Negócios Maravilhosos

Warren Buffett, o oráculo de Omaha, parece ter uma capacidade fora do comum de visualizar “negócios maravilhosos”.

Com toda a sua experiência e sensatez, os resultados de seus investimentos superam os 20% ao ano demonstrando toda a sua visão e competência quando o assunto é o mercado financeiro.

Com certeza, para apresentar resultados tão sólidos como esses ao longo do tempo, Buffett não deve se apoiar em fatores que fogem ao seu controle, como a sorte, por exemplo.

Ao contrário disso, esse gênio dos investimentos certamente se utiliza de uma base sólida de conhecimentos, que com certeza não garantem o acerto da totalidade de suas convicções, mas diminuem em muito as margens de risco de suas aplicações.

Como o mesmo costuma dizer: “O preço é o que você paga; o valor é o que você leva. Falando de ações ou de meias, eu gosto de comprar mercadoria de qualidade quando está barato. ”

Dessa forma, não fica difícil perceber que seus conceitos são perfeitamente alinhados com os fundamentos do Value Investing e que seu foco está na associação de longo prazo com saudáveis e promissoras empresas que se encontram a preços atrativos.

Porém, uma dúvida comum que pode surgir na cabeça de investidores sobre esse assunto é a respeito de quais seriam os critérios que o levariam a identificar uma empresa que se enquadre nessa situação.

Identificando os negócios maravilhosos

Fácil certamente não é, afinal, como mencionado anteriormente, a experiência desse senhor o auxilia fortemente no momento de suas tomadas de decisões.

Porém, existem indicadores com bases fundamentalistas que o auxiliam a definir os parâmetros de suas análises sobre as empresas e seus balanços, que o fazem ter sucesso e conseguir, com frequência, identificar e então se associar a empreendimentos promissores com verdadeiros perfis de “negócios maravilhosos”.

Recorrência

Warren costuma ter a recorrência como um de seus critérios mais importantes a ser analisado antes de investir.

Ou seja, dificilmente Warren Buffett investirá e alocará seus recursos em negócios que não apresentem recorrência de vendas e faturamento, ou seja, negócios pouco estáveis, sem constância, que apresentam muita volatilidade de demanda, além de volatilidade de preços, são negócios que Buffett costuma evitar.

Seu investimento em Coca Coca, por exemplo, é um investimento que preenche esse critério de recorrência, já que o negócio de bebidas é, por si só, anti-cíclico e recorrente. Dificilmente o preço para se produzir bebidas sofre grandes e expressivas oscilações (como as oscilações do preço do minério e outras commodities por exemplo) e, mais dificilmente ainda, a demanda por esse tipo de produto sofre grande volatilidade, o que acaba gerando um fluxo de caixa mais previsível, constante e uma operação mais segura no longo prazo.

Negócios com esse perfil dificilmente sofrem grandes oscilações em seus resultados e perspectivas e por conta disso, costumam ser bons investimentos, como de fato foi investir em Coca Cola para Warren Buffett, ou mesmo para quem investiu em Ambev (negócio similar) no Brasil.

Boa Gestão

Ser uma empresa que atua num segmento rentável e com boas perspectivas não é o suficiente. Múltiplos baratos e valuation atrativo, isolados, também não são suficientes para o Oráculo de Omaha. Warren Buffett costuma olhar, acima de tudo isso, para a gestão das empresas, sendo o histórico de gestão e alinhamento dos gestores um dado fundamental na hora de investir.

Uma empresa que tenha uma gestão eficiente, que sabe onde e quando cortar custos, que maximiza historicamente os resultados entregues aos acionistas e valoriza seus investidores, sempre tomando as melhores medidas, é uma empresa que tem tudo para entregar ótimos retornos no longo prazo.

De pouco servirá uma empresa ter um valuation relativamente barato e estar num segmento rentável se a sua gestão é pouco eficiente, muito onerosa e não tem se provado capaz ao longo do tempo.

Portanto, analisar a gestão, saber quem são os diretores envolvidos na empresa, o histórico dos mesmos, o histórico de resultados da empresa sob a gestão deles, a remuneração da diretoria, etc, é fundamental.

Retorno Sobre Capital (ROIC)

“Um negócio realmente excelente deve ter um “fosso” duradouro que proteja excelentes retornos do capital investido.”

