Por: Tiago Reis

O que define um bom investimento?

Por mais que pareça trivial, essa é uma pergunta sem resposta correta. Cada indivíduo terá seus próprios objetivos com um investimento e, portanto, existem inúmeras respostas válidas para essa pergunta.

Algumas pessoas buscam rentabilidade, outras, segurança. Independentemente do objetivo, cada indivíduo apresentará sua própria resposta. Um único indivíduo pode, inclusive, ter diversas respostas.

Para cada investimento que faço, tenho objetivos distintos e, portanto, tenho inúmeras respostas para o que acredito ser um bom investimento.  Hoje, comentarei sobre minha opinião acerca desse tema, apresentando uma das respostas.

Lembre-se, comentarei apenas sobre uma das possíveis respostas, portanto, esse não é o único critério que utilizo para buscar bons investimentos. Mas, quando encontro uma oportunidade como a que descreverei a seguir, dificilmente a deixo passar.

Planilha Vida Financeira

Em primeiro lugar, busco empresas com rentabilidade elevada. Com rentabilidade, neste caso, estou me referindo ao retorno sobre o capital investido (ROIC). O ROIC é um indicador sem fórmula definida, uma vez que, para cada empresa, temos que fazer uma análise detalhada de seu modelo de negócio na tentativa de compreender quais dados são mais adequados para o cálculo.

Podemos usar como retorno o lucro operacional, o lucro líquido, o fluxo de caixa livre ou outras métricas de retorno, a depender do caso estudado. O capital investido também deve ser considerado caso a caso, uma vez que cada modelo de negócio exige investimentos em determinadas áreas para trazer retorno e, portanto, não existe uma única maneira de calculá-lo.

O ROIC elevado é importante, entretanto, caso a empresa não tenha capacidade de reter lucros e reinvestir mantendo o ROIC, a utilidade deste indicador passa a ser limitada. Deste modo, a segunda característica que busco em uma empresa é a capacidade de reinvestimento.

Quando uma empresa consegue reter boa parte de seus lucros para reinvestir em seu negócio com elevada rentabilidade, temos uma compounder.

Vamos a um exemplo para facilitar a compreensão. Obviamente, o exemplo será simplificado para fins didáticos.

Considere duas organizações, a Empresa 1 e a Empresa 2. A Empresa 1 possui um ROIC de 20% e capacidade de reinvestir apenas 30% dos lucros, enquanto a Empresa 2 possui um ROIC de 20% e capacidade de reinvestir 80% dos lucros.

Ambas as empresas conseguem reinvestir mantendo o ROIC de 20%, entretanto, a Empresa 1 não possui muitos projetos internos rentáveis, o que limita a capacidade de reinvestimentos e, portanto, o crescimento dos lucros.

Provavelmente, a Empresa 1 distribuirá parte de seus lucros como dividendos, enquanto a Empresa 2 investirá em seus projetos internos para elevar seus lucros em ritmo acelerado.

Por mais que a empresa 1 tenha um ROIC elevado, seus lucros crescerão aproximadamente 6% ao ano, uma vez que ela consegue reter 30% dos lucros para reinvestir com um retorno de 20%.

Já a Empresa 2, conseguirá expandir seus lucros em ritmo muito mais acelerado, pois ela retém 80% dos lucros para reinvestir no próprio negócio com um ROIC de 20%, o que resulta em um crescimento dos lucros de 16% ao ano.

Como investidores, pensamos no longo prazo, deste modo, analisemos o crescimento do lucro destas organizações em 10 anos.

Em uma estimativa simplificada, a Empresa 1, neste período, vivenciará um crescimento dos lucros de aproximadamente 79%, enquanto a Empresa 2 expandirá seus lucros em aproximadamente 341%.

Obviamente, os ganhos do investidor da Empresa 1 não se limitam ao crescimento dos lucros. Provavelmente, uma empresa que não possui projetos internos rentáveis distribuirá parte significativa de seus lucros aos acionistas na forma de dividendos ou recomprando ações.

Entretanto, este exemplo tem o objetivo de mostrar que a capacidade de retenção de lucros para reinvestir com retornos elevados pode ser um ponto bastante positivo quando analisamos uma oportunidade de investimento.

A terceira característica importante quando penso em investimento está relacionada à gestão da empresa. Em minha opinião, é muito importante que a gestão da companhia tenha interesses alinhados aos dos acionistas.

Um grande indicativo é a presença da gestão no quadro de acionistas da empresa. Quando os gestores também são acionistas, a probabilidade de alinhamento de interesses se eleva, por mais que nem sempre isso seja verdade.

Outro indicativo interessante é a ausência de conflitos de interesses entre os acionistas. Quando uma empresa é controlada pelo governo, por exemplo, os interesses provavelmente não estão alinhados. Deste modo, buscamos empresas que não possuem tais conflitos.

Por fim, para que um investimento seja excelente, temos que pagar muito menos do que acreditamos que a empresa vale. Esse é o conceito de margem de segurança extensamente discutido em nossos textos.

Suponhamos que você avaliou as ações da Empresa 2 e, em suas estimativas, elas valem $1 cada. Seria muito bom poder pagar $0,50 em cada ação, entretanto, caso surja a oportunidade de comprar a mesma ação por $0,30, o investimento se tornaria muito melhor.

Por outro lado, pagar mais do que a empresa vale em suas estimativas pode arruinar o investimento que, em outro preço, seria excelente. Como disse Warren Buffett na reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway deste ano (2019), “você sempre pode transformar um bom investimento em um mal negócio ao pagar caro demais”.

Deste modo, em minha opinião, um bom investimento pode ser a aquisição de ações de uma empresa com rentabilidade elevada e com alta capacidade de reinvestimento dos lucros, cuja gestão possui interesses alinhados aos interesses dos acionistas e que esteja sendo negociada a um preço muito inferior ao seu valor intrínseco.

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Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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