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    Mercado de ações: saiba como funciona esse ambiente de negociações

    Mercado de ações: saiba como funciona esse ambiente de negociações

    Ao longo do tempo, o brasileiro ficou afastado mercado de ações. Afinal, o país teve um famoso histórico de altas taxas de juros, que favoreciam o mercado de renda fixa, e também de alta inflação, o qual fazia com que muitos recorressem ao investimento em ativos reais imobilizados no mercado imobiliário.

    Contudo, desde o Plano Real, a taxa de juros do Brasil (Taxa Selic) foi sendo reduzida sistematicamente, alcançando patamares muito baixos, o que também favoreceu o controle da inflação. Estes fatores, em conjunto, fizeram com que o investimento no mercado de ações fosse ganhando cada vez mais força.

    O que é mercado de ações?

    O mercado de ações é o ambiente de negociações no qual investidores, através das bolsas de valores, realizam operações de compra e de venda de suas participações acionárias de empresas que possuem capital aberto (as famosas S/A, ou Sociedades Anônimas). Isto além de títulos de dívidas dessas empresas e outros ativos relacionados às mesmas.

    Vale destacar que por conta do seu dinamismo e sofisticação, o mercado de ações é, atualmente, um dos principais componentes e vetores que qualificam os pilares relacionados à conjuntura de livre mercado de uma economia. Afinal, nele os agentes podem negociar livremente seus ativos de forma instantânea e descentralizada.

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    Entre esses ativos negociáveis no mercado de ações, os principais são:

    Vale destacar, ainda, que compreender a dinâmica do mercado de ações é fundamental para toda e qualquer pessoa. Afinal, em uma conjuntura econômica em que as taxas de juros se mostram em tendências de baixa, o conhecimento acerca do mercado de ações se torna ainda mais representativo para aqueles que desejam obter uma valorização de seu patrimônio no longo prazo.

    Em outras palavras, o mercado de ações pode ser muito importante para que poupadores potencializem ganhos ao longo do tempo, formando um patrimônio que seja capaz, por exemplo, de gerar uma renda passiva suficiente para arcar com seus custos de vida.

    Essa já é uma estratégia já muito utilizada em outros países, nos quais a população já entendeu o poder e a importância do investimento no mercado de ações. Nesses países, o percentual da população economicamente ativa (PEA) que investe na bolsa chega próximo de 50%, como nos Estados Unidos, enquanto no Brasil esse número fica próximo de apenas 1 e 2%.

    Importância do mercado de ações

    O mercado de ações é, sem dúvida, um dos vetores mais importantes para o desenvolvimento da humanidade. Afinal, é com ele que as companhias conseguem captar recursos para financiar a criação de novos produtos, serviços e tecnologias.

    Imagine, por exemplo, um cenário hipotético em que o mercado de ações nunca tenha existido. Neste caso, a Apple, a Microsoft, o Google, e todas as outras empresas de capital aberto que são negociadas na bolsa seriam companhias de capital fechado, o que dificultaria o investimento de fundos de investimentos e de outros investidores nessas empresas.

    Neste cenário hipotético, as companhias teriam muita dificuldade de captar dinheiro com sócios. Afinal, não seria possível realizar um processo de follow-on ou de abertura de capital (IPO) com emissão primária de ações para milhões de diferentes investidores no mercado de ações.

    Por isso, se essas companhias precisassem de capital para investir em crescimento, em produtos ou em tecnologia, teriam que captar esse dinheiro com bancos, o que seria muito limitado e custoso. Em outras palavras, essas empresas não teriam muitas opções de financiamento, como é possível no mercado de ações.

    Portanto, podemos afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que as empresas que conhecemos hoje não seriam o que são sem o mercado de ações. Nesse sentido, talvez a Apple não tivesse desenvolvido o iPhone, ou a Microsoft não teria conseguido desenvolver tão bem o Windows.

    Esses são apenas alguns exemplos. Agora imagine o impacto da inexistência do mercado de ações para todas as empresas de capital aberto que conseguiram se financiar por meio do mercado de ações. A humanidade, sem dúvida, não seria a mesma.

