Um conceito muito pouco compreendido pelas pessoas em geral, os juros compostos é o grande impulsionador do dinheiro acumulado do poupador ao longo de anos ou o pesadelo de um endividado ao ver seu débito crescer continuamente.

Percebam, que os juros compostos têm uma dupla dinâmica de funcionamento, ele pode funcionar ao seu favor, ou contra. A única pessoa responsável por sua forma de aplicabilidade é você mesmo!

Então, afinal de contas, o que devemos fazer para aplicar da forma correta os juros compostos a nosso favor?

Para que ele funcione são necessárias duas coisas básicas: Reinvestimento da rentabilidade e tempo de capital aplicado.

Um investidor que aplica seu capital em uma empresa listada em bolsa não vai compor uma boa base de juros compostos se ele não reinvestir seu capital recebido na forma de proventos na mesma empresa ou em outras que ele achar viável para aquele momento.

Esse investidor também não irá ter seu capital multiplicado se ele se desfizer todos os anos do pequeno rendimento do dinheiro aplicado para gastá-lo com supérfluos.

Ilustração

Se você aplicasse apenas R$ 1000,00 em uma aplicação qualquer que lhe rendessem juros de 10% ao ano, no ano seguinte você terá exatamente R$ 1100,00. Simples não? Mas a lógica dos juros compostos não para por aí, na verdade ela vai bem além disso.

Se, de forma diligente, você desejasse continuar com o mesmo capital aplicado e continuar reinvestindo-o, ano seguinte ele renderia os mesmos 10% sobre o montante previamente aplicado por você, então esse capital cresceria para R$ 1210,00 e no ano seguinte R$ 1331,00.

É importante perceber que os juros vão aumentando ano após ano.

Esses juros, nos primeiros anos, aumentam muito pouco, mas com o passar do tempo ele vai se acelerando até que caminhe de forma tão rápida que o investidor não reconheça que tenha aplicado tão pouco dinheiro, em vista do montante que tem acumulado.

A mágica dos Juros Compostos

Este processo nada mais é do que muitos dizem ser a mágica dos juros compostos!

Na prática, esse capital investido terá um rendimento de acordo com o capital acumulado no ano anterior, e não sobre o montante inicial.

Essa dinâmica é muito favorável àqueles que desejam aplicar dinheiro no longo prazo.

Diferentemente dos juros simples, no qual o investidor terá sempre R$ 100,00 de juros (10% sobre R$ 1000,00) como rendimento todos os anos, seu dinheiro está sendo remunerado somente em cima do montante inicial.

Exemplo prático

Maria deseja aplicar um montante de R$ 10.000,00 a fim de ter uma reserva financeira de longo prazo para que seja utilizada da forma que necessite no futuro. Ela, de forma paciente e disciplinada conseguiu deixar seu capital aplicado durante um período de 15 anos, do qual resolveu sacar.

Aplicando a formula matemática dos juros compostos saberemos qual foi o montante acumulado por Maria:

Onde:

M é o montante final

i é a taxa de juros aplicada

C é o capital ou valor inicial

t é o tempo total

Levando os dados do caso de Maria para a fórmula de juros compostos, temos:

M = 10.000 x (1+0,1)^15

M = 41.772,48

Logo, Maria, ao final dos 15 anos, teria um montante 4 vezes maior que o capital aplicado no início do período, no valor de R$ 41.772,48.

A seguir o gráfico do desempenho do capital ao longo do tempo:

Como é perceptível acima, a curva dos juros compostos é exponencial, o que explica de maneira didática a conhecida expressão da “bola de neve” referenciada em diversas citações a respeito dos juros sobre juros.

Fator tempo

Apesar de, na teoria, a dinâmica dos juros compostos ser de fácil compreensão, na prática o êxito de sua aplicação não é tão simples assim.

Para que o efeito curvilíneo ascendente da curva se torne possível, é preciso que o investidor deixe o tempo atuar de maneira natural e serena nos seus investimentos e, para isso, a paciência é um fator que se faz extremamente necessária neste contexto.

Não só nos investimentos, como também em qualquer outro âmbito da vida, o exercício da paciência beneficiará sempre aqueles que dela conseguirem tirar o melhor proveito.

Conclusão

Como pôde-se perceber acima, para a formação de uma carteira previdenciária de longo prazo, os juros compostos se fazem uma ferramenta extremamente útil e versátil para qualquer perfil de investir.

Dessa forma, a combinação de aportes consistentes, mais juros compostos, aliados ao longo prazo e ainda com a adição de boas decisões de investimentos produzem um efeito extremamente magnífico para uma pessoa que entende que as condições do futuro dependem das decisões que tomamos hoje.

Uma oliveira que hoje entrega bons frutos aos seus colhedores é capaz de fazê-lo pois alguém um dia tomou uma decisão de plantá-la há muito tempo atrás.

Exemplos disso não faltam e nunca faltarão.

Portanto, se beneficiar no futuro das benfeitorias feitas hoje é bastante recompensador, mas para isso é preciso se atentar aos diversos fatores que envolvem a mágica equação dos juros compostos.

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Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

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