Essa é uma afirmação que Warren Buffett fez em uma carta divulgada aos acionistas da Berkshire Hathaway no ano de 2007.

Essa frase diz muito sobre o método Buffett de investir e sobre a importância que ele dá ao retorno sobre o capital investido, também conhecido como ”ROIC”.

Warren Buffett sempre priorizou adquirir e se tornar sócio de empresas que conseguem produzir altos retornos com baixa necessidade de alocação de capital, ou seja, empresas que investem pouco e lucram muito sobre o valor investido.

Em sua carta divulgada em 2007 ele cita o caso de uma empresa de chocolates que foi um belo investimento de Buffett e que no ano de 2006 entregava um Ebit de U$ 82 milhões ao ano para um capital requerido ( para manter o negócio) de U$ 40 milhões, ou seja, um retorno sobre capital investido de mais de 200% ao ano.

Negócios que exigem um baixo capital e baixo capex, e que, principalmente, rentabilizem este capital de forma atrativa, são negócios que tendem a entregar retornos acima da média no longo prazo, além de possibilitarem um natural pagamento de dividendos mais elevado.

Histórico de boa alocação de capital

Empresas que possuem um histórico eficiente de alocação de capital costumam ser as melhores opções de investimentos em termos de investimentos em ações, afinal de contas, se a empresa está adquirindo projetos que estão entregando expressivas taxas de retorno, e que possibilitam um forte crescimento no lucro, naturalmente estas ações tendem a se valorizar bastante ao longo do tempo.

Muitas empresas deixam de distribuir dividendos para alocarem o capital em novos projetos, aquisições, etc, porém, no final das contas, muitas vezes essas empresas não estão investindo o dinheiro da forma mais rentável possível, e muitas vezes acabam por entrar em projetos que geram retornos baixos ou até mesmo prejuízos.

Assim, se uma empresa não está distribuindo muitos dividendos, ou seja, não encontra-se com um Payout elevado, é “obrigação” da mesma estar investindo em projetos rentáveis, que geram maiores retornos do que o acionista iria obter utilizando o dinheiro e investindo de sua própria forma.

Por isso, é sempre importante, antes de investir, analisar o histórico de aquisições e investimentos da empresa (M&A), verificar se suas subsidiárias e empresas adquiridas estão em um segmento com boas perspectivas e que apresentem historicamente crescimentos nos lucros.

Evite empresas que pagam poucos dividendos e que a retenção de capital que ela faz nunca entrega retorno, de fato, aos acionistas.

Muito cuidado com grandes promessas

Por vezes muitos investidores são levados a acreditar em promessas de grandes retornos e promessas grandiosas envolvendo projetos de empresas ou mesmo perspectivas, promessas essas que são feitas, muitas vezes, por parte de diretores ou CEO de empresas sem histórico nenhum e que não podem ser provadas completamente.

A OGX do Eike Batista é um exemplo de grandes – e falsas – promessas. A empresa que nunca havia gerado lucro, encantava muitos investidores com suas promessas de supostos valiosos poços de petróleo a serem explorados cujas produções, de acordo com as estimativas e promessas do próprio Eike Batista, atingiriam níveis muito elevados e tornariam a empresa uma gigante do seu segmento, o que de fato, nunca se concretizou.

Assim, recomendamos que os investidores nunca sejam seduzidos por grandes promessas e grandes expectativas de ganhos, já que, quase sempre, elas escondem enormes perigos e não passam de puro marketing, que um controlador ou diretores mal intencionados podem realizar para angariar compradores e, às vezes, venderem suas próprias posições do “outro lado.”

Empresas que já apresentam um histórico relativamente grande e que hoje apresentam bons números, sem depender de nenhuma grande promessa ou milagre no futuro, são as empresas que mais gostamos e que Buffett também prefere, e utilizando dessas premissas, o investidor consegue escapar de inúmeras armadilhas que tanto prejudicam muitos investidores e os afastam do mercado de capitais, em alguns casos, eternamente.

Na Suno Research, buscamos recomendar negócios que se encaixariam na definição de Negócios Maravilhosos usadas por Warren Buffett aos nossos clientes. Caso tenha se interessado pela abordagem de investimentos, convidamos você a conhecer nossos relatórios premium clicando aqui.

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