    Como funciona o mercado de ações?

    mercado de ações

    Para entender como funciona o mercado de ações, os investidores devem conhecer e saber as características de cada um dos mercados integrantes. São eles: o mercado primário, o secundário e o mercado balcão.

    A seguir, as principais características e como acontece o funcionamento de cada um desses três tipos de mercados.

    1. Mercado primário

    O mercado primário é o mercado no qual empresas podem negociar juntamente com as empresas. Suponha, por exemplo, que uma companhia deseje realizar um grande projeto, mas que para isso ela necessite de uma grande volume de capital.

    Caso essa empresa não deseje pegar todo esse capital emprestado, por meio de dívidas, ela pode ir ao mercado primário e emitir novas ações da empresa. E como é a própria empresa que emite as novas ações, o dinheiro das vendas é destinado para o seu caixa, podendo ser utilizado para o empreendimento proposto.

    Nessa situação, o investidor que comprou as novas ações emitidas no mercado primário acabou negociando diretamente com a companhia. Com isso, a negociação se deu no mercado primário, ao contrário das outras negociações, as quais acontecem no mercado secundário.

    2. Mercado secundário

    Diferente do mercado primário, no mercado secundário as negociações não acontecem entre os investidores e as empresas, mas única e exclusivamente entre os investidores. Com isso, ao comprar uma ação nesse mercado, o dinheiro da venda não vai para a empresa, mas para o antigo investidor que tinha a posse do papel.

    Vale destacar que é no mercado secundário onde ocorre a maior parte das negociações dos ativos do mercado de ações. Além disso, é possível afirmar também que o mercado secundário é responsável por dar liquidez (capacidade de negociação) para os ativos emitidos no mercado primário pelas companhias.

    Afinal, é no mercado secundário é o ambiente no qual os investidores compram e vendem ativos que já foram, na ocasião do mercado primário (ou oferta primária), emitidos pelas empresas em momentos anteriores. O mercado secundário é, portanto, a conjuntura na qual a maioria das pessoas acredita que, de fato, se define o mercado de ações.

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    3. Mercado balcão

    Não há como falar em mercado de ações sem citar, claro, o mercado balcão. Esse mercado é menos conhecido por parte dos investidores, mas também é um ambiente em que ações e outros ativos podem ser negociados, assim como na bolsa de valores.

    Contudo, ao contrário da bolsa, o mercado balcão é mais flexível e menos rigoroso nas negociações. Uma das principais características desse mercado é que quando há uma negociação entre dois investidores, os demais não precisam ficar cientes de quais foram as condições de preço estabelecidas.

    Pode-se dizer, portanto, que no mercado balcão as negociações não são tão transparentes como na bolsa de valores, justamente pela menor regulamentação e pela maior flexibilidade possibilitada. Apesar de parecer estranho, esse tipo de mercado é muito importante para o mercado de ações.

    Isso porque muitas companhias ficam de fora da bolsa de valores pelos altos custos para listagem em um mercado com tantas exigências e regulamentações. Então, uma alternativa para essas empresas terem acesso aos investidores (normalmente mais experientes) é por meio do mercado balcão.

    Quem participa do mercado de ações?

    mercado de ações

    Depois de conhecer os diferentes tipos de mercados, é fundamental entender também quem participa do mercado de ações e de que forma e com qual objetivo essa participação de cada um dos agentes acontece.

    Basicamente, os agentes de mercado são os negociadores, os reguladores e os investidores. Abaixo, as funções e o objetivo de cada um desses três principais agentes do mercado de ações.

    Negociadores

    Os negociadores do mercado de ações são as bolsas de valores, as quais são as responsáveis por intermediar as transações financeiras e a troca dos ativos entre os diferentes investidores.

    Em alguns países, como nos Estados Unidos, o mercado de ações pode conter mais de um negociador (bolsa de valores). Isto faz com que haja uma competição maior no mercado e que as empresas e os investidores possam escolher em qual bolsa atuar.

