IRF-M
Por: Tiago Reis

IRF-M: entenda como esse índice afeta as carteiras de renda fixa

Quando se começa a investir ou pesquisar sobre finanças, é natural se deparar com diversos indicadores índices de mercado. Quando se fala em renda fixa, um dos índices mais lembrados é o IRF-M.

Criado para medir o desempenho dos títulos que se enquadram neste segmento, o IRF-M é utilizado como uma ferramenta que serve de parâmetro para o mercado de renda fixa como um todo. Por isso, antes de escolher em qual aplicação de renda fixa colocar o seu dinheiro, o investidor precisa entender o que esse índice representa.

O que é o IRF-M?

O Índice de Renda Fixa do Mercado, também conhecido como IRF-M, é um indicador que mede o desempenho de títulos do mercado de renda fixa. Criado em 2000, trata-se de um indicador que influencia diretamente não só os interesses daqueles com títulos de renda fixa pré-fixados, mas de todo o mercado.

Como o IRF-M é formulado?

A composição desse índice considera o rendimento de dois títulos públicos federais: as Letras do Tesouro Nacional – LTNs e as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F).

Como esses dois títulos servem de base para todo o mercado de renda fixa, pode-se considerar que o IRF-M mostra, mesmo que indiretamente, o desempenho de aplicações pré-fixadas. Porém, vale lembrar que o rendimento futuro destes papéis costuma ser dado baseado na expectativa futura da taxa de juros.

Atualmente, os títulos públicos são a principal aplicação de renda fixa no mercado brasileiro, perdendo apenas para a defasada caderneta de poupança. Mas para entender melhor como funciona esse investimento e aproveitar todas as vantagens que ele oferece, não deixe de conferir o nosso minicurso  Investindo no Tesouro Direto. É online e totalmente gratuito.

IFR-M

Quem elabora o IRF-M?

O índice é elaborado e divulgado pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Anbima). Por isso, O IRF-M compõe os Índices de Mercado Anbima. Logo, junto com ele, também fazem parte os seguintes índices:

  • IMA-S;
  • IMA-B;
  • IMA-C.

Como o IRF-M é organizado?

É preciso ter atenção a um ponto: o IRF-M é dividido em dois sub-índices. Dentro deste índice existem o IRF-M 1 e o IRF-M 1+.

  • IRF-M 1: abriga os títulos com até um ano para o seu vencimento.
  •  IRF-M 1+: abriga os títulos com um prazo acima de um ano para o seu vencimento.

Sendo assim, o resultado do IRF-M é a soma dos resultados desses dois índices.

IRF-M e os fundos de renda fixa

O IRF-M pode ser um bom parâmetro para que deseja acompanhar o desempenho de fundos de investimento em renda fixa, ou mesmo para quem possui alguns deles em sua carteira de investimentos.

Mas, antes de tudo, é preciso saber quais são as aplicações mensuradas pelo índice.

Os títulos de renda fixa são aqueles com regras definidas de remuneração. No caso das aplicações com juro pré-fixado, por exemplo,o rendimento do título é conhecido antes mesmo de a aplicação ser concluída.

Porém há ainda as opções cujo rendimento esteja atrelado a indexadores, como taxa de juros, taxa de câmbio ou mesmo a taxa de inflação.

Os papeis analisados pelo IRF-M são os pré-fixados. Ou seja, ele representa os títulos de renda fixa que possuem rendimento previamente estabelecido.

No Brasil, os principais títulos de renda fixa pré-fixados são as Letras do Tesouro Nacional as Notas do Tesouro Nacional série F. Exatamente por isso, o IRF-M se baseia neles para a sua mensuração de resultados.

Entretanto, é preciso considerar um ponto sobre o rendimento: o valor pré-fixado está ancorado à data de vencimento dos papéis. Por isso, quem decidir sair da aplicação antes do prazo não receberá o valor previsto.

Logo, é preciso ter esse dado em mente quando for escolher o investimento mais adequado, bem como a data de vencimento da opção escolhida.

Por isso, o IRF-M pode ser utilizado no cálculo do desempenho desses papéis. Porém, é preciso considerar a natureza de cada um deles antes de usar o índice como referência.

