O bolero dos dividendos
Por: Jean Tosetto

O Bolero dos Dividendos

A russa Ida Rubinstein foi uma mulher à frente de seu tempo. Rica de nascença, ela se tornou atriz e bailarina, atravessando as duas guerras mundiais do século 20 fazendo caridade e cuidando de feridos em combate. Dona de um corpo esbelto e sensual, ela combinou a figura de mecenas e musa inspiradora para diversos artistas, entre eles o pintor impressionista Valentin Serov, que lhe fez um retrato em 1910, e o compositor francês Maurice Ravel – a quem Ida encomendou o “Bolero”: um clássico da música erudita desde 1928.

O Bolero de Ravel apresenta uma linha melódica simples, mas envolvente, que se repete várias e várias vezes num crescendo até o ápice e grande final, após 17 minutos de execução abarcando uma orquestra inteira.

A música começa com instrumentos de percussão, numa batida militarizada que dita o ritmo e a persistência de toda a peça. Em seguida uma flauta tímida apresenta o motivo do Bolero, que repetição após repetição vai ganhando a companhia de outros instrumentos, como harpas, saxofones e violinos, aumentando o volume do som e provocando reverberações cada vez mais intensas.

Ao ouvi-la prela primeira vez (e aqui registramos a sincera inveja de quem ainda ouvirá o Bolero de Ravel pela primeira vez) uma pessoa logo assimila a “história” contada pelos movimentos que crescem numa espiral em torno de um ponto central. Fica claro que, por questões de limitações físicas, a música vai acabar em alguma passagem. Porém, teoricamente ela poderia se desenvolver indefinidamente, até alcançar todo o universo.

Ravel interrompe esta progressão com uma espécie de explosão de sons, sem deixar impune quem ousa expor seus ouvidos para esta experiência, pois a música segue tocando na mente daqueles que foram capturados por seu feitiço.

Se tivéssemos que explicar a teoria dos juros compostos usando apenas uma música, ela certamente seria o Bolero de Ravel, que podemos apontar também como a trilha sonora perfeita para aqueles que adotam a estratégia dos dividendos para investir na geração de renda passiva.

Tudo começa com uma inspiração. Quem decide buscar a independência financeira através de uma carteira previdenciária, formada por ativos disponíveis nas bolsas de valores, precisa de bons e justificáveis motivos. Certamente cada um tem os seus e eles não necessariamente precisam ser personificados numa musa como Ida Rubinstein.

Antes de iniciar, é preciso assimilar alguns conceitos como disciplina e persistência num ritmo constante: é assim que os percussionistas atuam nas orquestras. Sem essas características não há como sustentar a linha melódica que conta um procedimento simples que deverá ser repetitivo.

E qual seria este procedimento?

Aportar recursos em ativos financeiros que pagam dividendos, sejam eles ações de empresas com ótimos fundamentos, ou fundos imobiliários lastreados por desempenhos constantes. Os dividendos devem ser reaplicados juntos com novos recursos para fazer o ciclo se repetir indefinidamente.

No começo o volume dos aportes poderá ser pequeno e o retorno através dos dividendos também. Mas a constante repetição de tal melodia despertará novos acompanhamentos, conforme a diversificação dos investimentos for aumentando.

Se no princípio o investidor aporta apenas numa empresa ou fundo – uma flauta isolada – com o tempo novos instrumentos vão sendo incorporados na sua carteira onde o gestor, feito um maestro, vai introduzindo novos componentes na sua orquestra. Aqui, saxofones e violinos se misturam com transmissoras de energia, bancos e seguradoras.

E se o Bolero de Ravel leva 17 minutos para acionar toda a orquestra que o executa até o ápice, o investidor que adota a estratégia dos dividendos poderá levar alguns anos – talvez 17 – até ouvir aquela explosão de sons comunicando que seu objetivo foi alcançado, sem que o mesmo possa deixar de sentir a melodia seguindo indefinidamente.

Está em dúvida sobre quais instrumentos você deve incorporar na sua orquestra de investimentos? A Suno Research está aqui para lhe prover auxílio. Pronto para começar? Então ouça a música que poderá te acompanhar nesta jornada:

 

Jean Tosetto

Arquiteto e urbanista formado pela FAU PUC de Campinas, tem escritório próprio desde 1999. Autor e editor de livros, é adepto do Value Investing. Colabora com a Suno Research desde janeiro de 2017.

13 comentários

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  • Paulo Otavio de Oliveira 23 de dezembro de 2019

    Simplesmente espetacular!!!

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  • Esdras 25 de janeiro de 2020

    Fenomenal essa apresentação, comparação prática com os juros compostos??????

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  • Luciano 25 de janeiro de 2020

    Muito bom! Ouvi a música com os olhos fechados após ler o texto, a cada revolução que a música dá é acrescentado um instrumento um “toque”, e isso vai se somando aos que já tinham.

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  • Sérgio Sousa 25 de janeiro de 2020

    Parabéns, texto e contexto de pleno conhecimento naquilo que se expressa.
    OBRIGADO por compartilhar todo SEU conhecimento.

    Responder
  • Clóvis 25 de janeiro de 2020

    Muito pertinente. A analogia da música e o comportamento dos juros compostos. Parabéns

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  • Anderson 25 de janeiro de 2020

    Sensacional! Parabéns pela excelente analogia.

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  • Victor 25 de janeiro de 2020

    Excelente analogia, encaixou perfeitamente.

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  • Hamilton 25 de janeiro de 2020

    Magistral o texto e emocionante a apresentação da orquestra. Show!

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  • Camila 26 de janeiro de 2020

    Espetacular! Já tinha ouvido o bolero, mas não completo, mas com a introdução do texto, e ouvi-locompleto! Foi perfeito! Obrigada!

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  • Mariana 26 de janeiro de 2020

    Texto de abordagem única! Belas palavras.

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  • Selma 27 de janeiro de 2020

    Sem palavras, o que nos resta é agradecer por cada conhecimento compartilhado. Temos que compartilhar O Bolero dos Dividendos.

    Responder
  • Luciano 30 de janeiro de 2020

    Se vc comprar OIBR3 então podemos comparar a banda calipso fez um mega barulho e agora virou pó kkkk

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  • Rannyel Abreu 24 de abril de 2020

    Ótima analogia. Parabéns pelo texto.

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