    No Brasil, contudo, há apenas uma bolsa de valores, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão). Antes conhecida como Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo, a B3 – que é sediada na cidade de São Paulo (SP) – é a única bolsa de valores de mercadorias e futuros em operação atualmente no país.

    Isso significa que todas as companhias de capital aberto no Brasil devem abrir capital nessa única empresa. Além disso, destaca-se que, curiosamente, a própria bolsa de valores do Brasil é negociada na bolsa pelo ticker B3SA3 (código de negociação da ação da B3).

    Algumas das outras bolsas de valores do mercado de ações mundial são:

    Reguladores

    Os reguladores do mercado de ações são fundamentais para o bom funcionamento do mercado. Afinal, eles fiscalizam as negociações de forma a evitar, por exemplo, o acontecimento de Insider Trading (negociações em que há o uso de informações privilegiadas).

    Além disso, os reguladores também são responsáveis por fiscalizar as companhias com ações na bolsa, verificando o cumprimento, por parte delas, das exigências específicas para empresas de capital aberto. Isto de forma a proteger o investidor minoritário, que não possui controle sobre a companhia e que precisa de ser resguardado por alguma instituição.

    É importante mencionar, ainda, que o mercado de ações do Brasil é controlado por uma autarquia especial através de um órgão ligado ao governo federal. Essa entidade é a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    A organização responsável por disciplinar, fiscalizar e promover o mercado de valores mobiliários. Além disso, vale destacar que a instituição está ligada ao Governo Federal pelo Ministério da Economia. O mapa estratégico com o impacto, resultados e objetivos da CVM pode ser conferido abaixo:

    mercado de ações

    Investidores

    Por fim, outro agente de mercado fundamental para o funcionamento do mercado de ações é, claro, o investidor. Afinal de contas, sem eles os ativos sequer seriam negociados, o que dispensaria a necessidade dos participantes acima elencados.

    Vale destacar, ainda, que dentro da categoria de investidores do mercado de ações também existem diferentes agentes. São eles os investidores:

    1. Investidores individuais

    Os investidores individuais, também conhecidos por investidores de varejo, basicamente são as pessoas físicas que investem na bolsa. Historicamente, essa classe de investidores era conhecida por ter pouca relevância e participação no volume de negociações da bolsa.

    Contudo, com a queda sistemática da Taxa de Juros do Brasil, a Taxa Selic, do início de 2017 (quando estava 14,25% a.a.) até meados de 2020 (quando ficou próxima de 3% ao ano), os investidores individuais acabaram entrando com força nas negociações da bolsa de valores, alcançando os investidores institucionais.

    Para se ter uma ideia, em Maio de 2020, os investidores individuais representaram 23,06% do volume de compras e vendas da bolsa, contra um percentual de 23,58% para os investidores institucionais. Um grande progresso, como pode ser observado na tabela abaixo disponibilizada pela B3:

    mercado de ações

    2. Investidores institucionais

    Os investidores institucionais, tão citados no tópico anterior, são também muito relevantes para o bom funcionamento do mercado de ações. Afinal, por conta do grande volume negociado por eles, a liquidez do mercado (volume de negociações) aumenta.

    Entre esses investidores institucionais podemos citar, por exemplo:

    3. Investidores estrangeiros

    Por último, mas não menos importante, estão os investidores estrangeiros. A relevância desses investidores é tremenda no mercado de ações brasileiro, afinal eles são os responsáveis pelo maior volume de negociação dos ativos, tendo uma fatia que fica sempre próxima de 40 e 50% do total.

    Um ponto importante a ser ressaltado em relação aos investidores estrangeiros no mercado de ações brasileiro é como o mercado observa as movimentações desse agente do mercado. Não é raro, nesse sentido, ver notícias e chamadas dizendo que os investidores estrangeiros “sacaram” ou “ingressaram” com tantos bilhões de reais na bolsa.

