Por: Tiago Reis

O Produto Interno Bruto (PIB)

Nas últimas décadas, o Produto Interno Bruto se tornou uma das principais medidas da atividade econômica de um país. Você com certeza já ouviu falar sobre esse tema, mas será que você compreende o real significado do PIB?

Vamos começar com um pouco de história.

Desde o início do século XX, as moedas de todos os países que estavam inseridos no comércio mundial eram lastreadas em ouro, ou seja, quanto mais ouro um país tinha, mais moeda ele poderia imprimir.

Portanto, naquela época, certa quantidade de ouro dava direito à impressão de uma unidade monetária. O lastro direto no ouro deixou de existir com o acordo de Bretton Woods assinado em 22 de julho de 1944.

Tal acordo estabeleceu, entre outros elementos, que todas as moedas do mundo seriam rigidamente atreladas ao dólar. Apesar do desaparecimento do lastro direto no ouro a partir deste acordo, o dólar continuaria sendo lastreado em ouro, o que manteve a economia indiretamente lastreada em ouro.

Por uma série de fatores, entre eles a imprudência dos Estados Unidos na gestão deste novo sistema, o acordo foi abandonado em 15 de agosto de 1971. A partir desta data, o lastro em ouro das moedas dos países que participavam do comércio mundial deixou de existir.

Neste momento, surge uma questão importante a ser definida. Como seria determinado a força monetária de um país?

O lastro da moeda, passou a ser feito pela riqueza produzida por determinado país. Com riqueza, quero dizer os bens e serviços produzidos. Neste momento o Produto interno Bruto (PIB) passa a ser importante.

Existem diversas maneiras de medir a produção de um país, pois são muitas as metodologias e medidas estatísticas que podem ser criadas com o intuito de mensurar a geração serviços e bens de uma nação, entretanto, o Produto Interno Bruto é uma das mais utilizadas.

Segundo José Cláudio Securato, CEO de uma das mais renomadas escolas de negócios do país, PIB é o “valor total da produção atual de bens e serviços finais, obtida em uma determinada região (município, estado ou país), em determinado período de tempo, normalmente, trimestre ou ano.”

Por mais que a definição pareça complexa, podemos torná-la simples. Existem dois pontos importantes. O primeiro, diz respeito à “produção atual”. Isso significa que são considerados no cálculo do PIB, apenas os bens produzidos naquele período. Itens que foram produzidos em momentos anteriores e que foram revendidos no período atual, não são considerados nos cálculos.

Para exemplificar este conceito, consideremos que você comprou uma casa em 2009 que foi construída no mesmo ano. Quando essa casa foi construída, o preço que você pagou no imóvel foi considerado no cálculo do PIB, entretanto, caso você opte por revender a casa em 2019, o preço de revenda não será considerado no PIB de 2019.

Operações em que não há produção de bens ou serviços, como operações de ativos financeiros, entre eles ações e títulos, também são transações que não são consideradas no cálculo do PIB.

Outro ponto de suma importância na definição do PIB são os “bens e serviços finais”. Este ponto é relevante, pois no cálculo do PIB, todos os bens intermediários da cadeia produtiva são desconsiderados.

Pense no caso do imóvel anteriormente mencionado. Todos insumos utilizados para a construção da casa são considerados bens intermediários, pois são utilizados como matéria-prima para a produção do bem final que, neste caso, é a própria casa. Os tijolos, concreto e quaisquer outros materiais que foram utilizados para a construção da casa não são considerados no cálculo do PIB.

Sabendo a definição do PIB, podemos ir além para compreender como ele é calculado.

Existem basicamente dois métodos para o cálculo do PIB, são eles, o Método do Produto e o Método do Valor Agregado.

Vamos considerar um exemplo para facilitar a compreensão. Pense que você é dono de uma pizzaria cuja pizza de calabresa utiliza como insumos R$2,00 de massa e R$5,00 de ingredientes. Você comercializa sua pizza por R$15,00.

O Método do Produto considera para o cálculo do PIB apenas o valor final do produto (R$15,00).

O Método do valor agregado soma o valor agregado em cada estágio do processo produtivo. A produção da massa agrega R$2,00 na cadeia, os ingredientes, por sua vez, agregam R$5,00 na cadeia. Já a fabricação da pizza propriamente dita, soma R$8,00 na cadeia, resultando nos R$15,00 utilizados para o cálculo do PIB.

Sabendo as formas de calcular o Produto Interno Bruto, precisamos fazer uma distinção importante. Pense que nos exemplos mencionados, um dos fatores mais importantes é o preço dos produtos. Assim, surgem dois elementos relevantes. O PIB nominal e o PIB real.

O PIB nominal mede o valor dos bens e serviços pelo atual valor de mercado, enquanto o PIB real mede o volume físico do produto. Para facilitar o entendimento vamos a um exemplo.

Imagine que o PIB nominal de um país em determinado ano é R$1 bilhão. No ano seguinte, a produção de bens e serviços no país permaneceu constante, entretanto, o preço de todos os produtos e serviços aumentou em 100%.

Como resultado, teríamos um aumento do PIB nominal para R$2 bilhões, entretanto, como não houve aumento da produção de bens e serviços, o PIB real permaneceu constante. Esse conceito é importante para reconhecer os efeitos inflacionários no PIB.

Além deste conceito, existe um último ponto importante que eu gostaria de abordar. Se trata do Produto Nacional Bruto (PNB). Diferentemente do PIB, o PNB representa a renda dos residentes de uma economia, independente da geografia da produção.

Imagine a seguinte situação. Você é residente do Brasil, mas abriu uma fábrica de chocolate no Paraguai. Por mais que seus produtos sejam considerados no cálculo do PIB do Paraguai, como os rendimentos são de posse do investidor brasileiro, eles são considerados no cálculo do PNB do Brasil.

Deste modo, podemos concluir que o PIB é uma métrica da atividade econômica do país, enquanto o PNB mede a renda dos residentes de uma economia.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

1 comentário

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  • Paulo A Franke 27 de maio de 2019

    A pergunta é sobre efeito do crédito e endividamento no PIB.

    Tivemos de 2003 a 2013 uma louca explosão de crédito (e sua contrapartida, o endividamento) no Brasil, estimuladíssima pelos governos lulistas, com propósitos claramente eleitoreiros.

    Nesse período de 11 anos, o estoque total de crédito na economia (igualmente dividido entre famílias e empresas) foi de 25% do PIB em 2003 para 56% do PIB, em 2013.

    31% do PIB em 11 anos, quase 3% de doping injetado nas veias da economia, por ano.

    A pergunta é a seguinte: vou ao banco e contrato um financiamento de 100 mil reais. Pego os 100 mil, vou a uma concessionária, e compro um carro à vista, pelos 100 mil.

    O que acontece com o PIB?

    Aparece essa compra do carro (ou venda do carro) de 100 mil no PIB, mas não aparece minha dívida de 100 mil com o banco? Não tenho os 100 mil com renda minha real, mas para o PIB tudo se passa como se fosse renda real minha?

    Se só aparece no PIB a compra (ou venda) do carro, e não a minha dívida com o banco, os ‘anos de ouro e de crescimento do lulismo’ foram um grande golpe, mais glorioso ainda do que o golpe de 2016.

    Ah sim: o que aconteceu com o estoque total de crédito, de 2013 até agora? Murchando, murchando, murchando…

    De 56% do PIB em 2013, a bolha de crédito já desinflou para 47%. Quase 10% do PIB em 5 anos, devastador. Depois do voo de galinha, a galinha pousou. The chicken has crash landed.

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