos.

E é exatamente isso que eu acredito que você deveria fazer hoje.

Direto ao ponto: O que fazer quando tudo se valorizou? Duas alternativas.

A) Investir em renda fixa.

Esta estratégia é bem explicada pela analogia da boca do jacaré de Luiz Barsi.

Basicamente, recomendo que vocês guardem em um fundo de renda fixa, com as seguintes características: pós fixada, com resgate imediato e com taxas de administração baixas.

A renda fixa, não deve ser interpretada como um instrumento de criação de riqueza.

Estes tempos ficaram para trás. Quem demorar para perceber isso também vai ficar para trás.

A renda fixa, neste caso, deve ser utilizada como um instrumento para manutenção dos recursos financeiros enquanto oportunidades não surgem. Afinal, ninguém guarda dinheiro debaixo do colchão.

A renda fixa é aonde deixaremos nossa pólvora armazenada para utilizar nos dias sangrentos, como foi no dia 18 de maio, dia da delação da JBS.

Naquele dia fomos bastante assertivos: era dia de ir as compras.

Não era dia de vender. E muito menos de comprar o “seguros catástrofes”, que se mostraram uma catástrofe de seguro, afinal quem comprou estes seguros perdeu tudo.

O Brasil é uma país com volatilidade 3 vezes maior que os EUA, cedo ou tarde surge algum evento que derruba o mercado como um todo ou algum ativo especifico.

Com a Operação Lava Jato na rua, ninguém sabe o dia de amanhã na política e as consequências disso no mercado acionário.

B) Ser ultra seletivo na escolha de ativos.

Quando eu digo ser ultra seletivo, me refiro primeiramente a qualidade do ativo, ou seja: sua capacidade de gerar caixa.

Neste momento, invista apenas em ações ou fundos imobiliários que gerem caixa.

Num segundo momento, seja seletivo em preço também.

Repare na ordem dos fatores: eu não recomendo comprar apenas ativos baratos. O primeiro critério é a qualidade.

Existem diversas construtoras problemáticas que negociam a metade do valor patrimonial. Este tipo de empresa, pode quebrar em qualquer virada de ciclo.

Não é isso que queremos.

Queremos empresas rentáveis, geradoras de caixa e que possível paguem dividendos.

Destas empresas, sugiro comprar aquelas que paguem um bom yield.

Afinal, se o mercado andar de lado ou apresentar pequenas perdas, ainda assim você sairá no lucro.

Além disso, estas empresas tendem a ser muito menos voláteis, protegendo parcialmente seu capital caso uma crise ocorra.

Nossa Carteira Dividendos possui algumas oportunidades com essas características.

E qual a proporção na alocação de capital entre as alternativas A e B? Se você é um poupador mensal, eu sugiro 50% em A e 50% em B.

Estamos em tempos difíceis em termos de opções de investimento.

Não é hora de tomar risco excessivo.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.