    Esse tipo de notícia é utilizada como uma espécie de “termômetro” pelo mercado para tentar decifrar a expectativa desses investidores com relação ao mercado de ações brasileiro. Então, quando os investidores retiram dinheiro, identifica-se um pessimismo; e quando eles ingressam com capital, verifica-se um otimismo com relação ao futuro.

    Ativos negociados no mercado de ações

    mercado de ações

    Tendo em vista as informações passadas, se torna necessário, também, conhecer um pouco melhor sobre os ativos negociados no mercado de ações. Nesse sentido, abordaremos as ações, as opções, os ETFs e os BDRs.

    Ações

    O primeiro, e também mais importante, dos ativos negociados no mercado de ações são, obviamente, as próprias ações, também conhecidas como papéis. O termo “papel” vem do fato de que antigamente as ações eram negociadas em verdadeiros pedaços de papéis, como pode ser observado na imagem abaixo na ação da antiga Companhia Cervejaria Brahma:

    mercado de ações

    Basicamente, os antigos pedaços de papel e as atuais ações negociadas eletronicamente representam uma pequena fração do capital social de uma empresa de capital aberto. Por conta disso, é possível afirmar que aquele que possui a ação de uma empresa é considerado sócio.

    Isto independentemente do número papéis que o investidor possui. O que muda com essa quantidade é, na verdade, o percentual de participação na empresa. Veja o exemplo com as ações da JHSF(JHSF3):

    • Ação: JHSF3;
    • Número total de ações: 641.241.829;
    • Total de ações de um investidor: 1.000.000;
    • Percentual de participação: 1.000.000 / 641.241.829 = 0,1559%.

    Neste caso, o investidor que possui 1 milhão de ações tem participação percentual de cerca de 0,1559% na empresa. Já um investidor com 100 mil ações teria, logicamente, 0,01559% da empresa, percentual proporcional ao número de papéis possuídos.

    Com essas ações, os investidores passam a ter direito, como sócios, aos resultados obtidos pelas empresas. Sendo que bons resultados representarão um aumento no preço da ação no mercado, bem como resultarão em recebimento de dividendos pelos investidores – que é a distribuição do lucro aos acionistas de acordo com a participação de cada um.

    Vale destacar, ainda, que existem algumas diferentes classes de ações que possuem características distintas. São elas as ações ordinárias, preferenciais e units.

    1. Ações ordinárias

    As ações ordinárias, também chamadas de ON, são todas aquelas ações que possuem o dígito 3 ao final do ticker (código de negociação). Basicamente, esses são os papéis que capazes de auferir direito a voto ao seu possuidor.

    Por isso, quanto mais ações, mais votos o investidor terá nas votações que acontecem nas assembleias das empresas de capital aberto. Por outro lado, essas ações ordinárias (ON) não conferem ao investidor a preferência no recebimento de dividendos.

    Alguns exemplos de ações ordinárias negociadas na B3 são:

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    2. Ações preferenciais

    As ações preferenciais, também conhecidas por PN, são aquelas que, como o próprio nome diz, dão preferência aos investidores em algumas compensações. Esse tipo de ação pode terminar com o dígito 4 (mais comum) ou então com o dígito 5 e 6.

    Entre as compensações prioritárias das ações preferenciais, a principal delas é a prioridade que o investidor possui no recebimento de dividendos da companhia. Essa vantagem, contudo, não existe sozinha.

    Isso porque, apesar da preferência no recebimento de dividendos, as ações preferenciais, ao contrário das ordinárias, não auferem direito ao seu possuidor de voto. Em outras palavras, o investidor com ações PN não pode votar nas assembleias da companhia, devendo aceitar as decisões tomadas pelos investidores com ações ON.

    Alguns exemplos de ações preferenciais negociadas na B3 são:

    3. Units

    Por último, as units são outro tipo de ações negociadas na bolsa. Basicamente, elas representam uma espécie de “pacote” fechado de ações ON e PN. Sendo que cada unit pode ter um número diferente de ações ordinárias e preferenciais.

