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A hipótese do mercado eficiente: como a teoria divide opiniões

By 28 de agosto de 2018 No Comments
mercado eficiente

Há muitas teorias financeiras que tentam explicar a formação de preços de ativos no mercado de capitais. Dentre elas, uma muito debatida é a hipótese do mercado eficiente.

Existem especialistas e acadêmicos que acreditam na existência de um mercado eficiente, como existem os que se opõe a ele. Mas o que isso quer dizer?

A hipótese do mercado eficiente é uma teoria de investimento que fundamenta que os preços do mercado sempre refletem todas as informações existentes. Logo, não existem ações baratas ou caras. De modo que conseguir retornos acima da média do mercado no longo prazo não é possível. Nem com análise técnica, nem mesmo com análise fundamentalista.

Essa hipótese foi formulada na década de 60 pelo economista americano Eugene Fama em sua dissertação de mestrado. E desde então, é um dos pilares da teoria financeira. Apesar de ser muita questionada.

Dentro da hipótese há três níveis distintos de eficiência:

  • Eficiência fraca: sustenta que o mercado é eficiente em refletir todas as informações públicas disponíveis. Os retornos no mercado são independentes. Logo, retornos passados não ajudam a prever retornos futuros.
  • Eficiência semi-forte: engloba a hipótese fraca e sugere que as novas informações são absorvidas pelo mercado instantaneamente. Dessa forma, os investidores não conseguem resultados acima do mercado com informações conhecidas.
  • Eficiência forte: engloba as outras hipóteses e sustenta que os preços dos ativos refletem instantaneamente todo o tipo de informação. Seja ela pública ou privada. Assim, nenhum investidor conseguiria retornos acima do mercado mesmo que obtivesse uma nova informação.

De uma forma geral, a teoria de mercado eficiente pressupõe que os preços são formados pelo mero acaso.
Já que os preços são resultados de informações que assim que acontecem já são precificadas. Portanto, não há hiato entre o fato e conhecimento dos investidores para considerarem um novo preço do ativo.

Implicações de um mercado eficiente

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Os que acreditam que os mercados são eficientes são defensores de investimentos passivos. Ou seja, de investir em fundos de investimento que acompanham a rentabilidade de um benchmark, como um índice de ações como o Ibovespa ou o S&P 500.

Isso porque nessa hipótese de formação de preços não haveria o que o mercado chama de Alpha. Que significa conseguir retornos acima do mercado por meios de análises.

Na verdade, ao longo do tempo, todos os gestores por melhor que sejam iriam convergir para em média ter a mesma rentabilidade do mercado.

Dessa forma, investir em um fundo ativo, que faz análises de ativos para conseguir Alpha, teria o mesmo resultado e seria mais custoso. Logo, ao longo do tempo, fundos passivos seriam mais vantajosos por terem menores custos ao investidor.

Já os que não acreditam nessa hipótese enfatizam como alguns gestores conseguiram constantemente retornos acima do mercado. Como é o caso de WarrenBuffet.

Mostrando assim que a hipótese não é verdadeira e que bons gestores conseguem retornos acima do benchmark. Logo, investir em fundos ativos de bons gestores é a melhor maneira de conseguir rendimentos maiores.

Assim, a hipótese de mercado eficiente está por trás de uma das maiores discussões financeiras atualmente. Seria melhor o investimento passivo ou ativo? Como não há consenso, o melhor é avaliar se para você a hipótese faz sentido ou não.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.