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    Macroeconomia importa para seus investimentos?

    Macroeconomia importa para seus investimentos?

    Warren Buffet diz que nem tudo que conta pode ser contado, e que nem tudo que pode ser contado realmente conta.

    Nada melhor do que esta frase para resolver uma dúvida muito comum dos investidores:

    Até que ponto é importante saber macroeconomia para se tornar um bom investidor de ações?

    Resposta: Depende de qual empresa você está analisando.

    Algumas variáveis macroeconômicas afetam alguns negócios de maneira desproporcional em relação a outros, enquanto outras variáveis tem um efeito mais uniforme nas empresas.

    Você precisa sempre se perguntar de que maneira a variação em determinada variável afeta as receitas e/ou despesas da companhia em questão.

    Por isso, é preciso conhecer muito bem cada ativo.

    Vejamos algumas variáveis…. 

    Petróleo

    O Petróleo é uma das variáveis mais comentadas mundo afora.

    Mas a importância do preço desta commodity se limita a empresas da cadeia do petróleo, como produtoras, refinadoras, distribuidoras de combustíveis e empresas petroquímicas.

    Poderíamos citar: Petrobrás, PetroRio, Dommo (antiga OGX), BR Distribuidora, Ultrapar e Braskem.

    O aumento direto do preço do barril afeta positivamente as empresas de exploração e produção de petróleo, enquanto outras empresas da cadeia que utilizam o petróleo como insumo, podem não ter a capacidade de repassar os preços aos seus clientes.

    Uma discussão análoga também vale para a cadeia de produção de outras commodities, como produtos agrícolas (milho, soja, carne, arroz, trigo), metais (cobre, minério de ferro, aço), e outros tipos de commodities.

    Neste caso, outras empresas são beneficiadas positivamente ou negativamente com a variação dos preços destas commodities.

    Dólar

    O Dólar afeta a maioria das empresas com atividades de exportação, e mais intensamente, as empresas produtoras de commodities (mencionadas acima), pois a receita destas companhias costuma ser quase toda denominada em Dólar.

    Adicionamos aqui também empresas de Celulose (Suzano, Klabin, Fibria), Aço (Vale, Gerdau, CSN, Usiminas), Grãos (SLC Agrícola, BrasilAgro, TerraSanta), Carnes (BRF, JBS, Minerva).

    Outros segmentos do mercado também possuem forte atividade de exportação, como o setor calçadista (Grendene) e Autopeças (Tupy, Mahle Metal Leve, Shulz).

    Portanto, um câmbio desvalorizado costuma ser uma boa notícia para estes negócios.

    Por outro lado, praticamente todas as empresas brasileiras possuem alguns insumos que são expostos à variação do Dólar, ainda que em escalas bastante diferentes.

    Companhias aéreas e companhias de logística, por exemplo, precisam utilizar grandes quantidades de combustíveis.

    Ainda, empresas que possuem dívidas denominadas em moeda estrangeira também têm um aumento em suas despesas com juros quando o câmbio desvaloriza. 

    Taxa de Juros

    A taxa de Juros (Selic) local afeta o crescimento econômico do país como um todo, pois estas taxas balizam os empréstimos concedidos para pessoas física e empresas. Assim, quando a Selic aumenta, se torna mais caro captar capital desta maneira.

    Sendo mais específico, empresas com grande posição de caixa líquido diminuem suas receitas financeiras quando a Selic diminui, e o contrário ocorre quando a taxa sobe.

    É o caso de Seguradoras, por exemplo, que mantém grande quantidade dinheiro em posse (float).

    Exemplos: BB Seguridade e Porto Seguro.

    Por outro lado, empresas cíclicas se beneficiam com um crédito mais barato. É o caso de varejistas (Renner, Hering, Guararapes, Via Varejo, Magazine Luiza, Lojas Americanas) empresas de shoppings (Sonae Sierra, Aliansce, BR Malls, Multiplan, Iguatemi), e incorporadoras (Eztec, MRV, Cyrela, entre outras).

    Bancos também tendem a lucrar menos com suas operações de tesouraria. 

    Inflação

    Inflação por definição é o aumento do nível de geral de preços na economia.

    Empresas com dívida líquida pós-fixada ao IGP-M ou IPCA são prejudicadas com um aumento no nível de preços.

    Por outro lado, o aumento dos preços é justamente causado pelo repasse das empresas ao consumidor final.

    Em alguns casos, este repasse é consequência de insumos mais caros, por exemplo, aqueles dolarizados. E por este repasse não ser perfeitamente sincronizado, gera um efeito negativo para a companhia.

    Já em outros casos, as empresas aumentam os preços devido à expectativa de que outras empresas farão o mesmo, gerando um efeito incerto nos resultados, pois irá depender da elasticidade de demanda de cada produto.

    De maneira geral, altos níveis de inflação não costumam ser saudáveis para empresas, pessoas e países.

    Mas como os índices de preços reúnem diversos componentes, e os aumentos têm causas diferentes, é preciso olhar caso a caso.

    De maneira geral, o investidor deve procurar estudar as variáveis que mais impactam determinado negócio, e com base em suas expectativas para estas variáveis, formar uma visão sobre a direção dos resultados da companhia.

    Tiago Reis
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