Por: Tiago Reis

O Mercado Monetário

Recentemente, resolvi escrever alguns textos sobre o mercado financeiro. Abordei o funcionamento do Mercado de Capitais com seu objetivo de financiar a atividade econômica de médio e longo prazos através de seus produtos de renda fixa e variável (debêntures e ações).

Hoje, apresentarei o Mercado Monetário, peça fundamental do mercado financeiro sem a qual, a economia permaneceria estagnada.

A estruturação do Mercado Monetário tem por objetivo o controle da liquidez monetária da economia. Através deste mercado, o governo exerce as políticas monetárias estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central, na tentativa de estimular o crescimento econômico sem que ocorra um surto inflacionário.

Com o objetivo de controlar a liquidez monetária, este mercado é, obviamente, caracterizado por operações com títulos de alta liquidez, em que os prazos de negociação são curtos (geralmente curto e curtíssimo prazos).

O prazo de negociação e a liquidez dos títulos são características interligadas, uma vez que a alta liquidez se deve ao fato de existirem diversos compradores e vendedores envolvidos diariamente na negociação destes papéis, o que reduz o horizonte da operação.

No mercado de capitais, mencionado anteriormente, os títulos negociados não possuem tamanha liquidez, uma vez que o objetivo é o financiamento das atividades econômicas de médio e longo prazos.

Assim, o mercado de capitais é altamente influenciado pelo mercado monetário, pois o último está intimamente ligado à liquidez da economia, bem como à inflação e taxa de juros básica, variáveis fundamentais para nortear o crescimento econômico no longo prazo.

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Existem dois grupos de títulos negociados no mercado monetário, são eles, os títulos públicos e os títulos privados.

Os títulos públicos são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional e, por consequência, pelo Governo Federal, com o objetivo de financiar o orçamento público. Existem diversos títulos públicos, cada qual com sua peculiaridade.

Basicamente, os títulos têm a mesma finalidade, variando a rentabilidade e a forma de pagamento.

As Letras do Tesouro Nacional (LTN) são títulos de renda fixa com rentabilidade definida no momento da compra, nos quais o pagamento é realizado no momento do vencimento.

As Notas do Tesouro Nacional (NTN), por sua vez, são títulos cuja rentabilidade pode ser prefixada ou atrelada à inflação (a depender da série). O pagamento das NTN é segmentado. Os juros são pagos semestralmente enquanto o principal é pago no vencimento.

Por fim, existem as Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Diferente dos demais títulos, as LFT possuem rentabilidade diária atrelada à taxa Selic. O pagamento deste tipo de título é feito no vencimento.

Estes títulos são de suma importância, pois o Banco Central, através da compra e venda destes títulos do Tesouro Nacional, executa a política monetária com o objetivo de estimular ou frear o crescimento econômico, controlando, assim, a inflação.

Ao perceber uma estagnação da economia, com aumento das taxas de desemprego e queda no crescimento do PIB, o Banco Central intervém, expandindo a moeda e o crédito na economia, numa tentativa de estimular o crescimento econômico e a redução do desemprego.

Caso a oferta de moeda e crédito se torne excessiva, com empregos vagos em demasia, o Banco Central tomará as medidas cabíveis na tentativa de evitar um processo inflacionário desenfreado.

Portanto, o Banco Central negocia títulos públicos com o objetivo de promover crescimento real sustentável mantendo a estabilidade do nível de preços.

Os outros títulos importantes negociados no mercado monetário são os títulos privados.

Existem basicamente dois grupos de emissores de títulos privados, são eles, os bancos e as empresas.

Os bancos emitem dois tipos de títulos que possuem finalidades distintas. Em primeiro lugar, temos o Certificado de Depósito Bancário (CDB). Este título tem como finalidade a captação de recursos para suprir as necessidades de caixa do banco. O recurso captado, muitas vezes, é destinado a empréstimos e financiamentos para empresas.

No início deste texto, mencionei que os títulos negociados no mercado monetário são títulos de alta liquidez. Provavelmente, você conhece o título CDB e sabe que, muitas vezes ele tem vencimento superior a 2 anos.

Entretanto, este título é de alta liquidez, pois se o cliente quiser vender seu título a qualquer momento, ele sempre terá pelo menos um comprador disponível, o próprio banco emissor. Isso torna o CDB um título de alta liquidez.

Além do CDB, existe outro título importantíssimo emitido por bancos com o intuito de captar recursos para igualar a posição de caixa das instituições financeiras. Isso deriva da obrigatoriedade existente no Sistema Financeiro Nacional de que as instituições financeiras devem encerrar o dia com igualdade de volume de recursos que entrou e saiu da instituição.

Assim, os bancos emitem e negociam títulos de CDI para cumprir a obrigatoriedade e não sofrer sanções do Banco Central quanto à operação.

Por fim, as empresas também podem captar recursos no mercado monetário via emissão de títulos de dívida. Esses títulos são conhecidos como debêntures. Comentei sobre as debêntures quando abordei o mercado de capitais, justificando que este título objetiva financiar as atividades de médio prazo da empresa.

Idealmente, as debêntures seriam títulos de alta liquidez e, portanto, títulos negociados no mercado monetário, entretanto, isso não ocorre no Brasil.

Como o mercado brasileiro ainda é extremamente imaturo, não possuímos investidores suficientes para garantir a alta liquidez dos títulos e, portanto, vale ressaltar que, apesar das debêntures serem, idealmente, títulos negociados no mercado monetário, no Brasil, esses títulos ainda não se enquadram neste cenário.

Concluindo, o mercado monetário é fundamental para a manutenção da liquidez e do crescimento da economia. Sem ele, o governo seria incapaz de exercer a política monetária na tentativa de controlar a disponibilidade de moeda e crédito no mercado. Portanto, este mercado é peça-chave no controle do crescimento econômico, da inflação e da taxa básica de juros.

Investindo no Tesouro Direto
Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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