Por: Tiago Reis

Margem Bruta: entenda sua importância

A margem bruta é capaz de nos mostrar o quanto sobra das receitas da companhia após deduzir os custos de comprar ou fabricar seus produtos. Assim, vale ressaltar que a margem bruta não leva em consideração despesas administrativas e de vendas.

Seu cálculo é bastante simples: basta dividir o lucro bruto pela receita líquida.

Nesta conta, cabe lembrar que o lucro bruto é o que resta quando subtraímos o custo dos produtos vendidos da receita líquida.

Quando utilizado no setor de serviços, os custos dos produtos vendidos provavelmente indicarão os custos relacionados à equipe, não ao inventário da companhia. Neste caso, geralmente é conhecido como “custo dos serviços vendidos”.

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A margem bruta é um importante indicador, tanto para investidores quanto para os gestores do negócio, uma vez que nos mostra quanto sobra do dinheiro gerado pelas vendas da companhia, que servirá para pagar o restante das despesas.

Assim, se a empresa não consegue gerar um lucro bruto grande o suficiente a partir de suas vendas, haverá pressão nas linhas subsequentes do demonstrativo de resultados, prejudicando o lucro líquido (bottom line). Neste caso, eventualmente, a viabilidade do negócio pode ser afetada.

Por exemplo, considere que a receita líquida das vendas foi de R$ 4 milhões, e o custo destes produtos que a companhia vendeu alcança R$ 2,6 milhões. O lucro bruto é a diferença entre estes dois valores, sendo, portanto, R$ 1,4 milhão. Dividindo o lucro bruto pela receita líquida, encontramos a margem bruta, que é de 35% para este caso.

Para este exemplo, R$ 1,4 milhão estão disponíveis para que a companhia pague o restante dos seus custos e despesas. Geralmente, se estes gastos forem inferiores a R$ 1,4 milhão, a empresa deve apresentar um resultado positivo.

Variações na margem bruta e algumas possíveis causas

Devo ressaltar que a margem bruta pode ser alterada ao longo do tempo. É claro que todas as empresas empregam esforços para aumentá-la, embora nem sempre isso seja possível.

Sob a ótica de um investidor, uma margem bruta crescente pode significar, por exemplo, que os preços finais de venda estão aumentando mais rápido que os custos. Isso acontece quando a companhia é capaz de aumentar seus preços sem perder clientes, isto é, quando ela tem poder de precificação.

Neste sentido, vale ressaltar que o poder de precificação é oriundo, principalmente, de vantagens competitivas. Existem alguns casos em que as empresas ganham poder de precificação por aumento da demanda. Nestas situações, é imprescindível que a gestão esteja atenta para conseguir capturar as oportunidades.

Recentemente, a Netflix tentou aumentar o preço de suas assinaturas. No entanto, o resultado mostrou que a medida não foi tão efetiva, pelo menos no curto prazo: ocorreram mais cancelamentos e menos adesões em relação aos números que eram previstos.

Outra razão para o aumento da margem bruta pode ser a diminuição do custo dos produtos vendidos em relação à receita líquida. Isso pode ser observado quando uma empresa tem poder de barganha sobre seus fornecedores, como é o caso da Ambev e do Walmart.

Outras empresas podem conseguir o mesmo efeito mudando para fornecedores mais baratos.

Além disso, alterações nos preços de commodities também podem trazer mudanças às margens. Um bom exemplo disso é o Starbucks. Se o preço do café cai, a empresa diminui seu custo dos produtos vendidos, ao mesmo tempo em que mantém a receita inalterada, resultando num aumento de margens. Por outro lado, o contrário também pode acontecer.

Conclusão

De maneira ampla, este indicador deve ser utilizado para observar a dinâmica dos custos. O investidor deve estar sempre atento aos movimentos de aumento ou diminuição de margens, buscando entender suas causas.

Além disso, cabe frisar que todo indicador deve ser utilizado em conjunto com outros. Sozinha, a margem bruta não é capaz de respaldar decisões importantes.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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