    Por exemplo, a unit da AES Tiete (TIET11) representa 1 ação ON + 4 ações PN. Por outro lado, a unit da Alupar (ALUP11) representa ação ON + 2 ações PN. E apesar de serem um pacote de ações, os papéis ordinários ou preferenciais não podem ser negociados individualmente.

    Isso significa que o investidor que possui uma ação unit não pode desmembrá-la para vender separadamente as ações ordinárias ou preferenciais. Por fim, algumas das ações units negociadas na B3 são:

    Opções

    As opções fazem parte de outro tipo de ativo negociado no mercado de ações. Basicamente, as opções fornecem o direito do investidor comprar ou vender determinado ativo por um determinado preço em determinada data.

    Ao adquirir uma opção, o indivíduo paga um determinado valor para ter o direito de comprar (para as opções de compra), ou o direito de vender (para as opções de venda) determinado ativo. Sendo que essas opções são conhecidas como:

    Tanto as calls quanto as puts fazem parte daquilo que é conhecido no mercado como derivativos. Afinal, o desempenho das operações deriva (depende) da performance de outro ativo. Por exemplo, uma opção de compra da Petrobras vai derivar (depender), logicamente, do preço da ação da empresa.

    1. Opções de compra (calls)

    Nas opções de compra, as calls, o indivíduo investe acreditando que o preço da ação que a opção está atrelada subirá. Para entender como o ganho com as opções de compra funciona, suponha o seguinte:

    • Preço da ação hoje: R$30;
    • Preço alvo da opção: R$34;
    • Vencimento: em 2 meses;
    • Custo da opção de compra: R$0,18.

    Neste caso, o investidor deve pagar 18 centavos pelo direito de compra da ação por 34 reais daqui a 2 meses, mesmo que hoje a ação esteja cotada a 30 reais. Suponha, então, que algumas semanas depois a ação esteja cotada a R$33,50. Com isso, o valor daquela opção de compra adquirida não será mais de 18 centavos, mas de, por exemplo, 47 centavos.

    Esse aumento se deve pelo fato de que o preço alvo da ação (que era de 34 reais) se tornou mais factível, mais próximo de acontecer. Com isso, o investidor que comprou a opção por 18 centavos teria agora um ativo que é negociado a 47 centavos, tendo um lucro de 161%, enquanto a ação atrelada aquela opção obteve uma alta de apenas 15% (de 30 para 33,50 reais).

    Por outro lado, caso a ação tivesse caído abaixo dos 30 reais, o preço da opção, que era de 18 centavos, teria sido reduzido. Neste caso, o investidor teria prejuízo, afinal o preço-alvo daquela ação ficou menos possível de ser atingido, e por isso a opção valerá menos.

    E na hipótese de o vencimento da opção chegar e a ação tiver sendo negociada por um valor abaixo do preço-alvo, então o investidor perde tudo, afinal o valor da opção vira pó (chega à zero). Isto porque o valor do direito de comprar um ativo por um preço maior do que o de mercado é zero.

    2. Opções de venda (puts)

    Já as opções de venda, as puts, funcionam com o raciocínio inverso. Afinal, aquele que compra esse tipo de opção está acreditando que o preço da ação a qual ela está vinculada irá cair no futuro.

    O ganho neste tipo de opção, portanto, acontece com a queda nos preços dos ativos. Veja como isso pode acontecer no exemplo a seguir:

    • Preço da ação hoje: R$30;
    • Preço alvo da opção: R$25;
    • Vencimento: em 2 meses;
    • Custo da opção de venda: R$0,05.

    Nesse caso, a pessoa que compra essa opção paga 5 centavos para poder vender uma ação por 25 reais daqui a 2 meses. Sendo que hoje a ação custa 30 reais. Pode parecer estranho, mas imagine que aquela realmente caia e chegue em 20 reais no vencimento da opção.