Tiago Reis

Formado em administração de empresas pela FGV, com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, foi sócio-fundador da Set Investimentos e é fundador da Suno Research.

6 comentários

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  • SERGIO 3 de julho de 2019

    QUAL A RELAÇÃO ENTRE O IRF-M E A CDI E COM TAXA SELIC?

    Responder
  • José Roberto da Costa 3 de setembro de 2019

    Os Fundos de Renda Fixa que acompanham ( ou incorporam ) o IRF-M no seu processo de valorização podem apresentar variações negativas nas suas cotações diárias ?
    Nessa caso, porque motivo isso ocorre ?
    O que justifica e queda?

    Responder
    • Murilo Alves 14 de abril de 2020

      José, tudo bem?

      Pode sim. É importante inicialmente quebrar o mito de que Renda Fixa é uma modalidade de investimento onde só há ganhos.Muitas vezes o investidor traduz a expressão baixo risco com rentabilidade positiva garantida, mas isso não é verdade. Investir em títulos de renda fixa significa conhecer as regras de remuneração e a taxa de juros i que será aplicada ao montante N investido, por um tempo T para te entregar um certo rendimento R.

      De começo, é importante que você entenda a diferença entre Marcação na Curva e Marcação a Mercado. Por exemplo, suponhamos que você comprou uma LTN (Letra do Tesouro Nacional, um título público federal pré-fixado. No site do Tesouro – http://tesouro.gov.br/web/stn/tesouro-direto-precos-e-taxas-dos-titulos – é descrita como Tesouro Préfixado). O vencimento desse título é em jan/2026 e você o comprou à taxa pré-fixada de 6,89% a.a.

      Existem duas hipóteses aqui:

      (i) Marcar na curva significa simplesmente aplicar a alíquota de 6,89% a.a. ao valor investido, sem considerar os movimentos/expectativa do mercado sobre os juros;
      (ii) Marcar a mercado, considerando a expectativa dos agentes do mercado com os juros;

      Na segunda opção, suponha que a expectativa do prêmio (taxa de juros) do contrato DI FUTURO JAN/26 é de 6,50%. Ou seja, o mercado – baseado em expectativas macroeconômicas e fiscais, principalmente – supõe que o prêmio justo, levando em conta os riscos inerentes ao título (por exemplo, risco de insolvência do governo em honrar com o pagamento) é uma taxa de 6,50%. Ou seja, se a taxa de juros diminuiu, significa intuitivamente que você está bem colocado no seu investimento, pois se levar até o vencimento terá um rendimento de 6,89% ao invés de 6,50%, que é o que o mercado considera “justo”.

      O contrário também é verdade: se a taxa de juros para esse vencimento sobe para 8%, quer dizer que você está mal colocado no seu investimento, pois o mercado entende como justo para essa data um prêmio de risco de 8%, e não de 6,89%.

      Essa é a lógica mais fácil. Para comprovar, você precisa fazer o cálculo do PU (preço unitário) do título. Nada mais é que trazer a valor presente um valor de face de R$1.000,00 (no caso da LTN) a uma taxa de 6,89%.

      PV = FV/(1+i)^n, onde n é o número de dias úteis até o vencimento.

      Fazendo essa conta para i=6,89%, para i=6,50% e para i=8%, basta comparar os PU’s (variação percentual de um sobre o outro) e é esse fator de variação que será aplicado para a marcar a mercado os recursos aplicados. O IRF-M reflete o desempenho da LTN e da NTN-F, então o índice terá variação negativa quando a curva de juros futuros inclinar (diz-se que a curva abriu) e terá variação positiva quando a curva de juros futuros declinar (diz-se que a curva fechou).

      Responder
  • Jorge Madureira 15 de maio de 2020

    Tiago, bom dia ! Onde acompanho a evolução das taxas de juros futuros ?

    Responder
  • Luiz 15 de maio de 2020

    Onde encontrar uma tabela (por exemplo) para acompanhar o IRF-M mensal e/ou acumulado anual ?

    Responder
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