Por: Tiago Reis

Michael Steinhardt e o Círculo de Competência (Parte I)

Após falar sobre o círculo de competência ontem, resolvi aproveitar o “gancho” e falar ainda um pouco mais, trazendo o exemplo de Michael Steinhardt. Com sua história, é possível mostrar que sair da zona de nosso círculo de competência pode custar caro. Por outro lado, também veremos que erros não são o fim do mundo e até mesmo os melhores investidores estão sujeitos a eles.

Uma das chaves para administrar seu dinheiro com sucesso é aceitar o fato de que existem tempos em que seu estilo de investimentos estará menos favorável. Nestes momentos, muitos começam a buscar oportunidades fora do círculo de competência. Trata-se de uma atitude muito arriscada, que pode trazer sérios danos ao bem-estar financeiro do investidor.

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Em 1994, Michael Steinhardt e seus investidores aprenderam esta lição.

Afinal, quem foi Steinhardt?

Michael Steinhardt é uma daquelas pessoas que nasceu para o stock picking. Existem várias histórias de investidores que começaram carreira cedo, mas Steinhardt, de fato, começou a investir com o dinheiro de seu bar mitzvah.

Em sua autobiografia, Michael fala sobre o despertar de seu interesse pelo investimento em ações quando ele tinha cerca de 13 anos. A partir daí, Steinhardt sempre direcionou seus estudos e carreira para serem focados no mercado americano.

Ele foi um dos pioneiros do negócio de fundos de hedge e, junto com George Soros e Julian Robertson, foi um dos três gigantes desta indústria. Sua empresa, a Steinhardt, Fine, Berkowitz & Company abriu as portas em 1967, com US$ 7,7 milhões. Desde sua concepção até a aposentadoria de Steinhardt em 1995, o retorno anual médio foi de 24,5%.

Para se ter uma noção da magnitude que este retorno representa, cada dólar investido com Steinhardt, em 1967, teria se “transformado” em cerca de 480 dólares no dia em que ele se aposentou de seus trabalhos. O mesmo dinheiro investido no S&P 500 durante todo este período valeria apenas US$ 19 no final das contas.

Sua forte paixão pelo mercado de ações fez com que ele se desenvolvesse e estivesse apto a prosperar em quase todos os cenários do mercado durante sua carreira de três décadas. Até mesmo quando seus pares não estavam prosperando.

Isso foi observado claramente quando o bull market do final da década de 1960 se desacelerou. Nessa época, muitos dos fundos de hedge tiveram dificuldade em bater o mercado. Enquanto a maioria deles estava em declínio, o fundo de Steinhardt prosperava, alcançando retornos expressivos.

O primeiro deslize

Apesar da performance excepcional de Michael Steinhardt, ele também experimentou momentos ruins no mercado. Em 1987, ele viu seu fundo ser assolado pelo crash daquele ano, ao mesmo tempo em que ele aumentava os problemas comprando mais futuros do S&P na manhã da black monday.

Mas tudo bem, ninguém viu este crash chegando. Com a liderança de Steinhardt, o fundo se recuperou e voltou a prosperar. No entanto, o que aconteceu em seguida proporciona uma das lições mais importantes que podem ser aprendidas com este investidor.

Amanhã trarei a segunda parte, na qual abordo o restante dessa história de Michael Steinhardt e seu comportamento com relação ao seu círculo de competência.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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