    Nesse valor, de 20 reais, o dono da opção teria direito de vender um ativo por 25 reais, sendo que, no mercado, ele estaria sendo negociado por um valor muito inferior a esse. Com isso, o lucro da operação seria:

    • + R$25,00 preço de direito de venda da ação;
    • – R$20,00 preço da ação no mercado;
    • – R$0,05 preço pago pela opção;
    • Lucro: 4,95.

    Ou seja, o investidor teria um lucro de 4,95 por ação, tendo investido apenas 5 centavos naquela opção. Pode parecer tentador, mas esse tipo de situação é muito difícil de ocorrer e, ao longo do tempo, a maior parte das pessoas que se aventura no universo de opções acaba perdendo dinheiro com isso.

    Não à toa, Warren Buffett, um dos maiores investidores de todos os tempos, disse:

    “Derivativos são armas de destruição em massa das finanças”.

    ETFs

    Os ETFs (Exchange Traded Funds) fazem parte de outro conjunto de ativos negociados no mercado de ações. Basicamente, eles podem ser considerados fundos de investimentos passivos, ao contrário dos fundos de ações de gestão ativa.

    Essa diferença ocorre pelo fato de que cada ETF possui uma metodologia específica de investimento que deve ser seguida. Em outras palavras, o gestor do ETF não pode fazer stock picking (seleção de ações) com base nos seus próprios critérios e nas suas análises.

    Ao contrário disso, o gestor deve seguir a metodologia de investimento do ETF e comprar apenas os ativos que se enquadram nesses critérios pré-estabelecidos. Por isso, a alocação do capital dos cotistas é considerada passiva. Afinal, não há um trabalho ativo de investimento, mas passivo, que segue critérios já definidos.

    Vale destacar, ainda, que os ETFs são negociados em cotas no mercado de ações, na bolsa. Por isso, ao comprar uma única cota, o investidor se expõe a um grande número de ativos diferentes. Isto é, naqueles que se enquadram na metodologia de investimento do Exchange Traded Fund.

    Alguns dos principais ETFs negociados na B3 (bolsa brasileira) e suas respectivas metodologias de investimento são:

    BDRs

    Por último, os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) fazem parte de outra classe de ativos do mercado de ações. Resumidamente, os BDRs representam uma espécie de ações de companhias estrangeiras negociadas no Brasil.

    Isto da mesma forma que existem os ADRs (American Depositary Receipts), que são ações de companhias listadas fora dos Estados Unidos que podem ser compradas a partir de alguma bolsa de valores norte-americana. Este é o caso dos ADRs do Itau, do Bradesco, da Petrobras e de tantas outras companhias brasileiras que podem ser investidas pelos EUA.

    Da mesma forma que os americanos podem comprar ações dessas companhias brasileiras de capital aberto por meio do mercado acionário dos Estados Unidos e dos ADRs, os investidores brasileiros também podem investir neste tipo de ação estrangeira por meio da B3, investindo em BDRs.

    Esses BDRs terão desempenho na bolsa brasileira atrelado à performance das ações “oficiais” das empresas na bolsa em que são negociadas. Isso significa que se a ação do Google subir na bolsa de NASDAQ, o BDR dessa companhia também tende a subir.

    Essa tendência acontece porque o preço do BDR também fica atrelado ao câmbio. Afinal, os Brazilian Depositary Receipts são negociados em reais, enquanto as ações estrangeiras, em sua maioria, são negociadas em dólar nos Estados Unidos.

    Por isso, se ação nos EUA subir 1% e o dólar cair 1%, a cotação do BDR tende a se manter estável, por conta de um ganho de um lado e de uma perda de outro. Por fim, alguns dos BDRs negociados na B3 são:

    • AAPL34 – BDR da ação da Apple;
    • GOGL34 – BDR da ação do Google;
    • DISB34 – BDR da ação da Disney.

    Tipos de oferta do mercado de ações

    mercado de ações

    Outro ponto importante de ser conhecido pelos investidores diz respeito aos tipos de oferta do mercado de ações. Afinal de contas, existem diferentes formas pelas quais os ativos podem ser ofertados no mercado, por exemplo, por meio de um IPO ou de um follow-on.

