juros futuros

A variação na taxa de juros básica da economia impacta não só o bolso do brasileiro, mas também todo o funcionamento do mercado financeiro. Devido a essa influência direta, os investidores possuem um tipo de “dispositivo protetor” para se blindar diante da oscilação dos juros: os contratos de juros futuros.

Ao negociar juros futuros, o mercado consegue estimar qual será a taxa em um determinado período. Essa expectativa serve para dar mais segurança e balizar para as outras operações de investimento – tanto na renda fixa como na renda variável.

O que são os juros futuros?

Juros futuros são contratos feitos entre duas partes sobre a expectativa de taxa de juros entre o dia da negociação e uma data futura. Esse acordo, também conhecido contrato de DI Futuro, representa a estimativa do mercado para o valor dos juros nas operações de DI (Depósito Interfinanceiro) em algum momento no futuro.

Como funcionam os contratos de DI Futuro?

O taxa DI, originada do conhecido CDI (Certificado de Depósito Interbancário), representa os juros médios praticados nos empréstimos entre bancos. A DI é uma taxa que anda sempre próxima à SELIC – servindo como referência para o mercado de renda fixa.

Por isso, os contratos de juros futuros se baseiam sempre nessa taxa. Logo, o DI Futuro demonstra a expectativa do mercado para a taxa de juros efetiva que será acumulada entre a data atual e o data final do contrato – que sempre ocorre no último dia útil do mês.

Com o valor de R$ 100.000,00 por contrato, cada operação de DI Futuro negociada no mercado vai sendo corrigida diariamente pela taxa DI de cada dia até o seu vencimento.

Como o mercado define sua expectativa de juros futuros?

Para ter uma ideia de como será a taxa de juros futura, os participantes do mercado se baseiam nos principais indicadores de conjuntura da economia, como:

A partir desses dados, o mercado projeta como a taxa de juros estar em um cenário futuro – analisando como será a situação em alguns meses, anos ou até mesmo décadas a frente.

Por exemplo: se a economia atual indicar que a inflação será alta daqui a dois anos, espera-se que os juros estejam elevados nesse período. Com isso, os contratos de juros futuros para dois anos serão a uma taxa de juros maior do que a atual.

Qual o objetivo dos contratos de juros futuros?

A oscilação nas taxas de juros podem prejudicar todos os participantes do mercado — como empresas, bancos, seguradoras, fundos de pensão, entre outros. Logo, em um ambiente tão volátil e dinâmico, os contratos de juros futuros servem para dar estabilidade e proteção aos investidores.

Ao fixar quais serão os juros para diferentes prazos, as taxas futuras funcionam como uma espécie de “seguro” para o mercado. Como a taxa para determinado período já está previamente definida, o investidor não precisa se preocupar com sua variação até lá.

Essa operação, conhecida no mercado como hedge (proteção), pode ocorrer de duas formas:

1. Taxa pós-fixada contra taxa prefixada

Situação onde se tem uma dívida com juros pós-fixado (variável) e a estimativa é de juros maiores no futuro. O investidor vende um contrato futuro pré-fixado, com a taxa atual, se protegendo contra a alta.

2. Taxa prefixada contra taxa pós-fixada

Situação onde se tem uma dívida com juros pré-fixado (determinado antecipadamente) e a estimativa é de juros menores no futuro. O investidor compra um contrato futuro pós-fixado, com a taxa do dia do vencimento, pagando assim juros mais baixos.

Por que os juros futuros são tão importantes?

Em resumo, pode-se dizer que a negociação de juros futuros funciona como mitigador de riscos – atenuando possíveis perdas decorrentes de alterações na taxa de juros praticada na economia.

Obviamente, nem sempre é possível neutralizar esse risco. Mas certamente, sem a proteção dos juros futuros, o mercado teria que assumir um maior nível de riscos – prejudicando assim o seu funcionamento e reduzindo a liquidez de todas suas operações.

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Tiago Reis

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.