    IPO

    O IPO é a sigla para Initial Public Offering, que significa oferta pública inicial de ações. Esse processo é o responsável por transformar uma companhia de capital fechado em uma empresa com capital aberto com ações negociadas na bolsa de valores.

    Por isso, é possível dizer que todas as empresas que possuem ações na bolsa já passaram por um IPO em determinado momento de sua história. Sendo que é a partir dessa data que os investidores podem aproveitar para se tornarem sócios de negócios que antes não poderiam ser investidos por qualquer um.

    Além disso, o IPO também é responsável por democratizar o investimento em empresas. Afinal, o custo unitário de uma ação na bolsa de valores é infinitamente menor do que o capital necessário para realizar um aporte e um investimento em uma companhia de capital fechado.

    Vale destacar, por fim, que um IPO pode acontecer com uma oferta primária ou secundária de ações. Sendo que esses dois tipos de oferta do mercado de ações serão abordados em seguida com mais profundidade.

    Oferta primária

    A oferta primária é uma modalidade de ofertas do mercado de ações que ocorre quando uma empresa de capital aberto opta por emitir novos papéis como forma de captar recurso. Com esse mecanismo, a companhia consegue arrecadar dinheiro sem precisar, por exemplo, de emitir títulos de dívida (debêntures) ou de pegar empréstimo com bancos.

    Funciona assim: a empresa cria novas ações e estipula um preço de venda um pouco abaixo da cotação do mercado para atrair o investimento de investidores. Esses investidores, por sua vez, compram as novas ações da empresa, fazendo com que o dinheiro da compra seja destinado para o caixa da companhia.

    Com esse recurso captado, a companhia pode crescer nas suas operações, aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), quitar dívidas de alto custo, adquirir de outras empresas. Enfim, pode usar o recurso da forma que achar melhor, de forma a gerar valor para seus acionistas.

    Oferta secundária

    Diferentemente da oferta primária, na oferta secundária de ações não há a emissão de novos papéis da companhia. Na verdade, nesse tipo de oferta a companhia oferece ações que já existiam e que pertenciam a algum dos sócios.

    Por isso, a venda dessas ações não faz com que o dinheiro arrecadado seja destinado para o caixa da empresa, mas sim para aquele sócio que se desfez de parte de sua posição acionária na companhia.

    Esse tipo de operação é muito comum com empresas que eram de capital fechado e que abrem capital por meio de um IPO. Isto porque os sócios da empresa podem desejar se desfazer de uma parte de suas ações da companhia como forma de realizar parte do investimento que fizeram no passado na companhia.

    Esse tipo de venda é chamada, portanto, de oferta secundária, no qual sócios da empresa são vendedores de suas ações no mercado para outros investidores por meio de uma oferta secundária. Este caso ocorreu, por exemplo, com a Vivara (VIVA3) em seu IPO.

    No evento de abertura de capital, que ocorreu no último trimestre de 2019, os antigos acionistas controladores e fundadores da empresa se desfizeram de quase 52 milhões de ações. Sendo que o total de ações ofertadas no IPO era próximo de 71 milhões. Veja como foi essa oferta:

    • Total de ações ofertadas: 70.854.983 (100%);
    • Oferta secundária: 51.960.321 (73,3%).
    • Oferta primária: 18.894.662.

    Nesse caso verídico, os sócios da companhia propuseram no prospecto do IPO a venda de quase 52 milhões de ações já existentes e que pertenciam a eles como oferta secundária. O restante, próximo de 19 milhões de ações, foi proposto como oferta primária, com a emissão de novos papéis.

    Follow-on

    Por fim, o follow-on, também conhecido como oferta subsequente de ações, é uma outra forma pelo qual podem ocorrer ofertas no mercado de ações. Este processo acontece de maneira similar ao IPO, sendo que a principal diferença é que ele ocorre com aquelas companhias que já possuem capital aberto na bolsa.

    Por isso, caso uma empresa de capital aberto deseje emitir novas ações no mercado (oferta primária), ela deve realizar um follow-on. Da mesma forma, caso algum acionista relevante da companhia deseje se desfazer e vender parte relevante de sua posição acionária, a oferta subsequente também pode ser realizada.

    Como investir no mercado de ações?

    mercado de ações

    Depois de saber como o mercado funciona, quais são os agentes que participam dele e os ativos possíveis de serem negociados, muitos se questionam: mas como investir no mercado de ações?

    Basicamente, para começar a investir no mercado de ações, o investidor iniciante deve seguir os seguintes passos:

    1. Criar conta em uma corretora

    O primeiro passo para investir no mercado de ações é ter uma conta em uma corretora de valores. Afinal, será por meio dela que o investidor terá acesso aos ativos negociados na bolsa de valores.

    Para saber como escolher uma corretora, o investidor deve analisar o seu perfil e o volume de capital que possui para investir. De maneira genérica, investidores iniciantes, com menos capital, devem criar contas em corretoras sem taxas de corretagem, como forma de não gastar com taxas um dinheiro relevante frente ao valor que está sendo investido.

    Por outro lado, investidores mais maduros, com mais capital, podem priorizar aquelas corretoras mais consolidadas no mercado, que possuem mais suporte e plataformas de negociação mais robustas. Este serviço mais elaborado, é claro, custará mais caro.

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    2. Escolher o ativo a ser investido

    O segundo passo para começar a investir no mercado de ações é escolher o ativo a ser investido. Afinal, o investidor terá de escolher qual ação, opção, ETF ou BDR deseja investir.

    No longo prazo, os melhores resultados em termos de rentabilidade foram conquistados por aqueles investidores que fizeram análises fundamentalistas dos ativos investidos. Isto é, uma análise que considerava fatores como:

    Realizando uma análise fundamentalista, considerando o potencial de resultados das ações no longo prazo, as chances de o investidor obter bons retornos aumentam consideravelmente.

    3. Comprar o ativo pelo home broker

    Por fim, o último passo para o investidor começar a investir no mercado de ações é comprar o ativo escolhido após sua análise pelo home broker. Sendo que essa é a plataforma de negociação eletrônica disponibilizada pelas corretoras para que investidores realizem as compras e as vendas de seus ativos.

    E então, conseguiu conhecer mais e saber como funciona o mercado de ações? Deixe abaixo suas dúvidas e comentários sobre o assunto!

    Perguntas Frequentes sobre o mercado de ações
    O mercado de ações é o ambiente no qual investidores podem ter acesso às negociações de participações acionárias de empresas de capital aberto e outros ativos financeiros negociáveis.
    O principal ativo negociado no mercado de ações são, obviamente, as ações. Além desses papéis, também são negociados nesse mercado as opções, os ETFs (Exchange Traded Funds) e os BDRs (Brazilian Depositary Receipts).
    Não há uma resposta pronta para afirmar quais as melhores ações para investir. Isto vai depender do perfil do investidor e, claro, de uma análise que deve ser feita da empresa, considerando seus fundamentos e perspectivas futuras.
    O mercado de ações abre às 10 horas e fecha às 17 horas. Durante esse período, os investidores e outros agentes do mercado podem realizar a compra e a venda dos ativos negociados no mercado.
    O mercado de ações é muito sensível às notícias e aos acontecimentos no âmbito empresarial, político e econômico – não só do Brasil, mas do mundo todo. Por isso, para saber como está o mercado de ações, é preciso acompanhar de perto o gráfico de desempenho da bolsa.

    Bibliografia

    http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2011_tn_sto_137_871_17785.pdf

    http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/45.pdf

    http://www.unisalesiano.edu.br/encontro2007/trabalho/aceitos/CC34169684842A.pdf

    http://www.feata.edu.br/downloads/revistas/economiaepesquisa/v9_artigo05_introducao.pdf

    http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/8280/1/TD_2370.PDF

    Tiago Reis
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